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As empresas que movem a economia de Óbidos

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O setor agroalimentar é o que tem maior relevo na economia do concelho

Agroalimentar lidera faturação e tecnologia dispara na rentabilidade e emprego

O tecido empresarial de Óbidos tem uma dimensão e uma diversidade que vão muito além da imagem turística associada ao concelho. Entre a agricultura e a produção alimentar, as embalagens, o comércio e as tecnologias de informação, existem empresas com uma presença consolidada no mercado nacional e internacional e com um peso significativo na economia local.

O concelho de Óbidos assegura uma posição de forte relevo na economia regional, com 28 empresas entre as 600 maiores do Oeste. Um conjunto empresarial dinâmico que gerou no ano fiscal de 2024 um volume de negócios global de 275,8 milhões de euros, assegurando 1.130 postos de trabalho diretos e que injetou 40,9 milhões de euros nos mercados internacionais através das suas exportações.

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No raio X ao tecido produtivo local, salta à vista uma economia com duas grandes forças motoras: o peso histórico e estrutural da fileira agroalimentar e hortofrutícola, que concentra quase dois terços da faturação, e a afirmação crescente de um ecossistema tecnológico e digital altamente rentável, que se tornou num dos principais criadores de emprego qualificado no concelho.

A fileira Agroalimentar e Hortofrutícola continua a ser a espinha dorsal da economia obidense. Com 15 das 28 empresas do concelho listadas, o setor apresentou uma faturação de 174,4 milhões de euros (63,2% do total das empresas do concelho) e garante perto de metade dos postos de trabalho da amostra (523 trabalhadores, ou 46,3%).

É neste grupo que figuram as duas maiores empresas em volume de negócios. No topo da tabela concelhia surge a Nutriaves (nas Gaeiras), empresa de abate e transformação avícola, com 27,6 milhões de euros de faturação e 74 trabalhadores, seguida de perto pela Granfer (Usseira), especializada no comércio por grosso de fruta e produtos hortícolas, que movimentou 26,3 milhões de euros. A Granfer distingue-se ainda como o grande motor exportador de Óbidos, vendendo mais de 8,36 milhões de euros para fora do país, lado a lado com a Santos & Pereira (Gaeiras), que exportou 6,44 milhões.

O retalho e a transformação alimentar completam este ecossistema, com realce para a Pan e Past (21,1 milhões de euros) e a Novadolci (10 milhões de euros), ambas nas Gaeiras, além do operador retalhista Superóbidos (7,6 milhões de euros).

Se a agricultura e a alimentação dão massa crítica à faturação, o setor de Tecnologias da Informação apresenta indicadores de produtividade e criação de valor acima da média. Representado por apenas quatro empresas no ranking, o setor atinge um volume de negócios de 35,38 milhões de euros (12,8% do total), mas é responsável por 22,2% do emprego (251 trabalhadores). Mais impressionante é a capacidade de rentabilidade do setor. As empresas tecnológicas geraram 8,53 milhões de euros em resultados líquidos, o que representa quase metade (49,3%) de todo o lucro somado pelas 28 empresas de Óbidos no ranking (17,3 milhões de euros), o que demonstra a elevada capacidade deste segmento específico na criação de valor.

Neste cluster, a Janela Digital destaca-se duplamente. Sediada no Parque Tecnológico de Óbidos, é a maior empregadora do concelho, com 124 colaboradores, e a líder absoluta em lucros, registando um resultado líquido de 4,55 milhões de euros. Na vertente da inovação e consultoria, a Innovation Makers surge em terceiro lugar no ranking de empregadores (92 trabalhadores) e com um assinalável perfil exportador (8,15 milhões de euros direcionados ao mercado externo), acompanhada pelo desempenho da Performarkt e da WWS.
Geograficamente, a atividade empresarial de grande dimensão em Óbidos encontra-se fortemente concentrada. A freguesia das Gaeiras é o indiscutível pulmão económico do concelho. A Zona Industrial da Ponte Seca, localizada na freguesia, acolhe 11 das 28 empresas, que somam 136,5 milhões de euros de faturação, cerca de 49,5% do total concelhio, e garantem 516 empregos diretos.

Além do setor alimentar, as Gaeiras abrigam a maior empregadora da área industrial e de construção do concelho: a Barros & Moreira, que opera no fabrico e distribuição de materiais de construção e equipamento sanitário, que contava em 2024 com 118 trabalhadores e faturou 9,65 milhões de euros.

Por sua vez, o segmento das Embalagens e Indústria Transformadora demonstra igualmente uma forte rentabilidade. A Embala na Hora, com 15,9 milhões em vendas, e a Embalpom, com 12,7 milhões, registaram ambas resultados líquidos acima dos 1,3 milhões de euros, consolidando a importância do setor de apoio à produção e logística regional. As duas empresas fabricam e comercializam embalagens para o setor agrícola.

