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Salão da Marotice teve pouca gente mas mostrou que o falo tem potencial para crescer

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O primeiro Salão da Marotice não conseguiu atrair as massas e teve pouco público. Ainda assim, devem ter sido poucos mas bons porque os expositores que falaram à Gazeta das Caldas não se queixaram das vendas. O evento juntou diferentes gerações de autores, mostrou uma grande diversidade de falos e provou que existe um grande potencial do “dito”, que desperta sempre sorrisos a quem passa.

Há deles mais atrevidos e outros com um estilo mais tímido. Há deles que mantêm as antigas tradições e também há os que representam a inovação. À escala real, aumentados ou em miniatura, há quem os tenha barro, mas também existem exemplares em pedra, em madeira, em metal ou em tecido. Uns erectos e outros murchos, uns utilitários e outros meramente decorativos. Na Expoeste, no fim-de-semana passado, havia centenas de falos diferentes, no primeiro Salão da Marotice.
Além da diversidade, o evento mostrou que o “dito” tem potencial e que há novas gerações a produzi-lo de forma criativa. Mas a verdade é que o evento não conseguiu atrair muito público. Segundo António Marques, da ADIO (associação que gere a Expoeste), passaram pelo salão 1500 pessoas por dia.
Além dos decorativos e das garrafas, já há velas, abre-caricas, sabonetes, doces e bolos, brincos e colares em forma de falo. Há o Super-Homem e o Batman, o Darth Vader, um gelado Calippo, o galo das Caldas (parecido com o de Barcelos, mas com um falo em vez de bico) e há deles em forma de personagens características, como Fernando Pessoa.

Faltaram artistas ao vivo

Muitos falos e pouco público. O Salão da Marotice deve continuar, mas precisa de ser repensado.

Vítor Lopes é um dos mais antigos e mais conhecidos fazedores de falos das Caldas. No que respeita à presença no certame, diz que “nos dois primeiros dias as vendas foram fracas, mas no último já foi um bocadinho melhor. No sábado fui-me embora porque o horário era até às 22h00 e então os vendedores estavam todos a tapar as suas bancas. Depois do espectáculo ainda podia ter vendido e assim não vendi, mas pronto, foi bom e gostei muito da iniciativa”.
O ceramista acha que seria melhor que o evento durasse apenas dois dias, começando no sábado depois de almoço e a terminar no domingo à noite. “A sexta-feira é um dia perdido porque as pessoas estão a trabalhar”, disse. Considera também que um evento destes tem de ter artistas a modelar ao vivo e que poderia realizar-se duas vezes por ano.

Uma nova geração de artistas

Entre a nova geração de artistas a trabalhar na área do falo com propostas criativas está Mónica Correia, da Loja do C**alho. A empresária disse à Gazeta das Caldas que, apesar de nesta primeira edição do evento a afluência não ter sido massiva, as vendas até nem foram más. “A iniciativa é muito boa e é de louvar que alguém dê o primeiro passo para assumir esta tradição”, realçou. Sugeriu uma melhoria da imagem dos cartazes e uma maior divulgação. Elogiou o bom ambiente, mas na sua óptica, poderia haver pessoas a trabalhar ao vivo e os alunos da ESAD podiam pintar, esculpir e fazer performances. Outra sugestão foi que o evento fosse realizado no Parque D. Carlos I.
Quem também referiu que gostava de ter artistas a trabalhar ao vivo foi Micaela Santos, que se dedica à bijutaria em cerâmica há dois anos, mas que nunca tinha feito peças com falos. “Fiz para este evento porque não há bijutaria falense em Caldas da Rainha, pelo que era um desafio ver até que ponto as pessoas deixam de ter vergonha daquilo que é nosso e passam a andar com o falo ao peito, literalmente”.
A caldense referiu que tanto do ponto de vista da venda, como da divulgação, o evento foi excelente, mas nota que os horários poderiam ser alterados, abrindo e fechando mais tarde.
Susana Pereira, uma auxiliar de acção educativa que há 10 anos, num pequeno projecto familiar, produz falos em barro, diz que gostou do contacto com as pessoas e que as vendas correram bem.
Os seus falos representam várias profissões, como empregados de mesa, enfermeiros, professores ou polícias. “Fiz uma lista de profissões que ainda faltam fazer”, contou.
Em termos de comida, havia três bancas de street food no exterior. No interior, o caldense Carlos Santos, que já vende há mais de 25 anos em feiras, tinha um espaço com café e doces. As Maravilhas da Rute Sophia é um projecto que nasceu há cerca de cinco anos e que combina a produção própria com revenda. A fábrica é nas Caldas e Carlos Santos costuma participar na maioria das feiras na cidade, pelo que fez questão de estar presente no primeiro Salão da Marotice. “Para o primeiro ano é razoável, mas esperava que viesse mais gente porque está engraçado, tem espectáculos, tem tudo, só falta mais público”, disse.
Para uma próxima edição sugeriu uma melhor apresentação e organização dos stands. “Em vez de terem apenas o produto exposto, os próprios stands podiam ser melhor apresentados”, referiu.

