
A obra de Maria Amélia Monteiro dá a conhecer um monumento barroco de grande beleza e praticamente desconhecido na região, situado numa propriedade privada – A Quinta da Pegada, junto a Óbidos. O seu primeiro contacto com o fontanário da Quinta da Pegada ocorreu em 1986 quando foi leccionar Educação Visual para a nova escola Josefa de Óbidos e integrou o clube de artes e património, tendo feito várias visitas ao local. A então docente deixaria aquela escola, mas levou consigo a curiosidade pelo monumento que se situava numa propriedade particular e voltaria, por várias vezes, à Quinta da Pegada onde conversava com o seu proprietário que à época era Palmério Ribeiro.
Dessas conversas e de muita pesquisa em arquivos resultou a obra editada pela Caleidoscópio. Durante a apresentação, Maria Amélia Monteiro referiu que o fontanário barroco, da primeira metade do século XVIII, cativa-a, pois assemelha-se a um “verdadeiro retábulo”. A autora acredita (pois tratou-se de um projecto particular sem qualquer formalidade) que o monumento tenha sido construído pelo arquitecto Rodrigo Franco, também autor do Santuário do Senhor Jesus da Pedra. E avança que a sua edificação poderá estar ligada a uma “insólita história de santidade” envolvendo os proprietários da quinta Catarina Gerarda e Estêvão Malhão. A filha deste casal era Francisca Antónia, nascida em 1720, de quem se diz que tinha visões dos santos e que chegou a viver no Convento da Rosa, em Lisboa. Era devota de Santa Teresa e acabou por ser sepultada no Convento de Vale Benfeito.
Na obra é feita uma “visita guiada” pela Quinta da Pegada, com referências à origem do nome da quinta e seu historial, à habitação, ao laranjal, ao tanque, assim como a algumas pessoas que ali viveram.
Maria Amélia Monteiro deixou ainda um apelo à Câmara de Óbidos para que encete conversações com os actuais proprietários no sentido da recuperação do monumento, que está um pouco degradado.
O historiador Nicolau Borges apresentou a obra de que foi “cúmplice” durante a escrita. O também coordenador do Centro de Formação Centro-Oeste falou da sua admiração pelo “trabalho minucioso, quase de arqueólogo, que Amélia Monteiro colocou neste trabalho”. Referiu-se também à obra, adjectivou-a de envolvente e cativante, e acrescentou que a leu por duas vezes e que foi visitar alguns dos locais que a autora descreve.
Nicolau Borges disse ainda que o livro deve ser visto como uma fonte documental e destacou a simbologia que inclui ligada às águas.
A apresentação do livro foi pontuada por um momento musical, interpretado por alunos e o director da Academia de Música de Óbidos.
A obra “O Fontanário Monumental da Quinta da Pegada” vai estar à venda na Gazeta das Caldas e na livraria de Santiago em Óbidos.