No domínio do Turismo, Lazer e Imobiliário, outro dos eixos estratégicos do concelho, quatro operadoras destacadas (incluindo a D’El Rey Services, a PMSA, a empresa municipal Óbidos Criativa e a Golfbéltico) somaram mais de 20,4 milhões de euros em vendas e 124 postos de trabalho, refletindo a dinamização do ecossistema turístico do concelho.

Ser empresa em Óbidos
A Gazeta das Caldas quis também perceber junto das maiores empresas do concelho o que significa desenvolver atividade em Óbidos, quais os principais desafios e que projetos estão no horizonte. Das cinco empresas contactadas, apenas duas responderam: Janela Digital e Granfer.

“Estar em Óbidos é respirar um ecossistema que recusou o determinismo da interioridade e escolheu liderar pela ousadia”, considera João Figueiredo, fundador da Janela Digital. Para o empresário, o concelho criou um ambiente favorável às empresas tecnológicas, fruto de uma estratégia que, na sua perspetiva, teve continuidade ao longo das últimas décadas.
João Figueiredo aponta, contudo, uma lacuna que considera estrutural: a inexistência de formação técnica e tecnológica de ensino superior diretamente ligada ao Óbidos Parque. “Um parque tecnológico sem jovens talentos a serem formados no seu epicentro opera abaixo do seu potencial máximo”, defende.

O fundador da Janela Digital entende que uma maior ligação ao Politécnico de Leiria poderia reforçar a capacidade do território para formar e fixar talento. “Não se trata de alimentar rivalidades territoriais, mas de exigir coerência”, sustenta, considerando que a formação avançada deve acompanhar a concentração de empresas tecnológicas existente em Óbidos.

Na empresa, as perspetivas de crescimento estão sobretudo ligadas à inteligência artificial. “Estamos, literalmente, no início de uma nova era da civilização”, afirma João Figueiredo, para quem a atual transformação tecnológica surge numa escala superior às grandes mudanças provocadas pelas revoluções agrícola e industrial.

A Janela Digital está a trabalhar na integração de inteligência artificial generativa, novos modelos de interação e automação nas suas soluções de CRM e plataformas para o setor imobiliário. “Não é um momento de contemplação, mas de navegação a toda a velocidade”, resume o empresário.

Na Granfer, a relação com Óbidos é de outra natureza, mas igualmente marcada pela proximidade ao território. “Nós somos de Óbidos”, salienta Filipe Ferreira, administrador da empresa, cuja família está ligada há várias décadas à atividade agrícola. A empresa emprega, em média, 120 a 130 pessoas no centro de processamento e cerca de 100 trabalhadores na área agrícola durante todo o ano.

O responsável destaca ainda o papel do concelho na atração e fixação de trabalhadores. “É um local onde as pessoas gostam de viver”, afirma. No Olho Marinho, onde se fixaram vários trabalhadores da empresa, a chegada de população mais jovem terá contribuído para contrariar o envelhecimento da aldeia. “Temos cerca de 70 a 80 pessoas entre os 20 e os 30 anos que se fixaram lá. São resultados muito positivos”, sublinha.

A localização é outra das vantagens apontadas pelo administrador da Granfer. A proximidade à A8, a Lisboa, nomeadamente à ligação marítima, facilita o acesso aos mercados externos. “Estamos muito bem situados. É um excelente local para trabalhar e para viver, dada a proximidade com a praia”, considera.

O maior desafio da Granfer está na mão de obra, “um problema que afeta toda a agricultura nacional”, diz o administrador. Este ano, no pico da campanha da pera e da maçã, a empresa chegou a ter cerca de 250 pessoas na apanha.

A empresa tem, neste particular, uma vantagem competitiva. A diversidade de culturas permite prolongar a atividade de colheita durante quase todo o ano. “Só não colhemos no mês de abril”, explica Filipe Ferreira. Esta continuidade ajuda a criar alguma estabilidade laboral, embora a empresa continue dependente de trabalhadores estrangeiros, nem sempre com caráter permanente.

No plano dos investimentos, a nova aposta está na batata-doce. A Granfer iniciou a produção há três anos e está agora a reforçar a central de processamento com equipamentos específicos. “Este ano, o foco foi investir na produtividade e no acondicionamento da batata-doce”, uma vez que as máquinas que fazem este trabalho na fruta não servem para o fazer com este tubérculo, explica o administrador.

A empresa já exporta fruta para mais de uma dezena de países, entre a Europa, países árabes, Brasil e Canadá, e pretende agora levar também a batata-doce para esses mercados. “Temos grande esperança de que este projeto ganhe dimensão”, afirma.
Para Filipe Ferreira, o crescimento é mesmo uma necessidade permanente. “As empresas precisam de continuar a crescer para sobreviverem”, resume.

A Janela Digital foi das empresas pioneiras no setor das tecnologias no concelho
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