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Os Painéis de Jorge Rey Colaço que decoraram uma das primeiras sedes dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha

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A convite do Programa Caldas Cidade Cerâmica (MOLDA 2019), foi encetado um processo de estudo e restauro dos painéis de azulejo concebidos por Jorge Colaço para a primeira sede dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha, no edifício da antiga Câmara Municipal.
Celebrando o Dia Nacional dos Azulejos (6 de Maio), com o objectivo da protecção e valorização do património azulejar nacional, damos a conhecer a origem dos referidos painéis.
Importa, de facto, dar a conhecer a uns, e devolver á memória de outros, uma parte do património azulejar caldense que se encontrava guardado.
No antigo edifício da Câmara Municipal das Caldas da Rainha (actualmente o edifício alberga a União das Freguesias de Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório), mandado erigir por D. João V, funcionou no primeiro terço do século XX, a sede da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha.
Após as obras de requalificação do novo espaço, era necessário ornamentar a fachada principal do edifício. Coube ao jornalista António Montês ‘esse irrequieto e scintilante espírito’, de a idealizar.
A escolha recaiu no ‘glorioso artista Jorge Colaço’, o qual ficou incumbido de pintar três painéis em azulejo. A temática presente era alusiva às funções a que o edifício se prestava – «Vida por Vida»” (AVELAR, F. H. – Aos habitantes da minha terra. Gazeta das Caldas, nº 30, 3. Maio. 1926).
“São três quadros, flagrantes de vida e de merecimento, em que a mão do Mestre soube traduzir nas expressões das figuras, nas atitudes e na composição geral do assunto o esforço denodado dos nossos Bombeiros. No quadro central, o maior, ataca-se um incêndio. À esquerda, a expressão do Bombeiro e da creança que traz salva nos braços, são uma maravilha” (CATULO – B.V.C. |Azulejos de Jorge Colaço. Gazeta das Caldas, nº 30, 3. Maio. 1926).
Reforçando o mencionado, o mesmo jornalista, Catulo, no dia da inauguração da sede dos Bombeiros, 3 de maio de 1926, acrescenta ainda que “se o novo edifício é, todo ele atraente, pela sua sobriedade e frescura, a fachada ilustrada por Jorge Colaço, fica constituindo mais um motivo de orgulho para a linda vila das Caldas” (CATULO – B.V.C. |Azulejos de Jorge Colaço. Gazeta das Caldas, nº 30, 3. maio. 1926).
Também o pintor José Malhoa tece rasgados elogios à obra do artista “Jorge Colaço, esse notável temperamento de artista que todo o país e as Caldas tão bem conhecem através dos seus painéis maravilhosos, autor dos lindos quadros em azulejo que ornamentam a frontaria da nossa Associação dos Bombeiros” (COLAÇO, Jorge – Duas notabilidades| José Malhôa apreciado pelo notável artista Jorge Colaço. Gazeta das Caldas, nº 30, 7. maio. 1928).
Os painéis foram executados num período de transição (1923-1926) em que o artista já se encontrava a laborar na Fábrica Lusitânia, no entanto, ainda utilizava os azulejos e os fornos para cozedura da Fábrica de Sacavém, tal é comprovado pelas marcas presentes no tardoz dos azulejos que remetem para esta última.
Os painéis, segundo se visualiza em bilhetes-postais da época, estavam colocados entre as duas portas de acesso ao edifício, substituídas, em data incerta por duas portas e duas janelas.
Os azulejos foram retirados e guardados em caixotes, sendo que em 2013 estavam guardados no novo edifício dos Bombeiros Voluntários na rua 31 de janeiro.
Um bilhete-postal impresso na década de 50/60 (século XX) já mostra o edifício com a configuração atual e sem os azulejos in situ. Desconhecem-se as razões que terão levado às alterações arquitectónicas e à consequente retirada dos azulejos.
No sentido de salvaguardar o património azulejar que outrora decorou o ancestral edifício dos Bombeiros Voluntários na Praça da Fruta, os painéis serão restaurados e devolvidos aos caldenses, em data a designar.
Apela-se deste modo a todos os que possuam fotografias, bilhetes-postais ou outros elementos que possam servir de ajuda á reconstrução da história destes painéis, o favor de os entregar neste jornal, onde serão digitalizados e devolvidos posteriormente.

*Especialista em azulejaria. Doutoranda na Universidade Católica do Porto.

Por: Cláudia Emanuel

Bilhetes postal, onde são visíveis os painéis de azulejo. Praça da República. Caldas da Rainha.| D.R.

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Edição #5625

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