
O ponto de partida do livro é uma conversa entre sogro e genro: «Desconfie de esposa amável, de esposa cordial, gentil. A virtude é triste, azeda e neurasténica». Noutra conversa com outros protagonistas a advertência é parecida: «Num casamento o importante não é a esposa, é a sogra. Uma esposa limita-se a repetir as qualidades e os defeitos da própria mãe». Neste universo de advertências, o beijo é perigoso: «Tudo o que acontece de ruim entre um homem e uma mulher, começa num beijo!» Não admira que surjam traições nestas páginas: «Regina compreendeu que certas esposas precisam trair para não apodrecer». Sem esquecer uma frase forte de uma mulher que se matou noutra história: «As mortas não traem».
Um aspecto discutível é a não existência de um glossário com as palavras cujo sentido o leitor português não conhece: acuada, abacaxi, amola, às pampas, araque, bate-bocas, bucho, bola, biruta, bobagem, boca-de-siri, besta, batata, boteco, bagulho, barbada, bode, coriza, calcinha, carambolas, cédulas, cochilando, costume, chamego, chope, camisola, chispa, chiquê, chover canivete, dengues, droga, descartado, dente de coelho, desquitado, de piteira, entrar de sola, estrepe, espeto, esbaldando, espinhas, flerte, faixa, fez quarto, gentinha, gude, isola, jacaré, lelé, lotação, mico de circo, mancada, meio-frio, melodia, ojeriza, outros bichos, ônibus, pipocas, poste, papai, peso, passa-fora, papagaio, pão duro, papel, pílulas, periquito, pau, rachar, sinuca, sopa, zebu e zebra. Sem esquecer as diferenças de escrita como «embaixo» por em baixo, «demais» por demais e «malcontada» por mal contada.
(Editora: Tinta- da- China, Selecção e prefácio: Abel Barros Baptista, Capa: Vera Tavares, Apoio: Ministério da Cultura/Fundação Biblioteca Nacional – Brasil)





