
O livro abre com «Ora agora digo eu»: «Do muito que há para dizer / O que mais custa é pensar / Tudo o que pode esquecer / Quando nos queremos lembrar / Um faz de conta que sabe / Outro, que anda esquecido / Que na ignorância tudo cabe / Quer achado, quer perdido / Digam lá, por este andar / Os sábios, a cada instante / Quem gosta, pois, de passar / Na vida por ignorante? / Se assim não fosse, jamais / Se diria por agora / Que o saber nunca é de mais / Quando tanto se ignora».
As ilustrações de Maria João Lopes acompanham em termos gráficos a delicadeza, o humor e a ternura dos textos escritos. Mas só vendo o livro. Para dar uma ideia vejamos o caso do burro: «Por dá cá / aquela palha / foi um burro / a tribunal / por ter dito: / «Só é burro / quem trabalha / em Portugal!» /À barra / da Boa Hora / foi-lhe então / lida a sentença: / «Terá pensão / vitalícia./ Trabalhar / é uma doença.» Ou então a adivinha das sopas de cavalo cansado: «Que nome é que se há-de dar / Às sopas recomendadas / A quem não quer trabalhar / Por razões mal explicadas?»
Fiquemos com a quinta quadra do poema inicial, uma espécie de «moral da história» que se sintetiza na expressão «o saber não ocupa lugar»: «Digam lá o que disserem / Os sábios a cada instante / São mais os que aprender querem / Que quem quer ser ignorante»
(Editora: Planeta Manuscrito, Ilustrações e Capa: Maria João Lopes, Colecção: Planeta Júnior)





