A modernização da Linha do Oeste deve passar a ser uma prioridade política, defendeu o líder do grupo parlamentar do PSD, Miguel Macedo, que viajou de comboio entre Lisboa e Caldas, juntamente com outros deputados do seu partido, na manhã da passada segunda-feira.
O politico considera que se forem feitas as alterações que tornem este meio de transporte atractivo a nível de tempo, custo e conforto, o comboio poderá ser uma alternativa real ao carro, como acontece noutras zonas do pais.

A viagem que a CP proporciona desde a baixa lisboeta até às Caldas obriga a dois transbordos, o que significa que se tem de apanhar três composições.
“Duas horas e meia para fazer uma viagem destas é demais”, dizia o líder do grupo parlamentar do PSD, Miguel Macedo, que andou pela primeira vez na Linha do Oeste.
“É preciso fazer a modernização desta linha, tivemos que fazer duas mudanças de comboio e, de facto, não é uma alternativa ao transporte rodoviário”, admitiu o responsável aos jornalistas à saída da estação caldense.
À sua espera estavam também os deputados à Assembleia da República, Maria da Conceição Pereira, Paulo Santos, Pedro Marques e Pedro Moreira, assim como o presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa.
Miguel Macedo garantiu que o PSD irá chamar a atenção para que esta situação passe a ser prioridade de agenda política. Considera que são necessárias explicações para este adiamento sucessivo da intervenção a fazer, sobretudo quando “aparentemente o governo está muito lesto em fazer obras do TGV”. O líder do grupo parlamentar social-democrata disse mesmo que este é um país a duas velocidades – “a dos investimentos megalómanos do TGV, sobre os quais há muitas dúvidas se são ou não rentáveis, e esta situação que pudemos constatar”.
Em relação ao facto de terem chumbado as propostas do PCP para incluir verbas destinadas à requalificação da linha no Orçamento do Estado, o deputado justificou que tinham um acordo político com o PS para viabilizar o documento, tendo em conta a situação de emergência que o país vive.
“É preciso encontrar força política, orçamento e dinheiro para fazer o que é preciso”, disse agora Miguel Macedo, reconhecendo que, da forma como está, a linha não é viável. “Se forem feitas as alterações que tornem este meio de transporte atractivo do ponto de vista do tempo, do custo e conforto, não tenho dúvidas que passa a ser uma alternativa real ao carro, como acontece noutras zonas”, referiu.
O mesmo responsável chamou ainda a atenção para o facto dos estudos, que já foram feitos há bastante tempo, já deverem estar desactualizados.
Na comitiva vinha o deputado torriense Duarte Pacheco que desde há dois anos não utilizava este transporte. “Fiz muitas vezes o percurso de comboio para estudar e depois para trabalhar, mas nunca foi uma coisa que apaixonasse o utente”, disse, referindo-se ao tempo que demora a viagem. “Custa a acreditar que quando estamos na Malveira, e a 10 minutos da Calçada de Carriche, de repente vira-se para Sintra e passa a ser uma viagem turística…”, adiantou, referindo-se ao traçado sinuoso da linha do Oeste, que data do séc. XIX, e dá uma volta pelo Cacém antes de chegar a Lisboa.
Duarte Pacheco lembrou ainda que o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações do governo de Cavaco Silva, Ferreira do Amaral, tinha um projecto para esta linha que previa um corredor a sair da Malveira e directo a Loures.
“Agora não é alternativa ao transporte rodoviário, mas poderia ser”, admite o deputado social-democrata.
Fátima Ferreira
fferreira@gazetadascaldas.pt
Na estação do Rossio não se vendem bilhetes para as Caldas
Se o leitor for à estação do Rossio comprar um bilhete para as Caldas da Rainha, ouvirá, surpreso, que ali só lhe podem vender um bilhete para o Cacém ou para Meleças, devendo depois nessas estações comprar o bilhete para o resto da viagem.
Esta aberração escapou aos políticos que na terça-feira viajaram do Rossio para as Caldas porque os deputados não pagam bilhete (basta-lhes mostrar o cartão para viajarem à borla). Senão, os sociais-democratas teriam sido confrontados com mais esta peculiaridade da CP que insiste em maltratar os seus clientes.
Na época da globalização, em que as empresas, as pessoas e os mais variados organismos trabalham em rede, tirando partido das novas tecnologias, a CP faz exactamente o contrário e divide a sua actividade em “compartimentos estanques” que trabalham de costas voltadas entre si e de costas voltadas para o cliente.
O aventureiro que queira ir de comboio do Rossio para as Caldas viaja na CP Lisboa até Meleças (em dois comboios, com mudança no Cacém) e na CP Regional no resto do percurso. Por isso, é obrigado a comprar dois bilhetes.
Mas durante 140 anos, quando nas estações se trabalhava com candeeiros a petróleo e os bilhetes eram de cartão, podia-se naturalmente comprar um bilhete de qualquer origem para qualquer destino. Na época dos computadores, na CP tal não é possível.
O ex-presidente da empresa, Cardoso dos Reis, chegou a afiançar à Gazeta das Caldas que o Rossio teria bilheteiras universais (com venda para toda a rede), mas tal não aconteceu. O actual presidente, José Benoliel, deverá certamente ignorar o assunto, mas considera as unidades de negócio uma “forma avançada de gestão”.
C.C








