

Perto das 11h30 os manifestantes chegavam junto da dependência do Novo Banco da Praça 25 de Abril que, nessa manhã, não abriu as suas portas. Munidos de cartazes e num protesto bastante ruidoso, cerca de meia centena de clientes que subscreveram papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES) aos balcões do BES pediam a devolução das suas poupanças, enquanto desferiam murros nas janelas do imóvel. “Queremos o nosso dinheiro” era a frase mais ouvida pelos manifestantes que vieram de vários locais da região centro para se concentrar nas Caldas. Ao mesmo tempo decorriam manifestações em Lisboa e no Porto.
“Reivindicamos o papel comercial que nos devem, estamos a pedir aquilo que subscrevemos com garantia BES”, explicou Jorge Pires, da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC).
E, apesar da posição da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) defendendo que o Novo Banco é responsável por reembolsar o papel comercial do Grupo Espírito Santo colocado em clientes de retalho, os lesados garantem que irão continuar a manifestar-se “todas as semanas” até serem ressarcidos.
A escolha das Caldas prendeu-se com o facto de nesta zona existirem “perto de 50 prejudicados” e ser a que se “nos afigurava mais viável dado a grandeza da cidade para fazermos uma manifestação pública”, disse o responsável. No país deverão existir cerca de 2500 lesados e a associação já conta com quase mil inscritos. “Estão-se a inscrever a uma média de 10 pessoas por dia”, refere Jorge Pires, de Minde.
Ana Cláudia Henriques, das Caldas da Rainha, foi uma das lesadas e uma das participantes mais activas nesta manifestação. À Gazeta das Caldas contou que quando depositou o seu dinheiro estava confiante que se “tratava de um depósito a prazo, com capital e juros garantidos”, realçando que o seu gestor de conta lhe garantiu isso mesmo. Investiu em papel comercial as suas poupanças e as dos sogros, escusando-se a revelar o montante. “Neste momento tenho necessidade do dinheiro porque tenho os meus pais e sogra ao meu encargo e um filho a estudar”, disse, acrescentando que não irá parar até o dinheiro lhe ser restituído.
Da Martingança (Alcobaça) veio Irene Vieira, juntamente com o marido. Já antes tinha ido a uma manifestação a Lisboa e também ela diz que vão continuar a protestar até que os 200 mil euros investidos em papel comercial lhe sejam devolvidos. “Tive sempre uma vida muito dura a trabalhar na restauração e o meu marido foi depositar o dinheiro no BES da Marinha Grande confiando na gestora de conta e fomos enganados”, relatou. Irene Vieira acrescenta que agora precisa de ser operada ao joelho e, como não tem vaga nos hospitais públicos, precisa do dinheiro para pagar a operação num privado.
Arremesso de ovos e ruas cortadas
A manifestação nas Caldas ficou ainda marcada pelo arremesso de ovos contra as janelas da agência e o corte da rua (Avenida 1º de Maio) ao trânsito durante cerca de 15 minutos. O protesto viria a estender-se até meio dessa avenida, com os manifestantes a fazerem ainda parar uma carrinha de valores que ali circulava.
Depois, sempre acompanhados pela PSP, foram pela Rua da Estação (que foi fechada ao trânsito) até à dependência do Novo Banco junto à Fonte Luminosa, também ela fechada, embora com os funcionários no seu interior. Voltaram a manifestar a sua indignação e, minutos depois, cortaram o trânsito na rotunda da Fonte Luminosa, colocando faixas e com alguns dos manifestantes a sentarem-se no meio da via.
Já passava das 14h00 quando voltaram para o centro da cidade, percorrendo as ruas Professor Abílio Moniz Barreto, 31 de Janeiro, Heróis da Grande Guerra, desceram à rainha e subiram a Rua General Queirós até à Praça da Fruta. O protesto viria a terminar na Rua das Montras, com um agradecimento à PSP, que os acompanhou durante todo o percurso, e a garantia que a luta irá continuar.





