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Escritora espanhola escreve romance histórico sobre Josefa d’Óbidos

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A escritora espanhola Brigida Gallego-Coin esteve em Óbidos a fazer uma residência literária no âmbito do projecto Vila Literária da Unesco. Autora de várias obras, que têm a mulher como personagem principal, Brigida Gallego-Coin está a preparar um romance histórico sobre Josefa d’Óbidos, que tem como cenário a vila medieval.
A obra será apresentada na próxima edição do Folio, que decorre de 27 de Setembro a 7 de Outubro.

A escritora andaluza Brigida Gallego-Coin está a escrever um romance sobre a artista, também andaluza, Josefa d’Óbidos, que até há bem pouco tempo lhe era praticamente desconhecida e que veio a descobrir na vila medieval. “Josefa é uma personagem maravilhosa, espero estar à sua altura e saber contar bem a sua história”, disse a também jornalista à Gazeta das Caldas.
A autora já reuniu material e conheceu as pinturas de Josefa d´Óbidos, que considera muito “místicas e femininas, enamorando todos os que as contemplam”. Também já se deu conta de que existem várias estórias em torno da artista, algumas delas contraditórias. Vai, por isso, escrever um romance que tenta aclarar alguns desses mistérios, como o facto de uma mulher do século XVII não ter casado nem ter tido filhos.

“Era uma mulher emancipada, percursora na sociedade em que vivia”, conta a autora, acrescentando que esta emancipação poderá ser vista à luz do facto de ser uma pessoa com posses. Para além de Josefa d’Óbidos, no romance serão também abordadas histórias paralelas, onde aparecem rainhas ligadas a Óbidos, assim como referências a locais na região, como Alcobaça, Peniche e Nazaré. Na vila, a escritora contactou com as pessoas que lá moram e trabalham e participou nos eventos culturais.
A autora explica que as suas obras são uma “espécie de reclame”, ou guia de viagem para os leitores visitarem os locais onde a trama decorre.

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Escrever sobre mulheres esquecidas
Com três romances e quatro contos para crianças publicados, Brigida Gallego-Coin escreve sobre mulheres que foram esquecidas ou “mal tratadas” pela História, dando-lhes o papel de protagonistas. Um encontro em Granada, com a directora executiva do projecto Óbidos Cidade Criativa da Literatura, Celeste Afonso, resultou no convite para a residência literária na vila. A escritora e jornalista granadina chegou à vila no dia 29 de Dezembro à noite, depois de uma “viagem duríssima” e de ter-se perdido em Lisboa e sem bateria no telemóvel para pedir indicações.
“Surpreendeu-me passar o arco [entrada na vila], foi uma sensação impressionante”, conta a autora, acrescentando a monumentalidade do património e o cuidado com a sua limpeza. Brigida Gallego-Coin já regressou a Granada com a informação que recolheu em Óbidos, mas acredita que durante a escrita do romance irão surgir-lhe dúvidas que a farão regressar à vila.
Os seus livros têm sido publicados em Espanha, por editoras espanholas, mas a escritora entende que este livro deveria também ser traduzido e editado em Portugal. À Gazeta das Caldas, a autora disse que escreve para fomentar o espirito curioso e que tenta fazê-lo de uma forma acessível para todos.
Brigida Gallego-Coin reconhece que o trabalho que tem pela frente é árduo, mas não se mostra preocupada. “Sou jornalista, estou habituada a lidar com o stress”, remata.
Mais residências literárias
A escritora espanhola é a quarta a fazer residência literária na vila. O primeiro foi o brasileiro João Paulo Cuenca, que nunca chegou a publicar uma obra resultado da estadia, tendo-se ficado por crónicas onde falou de Óbidos nos jornais brasileiros. Seguiram-se outros dois escritores brasileiros, João Santos, que escreveu sobretudo poesia e trabalhou com as escolas de Óbidos, e Marcela Dantés, que escreveu um livro que aguarda edição.
Em Março virá para Óbidos durante um mês um poeta granadino, no âmbito de um protocolo entre o município e a Fundação Garcia Lorca.
Celeste Afonso, directora executiva do projecto Óbidos Cidade Criativa da Literatura, gosta da escrita de Brigida Gallego-Coin e do seu trabalho, sobretudo com a obra “Juana la Loca – La Reina que nadie amó”. A responsável salienta que um dos objectivos da vila literária é que os escritores que façam residência em Óbidos possam editar os livros na sua língua, mas também ter a tradução em português.
Neste momento há apenas uma casa afecta à cidade criativa da literatura, mas estão a ser pensadas outras dentro da vila para o mesmo propósito. Recentemente a UNESCO elaborou uma lista com todas as residências das cidades criativas e Celeste Afonso acredita que após a publicação desse mapeamento haverá mais interesse por parte de escritores, pelo que será necessário aumentar estes espaços para dar resposta à procura.
A responsável explica que, ao contrário de outras cidades da literatura, que têm obras ou autores associados, Óbidos tornou-se cidade criativa da literatura com “uma dinâmica de lugar” criando uma rede de livrarias e promovendo eventos em torno da literatura.
Em 23 de Abril Óbidos vai acolher um encontro de todas as casas e fundações existentes no país ligadas aos escritores portugueses, a fim de promover um trabalho em rede.

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Edição #5625

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