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Vinhos de Lisboa – produção está a crescer há sete anos consecutivos

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A Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa (CVR), onde se inserem os vinhos oestinos, tem certificado a cada ano mais vinho. Os 16 milhões de garrafas (12 milhões de litros) em 2011, subiram para mais de 40 milhões de garrafas (30 milhões de litros) em 2017, num aumento contínuo e constante a uma média anual de 15%.
Num ano particularmente difícil para a vinha a nível mundial – por causa da seca -, Portugal aumentou a produção. Na região vitivinícola de Lisboa a humidade característica da região permitiu atenuar os efeitos da falta de chuva.

Num ano particularmente difícil para o sector do vinho, em que a produção mundial sofreu uma quebra de 8,2% Portugal aparece em contracorrente e consegue um aumento de 10%. O país produziu em 2017 cerca de 6,6 milhões de hectolitros. Destes, 64% foram vinhos tintos, 30% brancos e 6% rosados.
Os grandes produtores tradicionais de vinho, Espanha, França e Itália, sofreram reduções de 15%, 19% e 23% respectivamente. Na Europa, além de Portugal, apenas a Roménia, Hungria e Áustria conseguiram registar aumentos.
Para esta performance nacional muito contribuíram os vinhos de Lisboa, onde se incluem os oestinos. Em 2017 a CVR certificou cerca de 40,5 milhões de garrafas, conseguindo mais que duplicar os 16 milhões que eram certificados em 2011. O aumento tem sido, em média, de 15% ao ano. A exportação ronda os 70% para 50 países.
Esta é a quinta maior região do país, com 10% do total da área vitícola. São cerca de 20 mil hectares onde são produzidos vinhos com duas indicações geográficas (regional de Lisboa e regional de Lisboa leve) e nove denominações de origem controlada (DOC).
Entre as DOC, Torres Vedras e Alenquer são quem mais produz na região, com 200 mil e 900 mil garrafas, respectivamente. A primeira multiplicou as 34 mil garrafas certificadas em 2016 por seis, a segunda aumentou 24% este ano. Juntas produziram praticamente três quartos dos 1,5 milhões de garrafas de vinho DOC.
Após uma candidatura conjunto, estas duas cidades foram designadas Cidade Europeia do Vinho e vão em 2018 receber o simpósio trienal das regiões Tejo, Setúbal e Lisboa com a Sociedade de Ciências Agrárias de Portugal.
Mas na região de Lisboa, responsável por 20% da produção nacional, há também vinhos DOC históricos, como é o caso do Encostas d’Aire, Carcavelos, Colares e Bucelas e uma das três aguardentes DOC no mundo – a da Lourinhã (ou Lourinhac, como é conhecida por causa do Cognac e do Armagnac).

ÓBIDOS CERTIFICOU MENOS VINHO

Óbidos e Lourinhã foram as únicas DOC de Lisboa onde se certificaram menos garrafas este ano do que no anterior. Se na aguardente a quebra não chegou aos 4%, em Óbidos a redução foi bem mais acentuada, atingindo os 37% (60 mil garrafas de vinho a menos).
Além dos vinhos de Denominação de Origem Controlada existem os regionais, que são o grosso da produção lisboeta. Este ano foram 39 milhões de garrafas, sendo que o vinho leve (que tem grande incidência na faixa entre o oceano Atlântico e a Serra de Montejunto, onde se incluem as zonas do Cadaval e Bombarral) ultrapassou os três milhões de garrafas certificadas.
Estes foram alguns dados revelados numa conferência para discutir os desafios do crescimento que se colocam aos vinhos de Lisboa. A sessão teve lugar no dia 1 de Fevereiro em Torres Vedras e foi organizada pelo grupo editorial Vida Económica, detentor do jornal com o mesmo título. Ali se traçou um retrato do sector, abordando a história e o caminho a seguir.
O TERCEIRO PAÍS COM MAIS CASTAS

Portugal é o terceiro país do mundo com mais castas. São cerca de 250 variedades. Apenas Itália, com 453 castas, e a Geórgia, com 520, têm mais castas do que Portugal. Além disso, e segundo Maria João Fernão-Pires, do Instituto da Vinha e do Vinho, as “castas ibéricas derivam mesmo dos seus antepassados e não vieram do Médio Oriente”, como acontece com as italianas e as britânicas.
“Esta informação é, para Portugal, uma vantagem comercial e uma especificidade única e distinta” afirmou Maria Fernão-Pires, notando, ainda assim, que 89% do território vitícola está plantado com apenas 34 castas: 18 tintas (duas delas internacionais) e 16 brancas.
Já Luís Aniceto, da Adega Cooperativa de São Mamede da Ventosa (que exporta 90% dos 45 milhões de litros de vinho que produz) criticou a política do programa Vitis por este proibir “duas ou três castas internacionais que têm bom acolhimento na região e deviam fazer parte da lista das que recebem apoios ou hierarquização a nível da análise”.
No final houve uma mesa redonda com representantes de diferentes players do mercado na região: Quinta de S. Sebastião, Adega Regional de Colares, Casa Santos Lima, Quinta Monte d’Oiro, Quinta da Chocapalha e DFJ Vinhos. Todos concordaram na dificuldade – e também na necessidade – de dar a conhecer o vinho português no estrangeiro.

