
O que este livro nos revela são poemas breves, concisos, sintéticos, capazes de perguntar («Como será a infância do poeta?») mas também de afirmar «Já sabeis de nós num tempo posterior a nós escrevendo» ou então «A poesia tem de deixar esfacelado quem lê».
O poema oscila entre a Natureza e a Cultura. Vejamos primeiro a Natureza: «Vêm os gansos numa correria» / «As primeiras chuvas caem». Depois a Cultura: «Em teclado negro o piano enobrece» / «Relembra os pedais do piano». Num mundo onde tudo é diferente, há coisas que permanecem iguais, situações que se repetem no mundo vegetal e no mundo animal: «E dão uvas as videiras» / «Entendem-se os estorninhos uns com os outros».
Um dos poemas finais surge como metáfora da vida e do futuro, ao juntar a água e a criança: «A água alaga o campo do filme / com uma criança a olhar o céu».
(Editora: Licorne, Paginação: Egora Lda)







