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Reivindicações no 131º aniversário dos Bombeiros

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Passagem de Ernesto Soares ao quadro de honra foi o momento de maior emoção no 131º aniversário

Cerimónia na corporação caldense marcada pela defesa de melhorias sistemáticas. Duas novas viaturas foram a “prenda” de aniversário

Celebrou-se no passado domingo o 131º aniversário da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha. Em dia de festa, foram apresentadas duas novas viaturas, dez bombeiros entraram para o quadro ativo e houve lugar a despedidas para o quadro de honra e a condecorações.

O momento de maior emoção deu-se na despedida de Ernesto Soares, ao fim de “quase 50 anos a respeitar a sirene”, como descreveu o comandante Nelson Cruz. Entrou na Fanfarra, jurou bandeira em 1977 e foi promovido em 89, 91 e 95, antes de, em 2002, atingir o topo da carreira, como Chefe. Em 1984 integrou o quadro profissional, desempenhou funções de quarteleiro e posteriormente assumiu a liderança dos profissionais da Associação. Tem ainda a particularidade de ter vários familiares nos Bombeiros (chegaram a ser 15). “Deixa uma marca indelével, um espírito ímpar de servir a causa”, descreveu Nelson Cruz.

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Ernesto Soares, que era o porta-estandarte, passou essa função a Rui Faria e recebeu ainda o crachá de cidadania e mérito da Liga dos Bombeiros Portugueses e o reconhecimento municipal, uma novidade deste ano, para os bombeiros com mais de 40 anos de serviço (entregue também a Joaquim Pinheiro e Vasco Conde).

Curiosamente, Ernesto Soares passou ao Quadro de Honra em… missão. É que faltavam 24 horas e integrou a equipa que foi para Proença-a-Nova combater as chamas. Passava ao Quadro de Honra à meia-noite e já só chegou ao quartel à uma hora. “Homens destes fazem falta aos Bombeiros, às Caldas e a Portugal”, resumiu o comandante.

Quem também passou ao Quadro de Honra foi Pedro Pereira, que concluiu 25 anos de carreira, pautando-se “pela assiduidade e pontualidade, com lealdade e vontade de bem servir”.

O Galardão Prestígio da Associação foi entregue a Olga Francisco, que trabalhou como treinadora na piscina e ginástica durante 24 anos, seis dos quais como coordenadora da ginástica num clube com 300 jovens.

Durante os discursos, Nelson Cruz apontou para o facto de os bombeiros serem “forçados a fazer parte das sub-regiões, destruindo por completo aquilo que é a nossa orientação e organização, que é distrital”. O comandante lamentou “as dificuldades com os hospitais”, partilhando uma história de um doente que levaram para Torres Vedras e que não foi aceite, seguindo para Lisboa, onde voltou a acontecer o mesmo. “Passeamos com os doentes nas ambulâncias, tem sido mau demais”, critica, salientando que os Bombeiros “andam horas infinitas dentro das ambulâncias”.

O presidente da direção, Carlos Gouveia,explicou que, como “é necessário melhorar as condições económicas e os apoios aos bombeiros e colaboradores” mas “pouco tem acontecido a nível central”, a direção fez um aumento extraordinário de 50 euros a todos os colaboradores. “Não é muito para fazer face ao aumento do custo de vida, mas é o possível”, disse. Como grandes desafios à atividade apontou aos custos da energia, mas também “a situação atual do hospital” das Caldas, que “está muitas vezes fechado e isto tem levado a um acréscimo enorme de transportes e despesas”. O aumento dos combustíveis agravou a situação em cerca de cinco mil euros mensais e a piscina, que conta com 1500 utilizadores, “continua a ser um equipamento deficitário”, com prejuízos anuais de milhares de euros. “Não devem ser os bombeiros a pagar o custo social”, disse, tendo feito uma exposição ao município.

Conforme prometido no último ano, foi sinalizado pela Câmara um terreno com cerca de 1 hectare, na zona dos Texugos, para ser feito um contrato de uso de propriedade e receber o campo de treinos que os Bombeiros pretendem construir. “Contudo, o terreno sinalizado não corresponde aos nossos desejos, pois é um terreno classificado como Reserva Ecológica Nacional” e, assim, “não podemos ter nele instalações mínimas que possam servir de apoio para os equipamentos de treino e para as pessoas”, dado que “não faz sentido depois de um treino de um incêndio ter de tomar banho num contentor sem grandes condições”, lamentou Carlos Gouveia, apontando que o terreno pode até ser fora da cidade. O dirigente revelou que têm também projetos para melhorar a frente do quartel e aumentar a central fotovoltaica.

Jorge Martins, presidente da Federação Bombeiros do Distrito Leiria, também apontou ao aumento dos custos com combustíveis, defendendo que “é fundamental atualizar os valores pagos pelos serviços prestados pelos corpos de bombeiros, nomeadamente pelo INEM e pelas ULS”.

Eduardo Correia, vice-presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, alertou para o atingir do limite de sustentabilidade operacional e financeira de várias associações a nível nacional e anunciou que todos os quartéis passam a ter Posto de Emergência Médica (entre os nove que não tinham no distrito está o de São Martinho do Porto).

Fernando Tinta Ferreira, presidente do Conselho Fiscal, esclareceu que a associação tem contas equilibradas. Por sua vez, o presidente da Assembleia Municipal, Fernando Costa, elogiou a criação do reconhecimento municipal, mas sugeriu que seja feito nas cerimónias do 15 de Maio. O vice-presidente da Câmara, Joaquim Beato, frisou “a importância estreita de cooperação com o município e a nossa vontade de em tudo colaborar e melhorar”.

O veículo ligeiro de combate a incêndios tem base num chassis Volkswagen Amarok, custou 85 mil euros mais IVA. Já a ambulância, da marca Ford, custou 62 mil euros mais IVA, tendo a ACDR Arneirense como patrono
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