Quem chegou às Caldas de autocarro na manhã do passado domingo, deparou-se com um inesperado concerto, com quase meia centena de músicos de diferentes idades, no terminal rodoviário da cidade. Era a Banda de Alvorninha, que provou que também toca jazz. Quem viu, elogiou a iniciativa e pediu que se repita.
Nas cadeiras que foram instaladas no terminal foram colocados exemplares da Gazeta das Caldas com o suplemento dedicado ao festival de jazz da cidade. Quem chegava, sentava-se, pegava no jornal e ia folheando enquanto a banda ensaiava.
A começar, e brincando com as palavras, o maestro Renato Tomás começou por agradecer aos presentes “por embarcarem nesta viagem”, despedindo-se com um “até jazz”.
Desde os clássicos de Glenn Miller e Artie Show, passando por temas mais contemporâneos, os músicos, sob a batuta do maestro Renato Tomás, mostraram a sua versatilidade e terminaram com um arranjo swing da marcha “Alto Camarada!”.
Os solistas Vera Santos e João Salsedas (ambos professores na Academia de Música de Alcobaça, ela de clarinete, ele de saxofone) ajudaram à festa, que até levou alguns a dançar.
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Os próprios funcionários da Rodoviária salientaram que é diferente para melhor quando se trabalha ao som de música ao vivo.
O concerto foi muito elogiado pelos presentes. Carla Carvalho, do Olho Marinho, estava à espera do autocarro que trazia os filhos às Caldas quando se deparou com o concerto. “Foi por acaso e foi uma agradável surpresa”, referiu. Apesar de não ser o seu estilo de música preferido, gosta de ouvir jazz e não hesita em exclamar que a banda está aprovada. “Fiquei surpresa, porque não é muito usual uma banda filarmónica neste registo. Estão aprovados”, afirmou.
Carla Carvalho considera que este tipo de iniciativas deveria repetir-se mais vezes, uma opinião partilhada pelo caldense António Apolinário, também ele apanhado de surpresa. “Estava de passagem por aqui e acabei por ficar a ver. Acho que é uma boa iniciativa, é de louvar”, referiu. Também ele deu a sua aprovação à banda, confidenciando ter pena de não poder estar mais tempo.
Na plateia havia também vários estrangeiros. Falamos com Peter Rijsdijk, um holandês que vive em São Martinho do Porto e que não resistiu a uns passinhos de dança. “Somos assinantes da Gazeta das Caldas, vi lá que ia acontecer este concerto e decidi vir”, contou.
Há mais de 60 anos que gosta de jazz e considera que o concerto foi “fantástico, com muito boa música”. Destacou a marcha com arranjo swing como momento alto da actuação e concluiu que “deveria haver mais vezes, todas as semanas, por exemplo”.
Idades diferentes, unidas pela música
Ana Rodrigues, de 13 anos, faz parte da banda há quase dois anos e não achou difícil actuar no terminal. “Foi bom, acho que chamou a atenção das pessoas para ouvirem mais música”, referiu.
Sobre o reportório, diferente do habitual, disse que apesar de não tocarem habitualmente este estilo musical, “as músicas foram bem escolhidas por este concerto”.
Já Sandra Custódio, de 31 anos, faz parte desta banda há 22 anos. Numa análise ao concerto, descreveu-o como “diferente”, salientando o “ambiente acolhedor em que as pessoas iam passando e ouvindo”.
Sandra Custódio elogiou a acústica e referiu que “é sempre bom fazer coisas novas, que não são usuais”. A artista relevou ainda que a actuação é uma forma de “dar a conhecer a cultura da cidade a quem chega”.
Começam hoje os concertos internacionais
Hoje Salomão Soares apresenta-se em trio no CCC. Amanhã os SF Jazz Collective, um colectivo que junta oito músicos conceituados, sobem ao palco para tocar músicas de Miles Davis com novos arranjos.
A 1 de Novembro irá actuar Matt Chandler Trio e no dia seguinte a britânica Julia Biel. Alfa Mist Band (uma mistura de jazz com hip-hop e soul) encerra a edição deste ano do Caldas Nice Jazz.
No foyer do CCC haverá ainda uma venda de vinis e CD’s de jazz durante os concertos e provas de vinho.
No dia 27 há After Jazz na Toca da Onça, com os Irmãos Makossa. Dois dias depois os Veia (Elisa Rodrigues e Isabel Rato) fazem a sua estreia nacional no auditório da Casa da Música de Óbidos.
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