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Governo falha prazo para as dragagens da Lagoa de Óbidos

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O início da segunda fase de dragagens na Lagoa de Óbidos, anunciada para o último trimestre de 2017, não se irá concretizar pois só agora estão a ser preparados os projectos para aquela obra. Está previsto que a abertura do concurso público internacional só aconteça no fim deste ano e que as dragagens só comecem depois do Verão de 2018. Um dos aspectos técnicos que atrasou este processo é a definição dos locais para a deposição dos dragados.
Esta intervenção tem um custo estimado de 16,7 milhões de euros, apoiado por fundos comunitários e prevê a dragagem de 850 mil metros cúbicos de sedimentos dos braços da Lagoa. Entretanto, as dragagens que foram realizadas no ano passado – no valor de 6,5 milhões de euros – estão a perder parte da sua eficácia uma vez que não se lhes seguiu a segunda fase. É fácil ver na maré baixa que praticamente desapareceu o canal que então foi dragado.

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Há um ano o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Nuno Lacasta, anunciava na reunião pública da Comissão de Acompanhamento da lagoa que a segunda fase de dragagens na Lagoa de Óbidos, nos braços da Barrosa e do Bom Sucesso, deveria ter início em Outubro de 2017. No entanto, um ano depois dessa reunião, apenas existe a informação de que estão a ser preparados os projectos para o concurso internacional.
O presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira disse à Gazeta das Caldas que a APA lhe transmitiu que no final do ano haverá condições para abrir o concurso e que a obra deverá ter início em 2018, “provavelmente depois do Verão”.
O autarca diz estar preocupado com este atraso na calendarização e realça que a intervenção devia ter ocorrido logo em sequência à primeira fase. Na sua opinião, a intervenção nos braços da Barrosa e do Bom Sucesso deveria ter sido a primeira a ser efectuada, mas como já estavam feitos os estudos para as dragagens junto ao mar, acabou por aceitar a intervenção.
A explicação avançada pela APA ao autarca para a demora da execução dos projectos está relacionada com a colocação de dragados e o seu transporte. Também não estão ainda inteiramente definidos os locais de depósito definitivo dos resíduos a retirar do corpo da lagoa.
Esta intervenção tem um custo estimado de 16,7 milhões de euros, apoiado por fundos comunitários e prevê a dragagem de 850 mil metros cúbicos, que incidirão sobre o canal central, um canal no braço do Bom Sucesso e outro na Barrosa, assim como de duas bacias: uma junto à Foz do Rio Real e outra junto ao Braço da Barrosa. Está prevista também a valorização da zona a montante do Rio Real numa área de 78 hectares, que no passado foi já utilizada para a deposição de dragados.
Os trabalhos a realizar pretendem aumentar a quantidade e qualidade de água armazenada na Lagoa, evitar o isolamento dos braços da Barrosa e Bom Sucesso e contrariar a progressão da Foz do Rio Real, onde se tem acumulado os sedimentos.
Este ano a ligação da lagoa ao mar ainda não fechou nem houve atravessamento da água por cima das dunas, levando areia para a lagoa. “A APA diz que não se perde o trabalho feito na primeira fase”, disse Tinta Ferreira, acrescentando que tem insistido junto daquele organismo para que sejam céleres. O autarca, tal como o seu homólogo de Óbidos, está a aguardar pela marcação de uma nova reunião com a APA.
Também Humberto Marques, presidente da Câmara de Óbidos, diz estar preocupado com o atraso na intervenção. “Nas últimas três semanas tive duas reuniões na APA”, disse o autarca, acrescentando que lhe foi transmitido que têm um mês para adjudicar a alteração dos projectos de execução.
Na última reunião da Assembleia de Freguesia da Foz do Arelho, o seu presidente, Fernando Sousa, disse que já não acreditava nas dragagens para este ano e que estranhava que ninguém se movimentasse para protestar contra isso. Recordou que ele próprio foi um dos impulsionadores do movimento que levou a espetar cruzes na lagoa para exigir as dragagens e até deixou no ar que “a partir de Outubro [pós autárquicas] volte a haver qualquer coisa do mesmo género”.
Fernando Sousa disse ainda que “a reunião de acompanhamento era para ter sido em Janeiro ou Fevereiro, mas nada. É de lamentar. Não se sabe onde anda o senhor presidente da APA”.

APA NÃO RESPONDE  

Desde Fevereiro deste ano que a Gazeta das Caldas tem contactado várias vezes a APA com perguntas sobre a calendarização das dragagens e quais os motivos para os atrasos que agora se confirmam, mas nunca obteve resposta.

 

 

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Edição #5625

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