 

Aumentar o preço nas exportações

Gazeta das Caldas
O encontro, que se realizou em Torres Vedras, juntou vários players do sector vitivinícola. Todos concordaram na necessidade de aumentar o preço do vinho destinado à exportação. | Isaque Vicente

Numa tarde em que se debatia o futuro do sector e os desafios na região, Jorge Monteiro, da ViniPortugal, defendeu que o futuro passa por “subir o preço médio das exportações”. Em 2017 Portugal foi o 8º país que mais vinho exportou, mas não entra no top10 de produtores (onde se juntou a China).
[showhide]Em termos de preço médio por litro, Portugal foi o sétimo país que mais recebeu: 3,51 dólares, um valor 1,14 dólares acima do que recebe a Espanha, mas longe dos 6,06 dos Estados Unidos, dos 5,82 da Nova Zelândia e dos 5,51 de França. “Por vender mais caro que a Espanha, Chile e África do Sul, não quer dizer que os portugueses ganhem mais”, salientou Jorge Monteiro. De facto, o rendimento bruto por hectare é mais baixo em Portugal  do que em qualquer um daqueles países, sendo até um dos mais baixos entre os exportadores de vinhos.
Indissociável do rendimento é a produtividade por hectare. Em Espanha, de cada hectare saem 931 hectolitros de vinho, em Itália 673, mas em Portugal apenas 200, um valor próximo do Chile e da Argentina, mas bem acima, por exemplo, de África do Sul (99) e da Nova Zelândia (39).
Daí que Jorge Monteiro defenda um aumento do preço médio das exportações, até porque mercados como os Estados Unidos, Canadá, Japão, Suíça e Coreia do Sul “estão disponíveis para pagar mais pelo nosso produto”.
Além disso, defende que no caminho para o sucesso é necessário adaptar a oferta às expectativas do mercado. Por exemplo, na China vende-se sobretudo tinto porque acreditam que é mais saudável, em Angola associa-se grau a qualidade, nos países nórdicos vendem-se os vinhos biológicos, na Noruega impera o bag-in-box por questões ambientais e na Polónia gostam do vinho com mais açúcar.
Por outro lado, é preciso ter uma oferta variada nos três eixos (tipo/cor, segmento e origem), fazendo, quando necessário, parcerias para tal. É importante criar grandes marcas, até porque apenas existem duas ou três a nível nacional. O caminho para o futuro passa por “não assentar a competitividade nos baixos preços”, mas sim por optimizar os custos.
Quem também defendeu a ideia de subir o preço das exportações foi António Ventura, da Provintage, que deu o exemplo de Itália, cujos vinhos têm grande fama, como argumento. “Acredito que os nossos vinhos são melhores”, defendeu, notando que falta apenas que estes ganhem reputação.

PORTUGAL E VINHO: UMA HISTÓRIA CRUZADA

O vinho é uma tradição milenar na Península Ibérica. Em Portugal os primeiros escritos remontam ao século XII, tendo esta arte sido aperfeiçoada pelos romanos e, mais tarde, pelas ordens religiosas.
Em 1870 existiam 200 mil hectares de vinha, mas a filoxera e outras doenças dizimaram campos e desincentivaram produtores. O sector recompôs-se e chegou aos 340 mil hectares na década de 30 do século XX.
O Estado Novo (com a política cerealífera) e as grandes guerras foram um novo revés ao vinho em Portugal, que acabaria por conhecer o seu pico máximo de produção na década de 60, com as cooperativas então criadas a terem um papel relevante, que ainda hoje se mantém (em 2017 os 2,3 milhões de hectolitros produzidos nas cooperativas representam 38% do total nacional).
Nos anos 80 viveu-se também neste sector a euforia da entrada de dinheiros comunitários a fundos perdidos. “Fizeram-se adegas por todo o lado, muitas bem apetrechadas e com muita tecnologia, mas desadequadas às realidades”, disse António Ventura. Reconhecendo que “houve muito dinheiro mal gasto”, salientou que “esses fundos foram a gasolina para a revolução silenciosa no sector, que se fez com sucesso”.
Daí até ao início do milénio muitas adegas iam fechando e muitas outras definhavam, a produção nacional caía ano após ano. Até que a viragem do milénio trouxe a estabilidade ao sector.
Actualmente o país tem 193 mil hectares de vinha espalhados em 580 mil parcelas que estão na mão de 150 mil exploradores. E esse é também um problema: o espartilhamento dos terrenos.

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Edição #5625

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