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Óbidos homenageou os seus poetas populares

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Afirmação de Óbidos enquanto comunidade e apresentação dos projetos e investimentos previstos marcaram sessão solene do feriado municipal, na tarde de 11 de janeiro, na Praça da Criatividade

No ano em que Óbidos assinala 10 anos de Cidade Criativa da Literatura da UNESCO, a autarquia reconheceu, no seu feriado municipal (11 de janeiro) três munícipes que se destacam pelo seu percurso ligado às artes e cultura.

A primeira medalha de mérito municipal foi entregue, a título póstumo, a Abílio Januário da Silva, nascido a 11 de junho de 1927, e que “desde cedo revelou uma profunda curiosidade intelectual e uma paixão pelo conhecimento e pela cultura”. Viveu em Angola e regressou a Portugal em 1975. Fixou-se em Óbidos, junto do seu sogro, figura marcante da vila, fundador do bar lbn Errik Rex, e foi trabalhador da Pousada de Óbidos, onde exerceu funções de contabilista até à sua reforma. Abílio Januário da Silva manteve durante décadas tertúlias semanais de poesia e fado, momentos de partilha cultural que marcaram gerações na vila.

Também Maria Elisa Fernando, natural do Olho Marinho, foi homenageada pelo município. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, após o término da vida ativa que encontrou na poesia um espaço de expressão plena. Publicou os seus primeiros poemas em 2015, é presença constante nas iniciativas culturais promovidas pelo município e uma das poetisas populares mais reconhecidas do concelho. Vítor Mata, natural da freguesia de A-dos-Negros, é um artista multifacetado, que revelou desde cedo uma forte ligação às artes plásticas, à música e à poesia. Ao longo do seu percurso, frequentou cursos de desenho, pintura, serigrafia e escultura, realizou exposições pelo país e é autor de pinturas murais e painéis de azulejo em espaços públicos e privados. Em 1999, concretizou a trilogia artística “som, palavra e cor”, reunindo pintura, poesia e música. Antigo autarca em A-dos-Negros, Vítor Mata continua a desenvolver o seu trabalho no atelier “Casa das Artes”, mantendo uma relação próxima com a comunidade.

Na cerimónia cantou uma poesia e manifestou que pretende continuar a trabalhar em prol da sociedade e da cultural local. Minutos antes, também o presidente da Câmara tinha lembrado a visão que colocou a literatura no centro do território, “como motor” de desenvolvimento, de educação, de participação cívica e de projeção internacional. “Óbidos mostrou que a cultura, quando é pensada de forma estratégica, cria valor económico, reforça a identidade e aproxima as pessoas”, salientou.

No seu discurso, Filipe Daniel salientou que o atual ciclo autárquico assenta numa “governação próxima, dialogante, justa e transparente”, elencando diversos projetos e investimentos previstos para o concelho.

Duplicar a população
Óbidos pretende duplicar a população em uma década. Dos atuais cerca de 14 mil habitantes no concelho, o objetivo é alcançar os 25 a 30 mil, disse o presidente da Câmara, lembrando o crescimento acentuado que teve nos últimos anos. “No mandato anterior queríamos aumentar 400 famílias no concelho numa década, mas acabámos por ultrapassar esse número em apenas três anos”, disse o autarca, reconhecendo que é preciso haver respostas ao nível da educação, saúde, mobilidade e habitação. A estratégia local de habitação integra habitação pública no âmbito do Primeiro Direito, soluções a preços controlados e a execução do edifício de habitação pública em A-da-Gorda, com 10 fogos e que, se tudo correr como previsto, deverá estar concluído no próximo ano.
Dentro da vila há cinco edifícios do município que serão reabilitados para habitação a preços controlados para jovens, de um total de 26 imóveis que vão ser intervencionados no concelho, para dar resposta a mais de uma centena de pessoas. Terão também continuidade os projetos em Santa Rufina (Arelho) e em A-dos-Negros.

A par da criação de habitação e dos incentivos fiscais, a autarquia pretende que a revisão do PDM (que deverá estar concluída este ano), seja também potenciadora de habitação. “Não podemos só ter moradias no concelho, mas também habitação em verticalidade, com 3 a 5 pisos, em alguns meios urbanos”, defende Filipe Daniel, justificando que a crescente construção de moradias, que ocupam uma área maior, leva a mais impermeabilizações e condiciona terrenos agrícolas férteis, que são necessários para a agricultura.

Políticas de proximidade

O presidente da Assembleia Municipal, Fernando Jorge, destacou os eventos de Óbidos, que se “afirmam como autênticas referências a nível nacional e internacional” e que têm um impacto “real e muito positivo na economia local”. Para além de “verdadeiros motores de desenvolvimento económico”, estes reforçam o “sentimento de pertença e o orgulho coletivo” e uma “afirmação da nossa identidade”, concretizou.
No futuro, querem continuar a “trilhar um caminho assente no desenvolvimento sustentável, na preservação do património material e imaterial, e na promoção de uma inovação económica e social que mantenha as pessoas no centro das decisões”.
Na sua intervenção, Fernando Jorge falou ainda de um desígnio autárquico assente em políticas de proximidade e que a Assembleia Municipal continuará a assumir o seu papel enquanto espaço de diálogo.

A sessão solene decorreu na Praça da Criatividade, a 11 de janeiro

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