
O título do volume nasce do poema da página 104: «Sala de Espera – São momentos em que /nem sequer se pode morrer./Horas perdidas em que / a vida é suspensa. / por privilégios daqueles/ senhores do relógio/de vozes metálicas e de sorrisos amarelos / persuadindo-te à espera. / Nestas paredes cresce, intranquilo/ o Musgo das Horas/ cheio de desejos, de promessas /de augúrios, de confissões /…de certezas./Preenche o espaço vazio/ como se a Vida o quisesse Ser/ e não nos bastasse apenas/a angústia como futuro.»
Sabe-se que o musgo é o elemento constitutivo do presépio franciscano. Este livro pode ser lido como uma espécie de presépio no sentido em que há nele uma representação do sangue pisado da vida. Como no poema «Almoço em família»: «À roda da mesa/ juntaram-se as gentes/almoçando a vida/com pedaços de pão./- Passem mais vinho!/Gritam lá do fundo/não é hora de sede/nem tempos de solidão./Vai um picantezinho? /pergunta o vizinho/que roda a malagueta /de mão em mão. /Sim senhor, Ti Zé. /a saber a pimenta/a vida é mais doce /e com outra pitada de sal/ o corrupio dos dias /parece menos mal/Outra asa de frango /e mais uma febra /a saltar na brasa/meia dúzia de copos depois/engolimos alegrias, tristezas/saudades e tudo/ – Ainda haverá espaço para /o cafézinho? /Até outro dia compadre vizinho. /Aqui nesta mesa à roda da gente.»
(Editora: Livros de Ontem, Ilustrações: Cátia Figueiras, Prefácios: Lia Nunes e Ricardo Carrilho, Posfácio: Mário Rui Silvestre, Revisão: João Batista e José Miguel Correia Noras, Grafismo: Nádia Amante)





