
Mais de 30 gravuras, produzidas entre 1960 e 1991 através de várias técnicas e com uma grande diversidade temática e plástica, podem ser agora apreciadas em Óbidos. A mostra foi inaugurada no passado dia 1 de Agosto e as obras convivem agora paredes meias com as da artista obidense do século XVII, Josefa d’Óbidos.
O Museu Municipal esteve propositadamente fechado durante algum tempo para criar as condições necessárias para a instalação da exposição da mais internacional artista plástica portuguesa. “Aqui em Óbidos acolhemo-la muito bem” disse Ana Calçada, responsável pela rede de museus e galerias, numa referência feita por contraste com o tratamento que a artista teve no passado, ao perder a sua nacionalidade por ter-se casado com o pintor húngaro Arpad Szenes. A responsável destacou ainda o trabalho desta mulher que fez da “sua atitude artística a sua vida”.
Também a vereadora da cultura, Celeste Afonso, destacou a qualidade da exposição e a sua satisfação por esta poder ser visitada em Óbidos. “Era uma ambição que tínhamos e surgiu-nos assim no regaço, por isso muito obrigada à SIPO”, disse, destacando que para a acolher reservaram, desde logo, o local mais nobre da vila. “Vieira da Silva era uma mulher de cortes e rupturas, mas também de inícios de ciclos e de novidade, que vem marcar também um novo ciclo no museu de Óbidos”, acrescentou.
A autarca referiu ainda que este é um ano em que a vila assinala a força das mulheres, dando nota das mostras existentes e também ao facto desta edição do Mercado Medieval ser dedicada às rainhas.
E como a visita à mostra aumenta a vontade de conhecer mais a fundo o trabalho da artista, quem ali for tem depois a possibilidade de visitar, gratuitamente, o museu da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, situado na Praça das Amoreiras, em Lisboa.
A pianista e responsável pela SIPO, Manuela Gouveia, lembrou a estreita relação que a artista tinha com a pintura, mas também com a música. Aliás, a sua formação artística começou com o piano e só depois se dedicou ao desenho, pintura e escultura.
Maria Helena Vieira da Silva apreciava particularmente compositores como Bach, Mozart, Debussy, mas também os impressionistas que ligava à pintura. “E também Pierre Boulez [pianista e compositor] que teve muita influencia na sua pintura e vice-versa, pois também ele foi influenciado por Vieira da Silva para as suas composições”, concluiu Manuela Gouveia.





