
Municípios de Bombarral, Lourinhã, Óbidos, Peniche e Torres Vedras associam-se aos produtores para valorizar agricultura regional
Depois da Pêra Rocha do Oeste, Maçã de Alcobaça e vinhos certificados pela Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa, estão a ser dados os primeiros passos para a criação de uma marca coletiva para os hortícolas do Oeste. O arranque foi dado no passado dia 13, durante uma sessão pública convocada pela Câmara Municipal de Peniche, à qual se juntaram representantes dos municípios de Óbidos, Bombarral, Lourinhã e Torres Vedras e, ainda, muitos horticultores e Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste (AIHO).
O desafio foi assumido pelo vereador penichense Paulo Vitorino, que considera importante a criação de mais-valia económica para os produtores agrícolas da região, cuja produção de hortícolas representa uma componente muito importante da agricultura do concelho. As particularidades das couves, abóboras, cenouras, batatas e cebolas produzidas nesta zona destacam-se ao nível da qualidade, pelo que podem ser mais valorizadas no mercado.
“Estamos um pouco desorganizados e temos que ser todos nós, produtores e municípios, a fomentar este projecto”, defendeu o autarca. Os colegas Filipe Daniel (presidente de Óbidos), Bruno Santos (vereador do Bombarral), António Gomes (vice-presidente da Lourinhã) e Diogo Guia (vereador de Torres Vedras) aceitaram o repto e vão trilhar juntos este novo caminho para a agricultura regional.
Pelo mesmo diapasão afina o responsável do Departamento Agrícola da Horta Pronta – Hortas do Oeste, S. A. (Atouguia da Baleia), Humberto Bizarro, tendo na ocasião destacado que a diferenciação da produção e a sua valorização no mercado com a criação de uma marca regional, será uma importante mais-valia para o setor. “Iremos todos beneficiar, nomeadamente os agricultores, porque assim as estruturas comerciais terão mais condições para promover a venda dos produtos”, afiança o responsável.
A AIHO, por seu lado, manifestou disponibilidade para ser a ‘associação-chapéu’ deste projeto, tal como garantiu na reunião o presidente Sérgio Ferreira, também delegado regional do Oeste da CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal), que alertou os produtores agrícolas presentes para o enorme desafio que este processo representa para todos. “Precisamos de tempo e vontade”, avisou, porque “o processo é exigente” e obedece à criação de um caderno de encargos e da apresentação de uma candidatura junto do Ministério da Agricultura.
Quem também vê com bons olhos esta candidatura oestina é o vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, o ex-autarca José Bernardo Nunes, responsável pela pasta da Agricultura e Pescas. “A CCDR-LVT disponibiliza a sua abertura para a criação de uma região demarcada de produtos hortícolas do Oeste e tudo o que pudermos fazer para contribuir para esse desígnio, nomeadamente servirmos de ponte com todas as outras entidades públicas para ajudar a construir o processo”, prometeu o também produtor agrícola do Cadaval.
Neste encontro foi apresentado, como exemplo de sucesso, o percurso de 25 anos feito pela Associação dos Produtores da Maçã de Alcobaça e criador da marca ‘Maçã de Alcobaça’, tendo o presidente Jorge Soares sublinhado o reconhecimento que os mercados nacional e internacional deram a esta fileira frutícola. Outro exemplo de sucesso partilhado nesta sessão, que decorreu no Centro Cívico Intergeracional Professor Rogério Cação, foi a criação, há meio século, de uma marca coletiva francesa ‘Prince de Bretagne’, que é gerida por uma associação que agrupa várias cooperativas e é responsável pela certificação de quase centena e meia de frutas e legumes.











