
Câmara alerta que os efeitos das correntes sobre a ligação da Lagoa de Óbidos ao mar tem reduzido de forma drástica o areal na Foz do Arelho e apela à população para evitar a linha costeira
A Câmara das Caldas da Rainha alertou esta quinta-feira para o agravamento do risco para pessoas e bens na zona da Lagoa de Óbidos, em particular na Foz do Arelho, devido ao forte impacto que o inverno tem tido na orla costeira do concelho. Em comunicado, o município dá conta do “deslocamento significativo da “Aberta” para norte e [d]a considerável redução do areal da praia da Foz do Arelho”, uma situação que está a ser acompanhada com “bastante apreensão”.
Segundo o município, a atual ligação da Lagoa de Óbidos ao mar encontra-se “a escassos metros dos campos desportivos e da Avenida do Mar”, prevendo-se que, nos próximos dias, o risco se intensifique “com o agravamento das condições meteorológicas e de agitação marítima associadas à passagem da depressão Ingrid”.
Apesar de reconhecer que este posicionamento poderá ser temporário e que “pode reverter-se a curto prazo, com uma eventual migração da “Aberta” para sul, quando as condições meteorológicas e as correntes marítimas se tornarem mais favoráveis”, a autarquia sublinha que a situação atual justifica uma atuação preventiva. Nesse sentido, o executivo municipal já encetou diligências junto da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Capitania do Porto de Peniche, encontrando-se igualmente em contacto com a Águas do Tejo Atlântico e com o Município de Óbidos.
Ainda de acordo com a Câmara, “a pedido do município, a APA enviou uma equipa ao terreno para uma avaliação mais detalhada da situação”, estando a evolução a ser acompanhada permanentemente por aquela entidade, pela Junta de Freguesia da Foz do Arelho, pelo Serviço Municipal de Proteção Civil das Caldas da Rainha e pelos técnicos da Águas do Tejo Atlântico.
No comunicado, a Câmara deixa um apelo claro à população para que adote comportamentos de autoproteção. “Apela-se à população para que se mantenha longe da linha de costa durante os próximos dias, em especial da Praia da Foz do Arelho, dado o expectável agravamento do estado do tempo, a intensificação da agitação marítima e a subida do nível do mar”, refere o documento.
A autarquia recorda ainda que as lagoas costeiras com ligação direta ao oceano, como a Lagoa de Óbidos, são “ecossistemas naturais frágeis e altamente dinâmicos”, cuja estabilidade depende de múltiplos fatores naturais. O município explica que o fecho natural da abertura ao mar e a migração da chamada “Aberta” são fenómenos comuns, sobretudo durante o inverno, mas que podem intensificar processos de erosão e colocar em risco infraestruturas e habitações próximas, exigindo investimentos significativos para a sua mitigação.
Por essa razão, sublinha o comunicado, “a gestão da Lagoa exige um acompanhamento técnico contínuo e soluções adaptativas que conciliem a dinâmica natural do sistema com a segurança das populações e a proteção do território”.








