Os festivais literários de Óbidos e de Paraty, no Brasil, vão iniciar uma parceria com a criação de espaços físicos permanentes de produção de conteúdos, ao longo de todo o ano, em cada uma das localidades. O anúncio foi dado no Folio, que terminou no passado domingo e que nesta edição registou uma elevada afluência de público.
A próxima edição decorre de 10 a 20 de Outubro e irá girar à volta das grandes viagens, assinalando os 500 anos da circum-navegação por Fernão de Magalhães. O presidente da Câmara, Humberto Marques, espera poder contar com mais apoios da tutela, agora que Óbidos já deu provas do sucesso desta estratégia.

O Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos vai passar a ter em Paraty, no Brasil, uma casa “de criação permanente” e de ligação com os parceiros institucionais. Esta abertura insere-se numa parceria com a organização da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty, que também passará a ter em Óbidos um espaço onde, entre coisas, será definida a estratégia que os dois festivais poderão desenvolver no futuro.
A colaboração entre a FLIP e o Folio arrancou já este ano com a organização brasileira a trazer ao festival alguns escritores que participaram em mesas de autor e no lançamento de livros. Autores portugueses irão estar na Festa da Literatura, assim como em Paraty durante todo o ano, através de residências artísticas ou a participar na programação que exista, potenciando a circularidade de escritores.
Esta parceria deixa o presidente da Câmara, Humberto Marques, muito expectante em relação à próxima edição do festival. “Espero que o país perceba que esta casa que vamos abrir em Paraty cobre um eixo de milhões de pessoas e que assuma a sua responsabilidade pública em financiar estes projectos”, disse, fazendo notar que os apoios estatais são diminutos.
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Esta edição teve um orçamento de 256 mil euros, suportado essencialmente pela autarquia, com o apoio do Turismo de Portugal, Turismo do Centro, Ministério da Cultura, entre outros. Humberto Marques disse que, se a organização tivesse que custear todo o festival, esse montante ascenderia a 1,5 milhões de euros. É que grande parte da programação foi suportada por vários parceiros como editoras e outros festivais, nomeadamente na vinda dos autores a Óbidos.
O autarca disse que, caso houvesse dúvidas em relação à estratégia Vila Literária, o sucesso que alcançaram fê-las dissipar, pelo que é o “momento de quem gere os fundos públicos dar o sinal”. O autarca diz não estar à espera que as entidades públicas suportem a totalidade dos custos, mas que precisa que “dêem um sinal claro ao país da importância dada no investimento para a cultura”.
Humberto Marques fez um balanço positivo desta edição do festival, que teve um aumento substancial de participantes, muito por causa do tema “Ócio e Negócio – A invenção do Futuro” e da qualidade da programação, considera. O autarca corrobora da opinião do Presidente da República (que visitou o festival sem se fazer anunciar na noite de quinta-feira), que considerou o evento “calibrado entre o erudito e o popular”.
Esta edição ficou ainda marcada por uma maior participação da comunidade, com autores locais e até alunos da escola a participar e a moderar mesas redondas.


Viagens no Folio de 2019
Também José Pinho, da Sociedade Vila Literária, fez um balanço positivo do festival e considera que este é o modelo a seguir. Defensor da realização de diversas actividades ao mesmo tempo, mostra a sua satisfação pelo facto das salas terem estado, quase sempre, cheias.
“Este programa foi o melhor que já fizemos e nem precisámos de vedetas extraordinárias porque os parceiros contribuíram muito para que o programa tivesse uma qualidade indiscutível”, explicou. O responsável diz que não pretendem repetir os autores, de modo a que nas cinco primeiras edições, todos os escritores portugueses possam passar pelo festival. Pelas suas contas deverá faltar uma dezena de nomes.
Já noutras geografias da língua portuguesa, como o Brasil, há muitos bons autores que não são conhecidos em Portugal. Uma situação que querem contrariar, através da rede de parcerias, que permite trazê-los e dar a conhecer a sua obra.
“Esta proximidade e relacionamento que vamos criando com os parceiros tem contribuído em muito para o sucesso do Folio e da Vila Literária”, refere, adiantando que juntos conseguem fazer melhor.
No próximo ano o Folio irá decorrer entre 10 e 20 de Outubro, procurando não coincidir com outros festivais literários no país. A temática será em torno das grandes viagens e estará em destaque as celebrações dos 500 anos da circum-navegação de Fernão de Magalhães.
Blog “Contramapa” vence Prémio Latitudes Viagens & Vantagens
O blog “Contramapa”, de Dina Guerra, foi o vencedor da primeira edição do Prémio Latitudes Viagens & Vantagens, com um trabalho sobre Rio de Onor, uma das sete aldeias maravilha de Portugal.
O texto, publicado em Outubro do ano passado, foi o que mais curiosidade suscitou ao júri, tendo arrecadado como prémio a possibilidade de passar um ano a viajar e conhecer 12 destinos em Portugal.
A menção honrosa foi para o trabalho “um ninho entre rochedos” publicado no blog Porto Envolto, que recebeu três meses de viagens e programas de lazer.
Os finalistas foram selecionados entre 13 concorrentes por um júri composto por Pedro Mota, da Sociedade Vila Literária de Óbidos, Ilda Cruz, do Turismo do Centro, e Marlene Marques, do Programa Viagens & Vantagens.
O Prémio Latitudes Viagens & Vantagens 2018 foi lançado em Óbidos, em Abril, integrado no Festival Latitudes. Na primeira edição o galardão destinou-se aos blogs (literatura digital), mas há a possibilidade de no futuro ser alargado a outras áreas.
O presidente da Câmara deixou o convite aos vencedores para, no próximo Folio, partilharem a experiência que os levou a escrever sobre aquele destino. F.F.
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