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Academia de Música de Óbidos perto dos 20 anos

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Um dos momentos de atuação de um dos grupos musicais da Academia obidense

A escola possui mais de 400 alunos, vai celebrar duas décadas no próximo ano e quer continuar a crescer

A Academia de Música de Óbidos foi constituída em junho de 2007 e as primeiras aulas decorreram em setembro. Atualmente a escola, sediada na Estrada Nacional 8, nº 4, possui 400 alunos de Óbidos e também de alguns concelhos vizinhos. Segundo o seu diretor, Pedro Filipe, cerca de 250 alunos são do concelho caldense.

Mesmo antes de ter constituído a Academia, Pedro Filipe já estava ligado a Óbidos através da direção de coros, e na altura sentia a necessidade de Óbidos “ter a sua própria identidade no ensino da música”.

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E recorda que o primeiro contrato de patrocínio da escola data de 2009, “o que permitiu ter ensino articulado em todo o concelho obidense”.

A partir de 2010 a escola conseguiu chegar aos concelhos das Caldas e de Peniche e, em 2012, à Lourinhã. No ano seguinte, a Academia teve a abertura do curso secundário de música e, desde então, “já temos perto de 60 alunos que se formaram na Academia, seguiram para o curso superior e hoje são profissionais de música”. “Trabalhamos nalgumas escolas enviando os nossos professores que ensinam nos estabelecimentos escolares da Atouguia da Baleia, A-dos-Francos e Lourinhã”, explicou o responsável.
Um dos projetos iniciado no ano transato por esta escola é o OSIA, a Orquestra: Sinfonia de Inclusão e Aprendizagem que se destina a integrar crianças e jovens de comunidades estrangeiras. A iniciativa une a Academia ao município das Caldas e conta ainda com o apoio do Portugal 2030. “Tivemos um ótimo resultado e precisamos de ir mais longe, apostando também no ensino da música logo a partir do 1º ciclo”, acrescentou.

A decorrer têm uma candidatura que é dedicada ao ensino dos alunos mais novos.“O ensino articulado vai manter-se mas poderá haver evolução nas propostas para os alunos das iniciações”, referiu o docente Pedro Filipe.

Os alunos mais novos da Academia têm cinco anos e a maioria dos estudantes no ensino regular da música vai até aos 17 anos. “Também temos espaços para os adultos, pois contamos com pais e avós que frequentam os nossos cursos livres”, referiu o diretor.

Na Academia de Música de Óbidos funcionam os cursos oficiais dos mais diversos instrumentos musicais e “temos a preocupação de tentar lecionar aqueles instrumentos menos comuns como guitarra portuguesa, harpa , cravo e órgão de tubos”, disse.
Alguns já foram ensinados na Academia mas, neste momento, não há turmas destes instrumentos. “Na celebração dos 20 anos vamos tentar ter alunos para os instrumentos mais raros”, referiu o maestro sublinhando que há orgãos de tubos nas igrejas de Óbidos e também na Igreja do Pópulo nas Caldas.

“Preparar para a vida, além da música”
A Academia de Música de Óbidos possui várias orquestras, ensembles e classes de conjunto que se dedicam a vários instrumentos. Além da música, “o que fazemos é preparar os alunos para a vida para projetos não só da música mas até social e a respeitar regras e a partilhar responsabilidade”, referiu o responsável.

Na sua opinião é constatável “a relação de boa vizinhança com as bandas do concelho de Óbidos”. Para Pedro Filipe “não somos uma instituição concorrente mas sim complementar”. A Academia tem preparado crianças e jovens que apesar de já não estarem na escola “continuam a sua prática musical nas bandas filarmónicas da região”. Serão mais de uma centena os antigos alunos que não tendo seguido a música profissionalmente são hoje executantes de várias bandas, incluindo nalgumas dos concelhos vizinhos.

Entre os jovens da região que vão para o ensino superior há alguns que se mantêm ligados à Academia pois continuam a fazer parte das suas orquestras.

“Temos também alguns alunos que passaram a integrar a orquestra académica da Universidade de Lisboa”, contou Pedro Filipe referindo que assim é possível continuar a ter ensaios semanais de música mesmo para estudantes dos cursos de Gestão, Engenharia ou Medicina.

A estrutura da Academia é piramidal, ou seja, começa de forma alargada com crianças que seguem até ao 5 grau (que corresponde ao 9 ano) . Ao chegar ao 10º ano “é difícil mantê-los” mas segundo o docente, a Academia está a trabalhar com um dos agrupamentos escolares caldenses para suprir esta dificuldade.

Em relação a este ano letivo que agora arranca, Pedro Filipe conta que há uma tentativa por parte da instituição de mostrar aos seus alunos como a Orquestra “pode ser um projeto de grande inclusão”. A Academia de Música está pois apostada em mostrar aos seus alunos que a música “pode também ser um fator de desenvolvimento e de partilha entre todos”.

Para Pedro Filipe o projeto OSIA e toda a Academia “está a transformar-se num projeto de orquestra, apostando nisso como uma estratégia de consolidação”. A aposta na música tocada em conjunto também se junta à iniciativa de continuar a apostar na música coral “pois temos muitos alunos “que adoram cantar e partilhar música em grupo”.

Formação de professores é fundamental
“Apostamos também fortemente na formação dos nossos professores que assim prestam melhor apoio aos alunos”, contou o responsável que considera que esta é uma área fundamental e diferenciadora. A Academia de Óbidos possui também protocolos com três escolas de ensino superior, contribuindo para a formação de professores, preparando-os para a vida profissional.

Outra das vertentes desta escola de música é uma constante envolvência com a comunidade . Estão já previstas para este ano letivos concertos audições masterclasses por toda a região. “No ano passado fizemos mais de 180 atividades, participando ativamente em iniciativas fora de portas da Academia”, disse o docente acrescentando que a escola marca presença nos grandes eventos do concelho de Óbidos. “Faz parte do nosso ADN estar presente nos eventos da comunidade!”, rematou.

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