Uma das competências a que tenho procurado estar atenta é a sincronicidade. Apesar de poder parecer um conceito distante da ciência ou da prática empresarial, ou até da gestão de recursos humanos, a sincronicidade é um tema fundamentado e que acrescenta valor ao trabalho e desenvolvimento nestas áreas. Como refere Carlos Carreira, “muitas destas competências, tendemos a designá-las genericamente por intuição, mas são muito mais do que isso, são respostas precisas e inteligentes a problemas de evolução e de sobrevivência específicos.”
A sincronicidade pode ser entendida como a capacidade de estar, num dado momento, atualizado quanto ao nosso cenário. Ou seja, se por um lado implica ser capaz de manter uma visão macro de si próprio, da sua situação, da sua realidade, simultaneamente a sincronicidade implica ser capaz de estar atento e identificar os detalhes de cada área em que seja possível e adequada a ação da nossa parte. Ter essa consciência e conhecimento, entender as ocorrências e manifestações que surgem na nossa realidade, mantermo-nos ligados a essa perceção, fazer o seguimento, manter o ritmo adequado, procurar descobrir qual a melhor oferta de respostas e manifestações da nossa parte – não reagir, antes atuar. Tudo isso são ferramentas que fazem parte do treino de sincronicidade e permitem uma melhor gestão e liderança, bem como a obtenção de melhores resultados.
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Viver em sincronicidade e exercita-la é em parte semelhante à noção de estratégia, À noção de liderar. É um exercício constante, sem termo, que significa estar atento e atuar – não atuar porque simplesmente se quer, mas atuar em conformidade (diferente de conformismo). A expressão “ser o melhor ser que posso ser”, original do coaching ontológico, tem um grande cabimento aqui. Esta dimensão sublime da ação é exercitada, não faz parte de qualquer manual. Exige um exercício no domínio da escuta, da capacidade de leitura de sinais presentes nos outros e no âmbito dos seus respetivos cenários. E é aqui que a pragmática da comunicação humana, de Watzlavik, faz todo o sentido. Não só é impossível comunicar, como o silêncio pode ter um imenso conteúdo. À parte a semântica e a sintaxe, o estudo da pragmática da comunicação humana é um auxiliar essencial para quem pretende acompanhar os temas ligados à gestão de pessoas e à coordenação de equipas. Também, para quem gere um negócio e precisa (quer) ser capaz de entender onde e quais são as suas oportunidades. A sincronicidade, o estar em sincronicidade produz um efeito imediato: passamos a ver o que dantes não víamos e ficamos certamente mais atentos aos ângulos cegos que existem – sempre – num desafio tão grande como os identificados.
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Mara Castro Correia
Especialista em Psicologia do Trabalho e das Organizações
maracastrocorreia@gmail.com
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