
Em relação à literatura nordestina Manuel G. Simões refere: «A seca impôs três destinos, três saídas para o Nordestino: ou se lança no crime e se torna cangaceiro, ou emigra pacificamente (o chamado retirante) ou então procura em práticas supersticiosas (misticismo) aplacar a fúria de Deus e termina matando em nome de Deus».
Uma breve nota para destacar o texto de MGS sobre Carlos Drummond de Andrade, a relação entre memória e escrita, entre vida e poesia. Por um lado em «A rosa do Povo» o poeta avisa («Não faças versos sobre acontecimentos») mas já em «Sentimento do Mundo» afirma: «Tive ouro, tive gado, tive fazendas / Hoje sou funcionário público / Itabira é apenas uma fotografia na parede / Mas como dói!». O poeta é o que diz – «Não sei fazer visita / e dizer as amenas / frases que toda a gente / traz no bolso da calça» – mas também o que pergunta: «E agora, José? / A festa acabou / a luz apagou / o povo sumiu / a noite esfriou / e agora, José?».
Livro de quatro países, dois continentes e várias vozes, este volume de MGS é um irresistível convite à leitura.
(Editora: Edições Colibri, Editor: Fernando Mão de Ferro)
José do Carmo Francisco







