A escritora espanhola Brigida Gallego-Coin esteve em Óbidos a fazer uma residência literária no âmbito do projecto Vila Literária da Unesco. Autora de várias obras, que têm a mulher como personagem principal, Brigida Gallego-Coin está a preparar um romance histórico sobre Josefa d’Óbidos, que tem como cenário a vila medieval.
A obra será apresentada na próxima edição do Folio, que decorre de 27 de Setembro a 7 de Outubro.
“Era uma mulher emancipada, percursora na sociedade em que vivia”, conta a autora, acrescentando que esta emancipação poderá ser vista à luz do facto de ser uma pessoa com posses. Para além de Josefa d’Óbidos, no romance serão também abordadas histórias paralelas, onde aparecem rainhas ligadas a Óbidos, assim como referências a locais na região, como Alcobaça, Peniche e Nazaré. Na vila, a escritora contactou com as pessoas que lá moram e trabalham e participou nos eventos culturais.
A autora explica que as suas obras são uma “espécie de reclame”, ou guia de viagem para os leitores visitarem os locais onde a trama decorre.
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“Surpreendeu-me passar o arco [entrada na vila], foi uma sensação impressionante”, conta a autora, acrescentando a monumentalidade do património e o cuidado com a sua limpeza. Brigida Gallego-Coin já regressou a Granada com a informação que recolheu em Óbidos, mas acredita que durante a escrita do romance irão surgir-lhe dúvidas que a farão regressar à vila.
Os seus livros têm sido publicados em Espanha, por editoras espanholas, mas a escritora entende que este livro deveria também ser traduzido e editado em Portugal. À Gazeta das Caldas, a autora disse que escreve para fomentar o espirito curioso e que tenta fazê-lo de uma forma acessível para todos.
Brigida Gallego-Coin reconhece que o trabalho que tem pela frente é árduo, mas não se mostra preocupada. “Sou jornalista, estou habituada a lidar com o stress”, remata.
Em Março virá para Óbidos durante um mês um poeta granadino, no âmbito de um protocolo entre o município e a Fundação Garcia Lorca.
Celeste Afonso, directora executiva do projecto Óbidos Cidade Criativa da Literatura, gosta da escrita de Brigida Gallego-Coin e do seu trabalho, sobretudo com a obra “Juana la Loca – La Reina que nadie amó”. A responsável salienta que um dos objectivos da vila literária é que os escritores que façam residência em Óbidos possam editar os livros na sua língua, mas também ter a tradução em português.
Neste momento há apenas uma casa afecta à cidade criativa da literatura, mas estão a ser pensadas outras dentro da vila para o mesmo propósito. Recentemente a UNESCO elaborou uma lista com todas as residências das cidades criativas e Celeste Afonso acredita que após a publicação desse mapeamento haverá mais interesse por parte de escritores, pelo que será necessário aumentar estes espaços para dar resposta à procura.
A responsável explica que, ao contrário de outras cidades da literatura, que têm obras ou autores associados, Óbidos tornou-se cidade criativa da literatura com “uma dinâmica de lugar” criando uma rede de livrarias e promovendo eventos em torno da literatura.
Em 23 de Abril Óbidos vai acolher um encontro de todas as casas e fundações existentes no país ligadas aos escritores portugueses, a fim de promover um trabalho em rede.
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