O gamer caldense Daniel Marques (Doro) contou à Gazeta das Caldas que durante a pandemia aquilo que é a rotina de quem vive os videojogos pouco mudou, mas permitiu maiores “ajuntamentos”.
Quando toda a gente se queixa do isolamento e de ter que ficar em casa, ouvir alguém dizer que “a quarentena não traz grandes mudanças” ou que esta até permitiu maiores “ajuntamentos”, parece um contra-senso. Mas não é.
Para quem é “gamer”, e vive dos vídeo-jogos, as rotinas pouco se alteraram com a pandemia de Covid-19.
É isso que atesta o caldense de 28 anos, Daniel Marques, conhecido no mundo virtual como Doro. No ano passado o jovem, de 28 anos, regressou às Caldas, depois de ter estado a trabalhar no sector das tecnologias em Lisboa.
“Estava à procura de trabalho quando se deu esta situação da Covid-19, o que levou a que me dedicasse mais ao canal da Twitch”, explica. Esta é uma plataforma de transmissão on-line. O canal, que surgiu para divertir os amigos e para partilhar momentos de jogo, começou no Verão do ano passado, mas esteve algo adormecido até esta situação.
Acresce que a pandemia coincidiu com o lançamento de uma versão de teste de um jogo chamado Valorant e o acesso a essa versão era conseguido a ver transmissões na Twitch. “Quando percebi que conseguia ajudar os meus amigos a ganharem o acesso foi mais uma motivação”, explicou.
Na sua rotina as mudanças foram que passou a acordar ligeiramente mais tarde, entre as 11h00 e as 14h00. A partir daí é tomar banho, comer e ligar-se ao computador. “Chego ao meu canal do Discord, onde nos juntamos todos, e já tenho uma ou duas pessoas on-line”, afirma. O dia é passado a jogar e a fazer transmissões online. Pára para fazer jantar (quando o irmão não lhe leva a comida ao computador) e para fazer arrumações.
Uma mudança positiva com a quarentena foi o facto de haver muito mais pessoas on-line: “Em vez de três ou quatro temos sempre grupos de nove ou dez pessoas, o que permite que não se sinta tanto o isolamento”.
“Apesar de passar 16 horas por dia em frente ao computador, existe muita interacção social”, salienta. “Pensa-se que o pessoal nerd ou geek é anti-social, o que não é verdade. Sempre gostei de ir beber um café ou uma cerveja com os amigos”, acrescentou.
Doro não conta ainda com financiamentos nem patrocínios, mas já recebeu alguns donativos e subscrições. “É sempre bom, mas nada que um part-time não superasse. No início não se pode pensar nisso, porque é normal existir uma grande estagnação”. Trata-se de “um hobbie em que vou continuar a investir”.

Como tudo começou
As primeiras consolas que jogou foram um Gameboy e uma Super Nintendo, quando tinha 5 anos. “Não podia jogar sempre, mas sempre que jogava acendia algo em mim e acho que começou aí o vício”.
A primeira consola a que teve acesso total foi a Nintendo 64. “O meu pai era camionista e num ferry na Dinamarca jogou Mario Kart e comprou o jogo, mas não tínhamos a consola, que viria a comprar na viagem seguinte”, recordou.
Uma mudança de casa, da zona de Tornada para o Campo, apresentou-lhe um vizinho que também tinha uma Nintendo e rapidamente começaram a organizar jogos com mais amigos.
Aos 10 anos, o caldense juntou dinheiro para comprar uma XBox e “aí começou mais a competição”. Lembra-se, por exemplo, das viagens até um “ciber” que existia perto da escola Bordalo Pinheiro “para jogar Tactical Ops”. Depois veio o Counter Strike e o Unreal Tournament.
Foi com 13 anos que jogou o primeiro jogo on-line “a sério, com uma comunidade”. Tratava-se do Warcraft 3 e Doro jogava com pessoas muito mais velhas e com diferentes profissões.
“Ali éramos todos iguais. Eu não era uma criança muito confiante e aquele mundo era uma escapatória, onde não me sentia deixado de fora”, relembra o caldense, que integrava então a maior comunidade portuguesa do jogo que misturava a estratégia e a magia. “Tínhamos uma liga interna e tínhamos torneios contra equipas de outros países”, lembrou.
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