Música, palestras e espectáculo

Além das bancas de venda e exposição, o evento foi pautado por momentos musicais, com Sea Groove and The Ocean Travellers, Bandinha Amigos da Fanadia, contratenores João Paulo e Luís Peças e Melanie Russo.
Houve duas tertúlias de poesia erótica com José Carlos Cardoso, Ana Santos, António Sem, Joaquim Conceição Monteiro, Céu Campos, José Agostinho Marques, Tânia Cardoso e Ricardo Crespo. E também palestras com Paula Carvalho, Luís Filipe Sarmento, Matos Pereira, Umbelina Barros, Roberto Casais e Ricardo Costa Correia.
O espectáculo Lisistrata, de José Carlos Barros, contava através de imagens de vasos gregos antigos, uma história passada em 411 a.C. na Grécia. “É uma história que se repetiu na Libéria, quando uma mulher decidiu lançar uma greve de sexo para acabar com a guerra”, explicou.
José Ramalho apresentou a sua poesia ousada e houve dois espectáculos de vaudeville (cuja entrada custava cinco euros) que completaram o programa com momentos de sensualidade e diversão.

“Não ofende ninguém”

A tradição caldense desde o formato cinco litros até uns mililitros

À saída, a caldense Maria Afonso acha que o evento “não ofende ninguém, está dentro dos conformes”. Descreveu o salão da marotice como uma novidade. “Eu fui aqui nascida e de vez em quando lá aparecia alguma coisa, mas assim um evento tão grande nunca se viu até agora”, referiu, acrescentando que este é um produto que pode ser promovido. “É só o que a natureza deu ao homem”, concluiu.
O jovem Tiago Jesus, que também é das Caldas, acha que o evento “é bom para mostrar a louça típica das Caldas e para divulgar os artistas” e considera que o falo é um activo que deve ser promovido.

Maio é mês de falo

José Carlos Barros contou através de imagens de vasos gregos antigos uma história de 411 a.C em que uma mulher lançou uma greve de sexo para acabar com a guerração

O evento foi organizado pela ADIO em parceria com a Câmara e a Confraria do Príapo. O director da Expoeste, António Marques, disse que ainda existem alguns pruridos em relação ao falo e revelou que o evento teve três propósitos: a certificação do falo enquanto marca caldense, dar visibilidade à confraria e dar início à ideia de ser criado um pólo museológico, para que quem visita a cidade possa ver esta tradição.
Maria Dulce Horta, presidente da Confraria do Príapo, disse que o evento foi muito bom para a Confraria e que permite retirar ilações para uma próxima edição. “As palestras foram fantásticas, os oradores desmistificaram o assunto, falaram com uma abertura e uma clareza”. Maria Dulce Horta disse que este evento foi o pontapé de saída e que “contribui para que o falo das Caldas seja visto de uma forma cultural, como património imaterial”. A presidente da Confraria deu os parabéns à ADIO e à Câmara por avançarem com esta iniciativa e revelou que vários ceramistas que foram contactados mostraram interesse em participar no próximo ano. “A partir de agora, todos os anos em Maio vai haver um fim-de-semana dedicado ao falo”, contou.
Já Hugo Oliveira, vice-presidente da Câmara das Caldas, referiu que este é um assunto que deve ser olhado com cuidado para não ferir susceptibilidades. “O falo das Caldas é um activo que nós temos e deve ser considerado como tal e há quem diga que deve ser considerado um embaixador pelo mundo fora, porque quando se fala de Caldas da Rainha as pessoas associam ao falo”, disse.
O autarca fez notar que “na sociedade actual a forma de olhar para estas matérias é uma forma muito mais esclarecida, tranquila e sem preconceitos”.

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Edição #5625

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