Há uma empresa que quer instalar em Alfeizerão – num terreno que a Câmara de Alcobaça comprou na expectativa de ali se construir o hospital Oeste Norte – uma fábrica dedicada à produção de fruta desidratada, bolachas, farinhas, leveduras e adjuvantes. Pediu um parecer à Junta de Freguesia, mas viu aquela localização ser rejeitada. O PS chumbou aquela intenção com três votos contra e o PSD registou dois votos a favor e quatro abstenções. O parecer negativo deve-se à localização, considerada muito próxima das habitações e ao potencial daquele espaço que poderia ser aproveitado para outras actividades que não industriais.
Com sede na Silveira (Torres Vedras), a Alitec dedica-se a dar uso e valor a subprodutos das frutas e legumes que muitas vezes são deitados para o lixo ou dados ao gado. A empresa pega nesses desperdícios e fabrica e comercializa bolachas, farinhas, leveduras e adjuvantes.
Acompanhando as tendências do mercado, a Alitec quer criar uma unidade fabril em Alfeizerão que permita produzir e vender fruta da região desidratada, além dos produtos já referidos.
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O primeiro plano foi fazê-lo na Quinta do Vale da Cela, um local perto dos acessos da A8 e no centro da produção frutícola do Oeste. O local está classificado como área de interesse económico na proposta de revisão do PDM de Alcobaça e como centro de logística no Plano Estratégico daquele concelho.
Esta unidade empregaria inicialmente 15 pessoas e teria uma capacidade para transformação de 1 milhão de quilos de fruta fresca por ano, produzindo cerca de 10 milhões de embalagens de produtos transformados.
Segundo os seus promotores, trata-se de um projecto sustentável e não poluente.
A Alitec pediu à Câmara de Alcobaça a cedência de uma área a rondar os 10 mil metros quadrados para ali construírem um edifício de 2000 metros quadrados. Outra alternativa para a empresa é um terreno de 5000 metros quadrados, mas num terreno classificado como urbano.
A empresa realça na sua apresentação à Junta, a que a Gazeta teve acesso, que este é um negócio que deverá crescer, pelo que o terreno a ser cedido deve ter em conta uma possível área de implantação a rondar os 5000 metros quadrados.
Além disso, os promotores propõem instalar um espaço de incubação de ideias, desenvolvimento de produtos, estudo e investigação aberto a jovens.
No entanto, o executivo da Junta chumbou a localização numa assembleia extraordinária realizada a 19 de Novembro que reuniu cerca de 60 pessoas na assistência – o que demonstra o interesse da população no assunto.
No PSD um dos elementos não votou (por conflito de interesses), três abstiveram-se (alegando a excessiva passagem de camiões perto de uma zona residencial) e dois votaram a favor. Mas o PS votou contra e conseguiu a maioria (com três votos). Os socialistas dizem que a unidade é bem-vinda a Alfeizerão, mas não naquele local.
Acontece que esta votação pode até nem pôr em causa o projecto, uma vez que o parecer da Junta é meramente informativo. Este é um assunto municipal. Foi o zelo do empresário, Jorge Soares, que quis primeiro ouvir a população, que o levou a apresentar o projecto à Junta.
Ainda assim, Jorge Soares ficou de estudar novos locais que possam servir as necessidades deste negócio. Na apresentação que o empresário enviou à Junta, lê-se que este é um “projecto que tem timing apertado” e que deverá “ser construído no primeiro trimestre de 2018” e começar a funcionar no trimestre seguinte.
Gazeta das Caldas contactou Jorge Soares, mas este não quis prestar declarações.
Um consórcio de peso
Fundada em Abril deste ano com um capital social de 50 mil euros, a empresa quer crescer e para isso convidou outras entidades para serem accionistas. Esta mudança irá traduzir-se num aumento do capital social da empresa até ao meio milhão de euros.
O consórcio inclui a Campotec Organização de Produtores SA, a Campotec IN – Inovação e Indústria SA, o empresário Tiago Costa Almeida e duas organizações de produtores de fruta da região: a Frutalvor CRL (sedeada nas Caldas) e a NarcFrutas CFHR (com sede em Alcobaça).
A ideia é trabalhar em rede e aproveitar o melhor de cada parceiro. As três organizações de produtores representam cerca de uma centena de empresas agrícolas. Além de matéria-prima, há conhecimentos e contactos em Portugal e no estrangeiro que podem ser partilhados.
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Isaque Vicente
ivicente@gazetadascaldas.pt
Teófilo Antunes
redaccao@gazetadascaldas.pt 15





