
Teresa Lemos
Coordenadora do GEOTA
Bem perto de Caldas da Rainha encontram-se duas zonas húmidas permanentes: uma de água doce, o Paul de Tornada, e uma de água salgada, a Lagoa de Óbidos. E ambas classificadas como Sítio Ramsar. Uma honra, mas também uma responsabilidade para toda a região.
A 2 de fevereiro de 1971, na cidade iraniana de Ramsar, foi adotado um tratado intergovernamental com o objetivo de estabelecer um quadro de cooperação internacional para a conservação e o uso sustentável das zonas húmidas. Conhecido como Convenção Ramsar, adotou um sistema de classificação das zonas húmidas e estabeleceu um conjunto de critérios para designar zonas húmidas de importância internacional. As áreas designadas, como o Paul de Tornada e a Lagoa de Óbidos, são reconhecidas pelo seu contributo e importância para a conservação da biodiversidade a nível global.
As zonas húmidas são dos ecossistemas mais produtivos do mundo e fornecem água e alimentos a inúmeras espécies de plantas e animais, garantindo a sua sobrevivência. Apesar de cobrirem apenas 6% da superfície terrestre do planeta, calcula-se que sejam o local para aproximadamente 40% de todas as espécies de plantas e animais viverem e/ou reproduzirem.
Para os seres humanos são fundamentais para o fornecimento de água doce, alimentos, controle de cheias, recarga de águas subterrâneas e mitigação das alterações climáticas. No entanto, apesar da sua importância para a nossa sobrevivência, as zonas húmidas são dos ecossistemas mais ameaçados do mundo. De acordo com a Convenção Ramsar, 64% das zonas húmidas desapareceram desde o início do século passado. As principais causas são atividades humanas como as atividades agrícolas, a extração excessiva de água, o desenvolvimento urbano e a poluição das águas, nomeadamente com quantidades excessivas de nutrientes e pesticidas.
Cabe a todos nós, cidadãos, empresas, autarquias, zelar pelos nossos valores. Podemos escolher modos de vida mais sustentáveis, poupar água e tomar medidas para reduzir a poluição das nossas águas. Podemos estar atentos e vigilantes às ameaças enfrentadas pelas “nossas” zonas húmidas, protegendo, capacitando e promovendo a integração da conservação das zonas húmidas nas agendas ambientais de todas as entidades.









