
Proposta inspira-se no legado para avançar com um futuro diferente para os imóveis que estão concessionados à Visabeira para hotel
O LIVRE defende que os Pavilhões se possam transformar na Casa da Criação do concelho, devolvendo aquele espaço aos caldenses. A proposta, avançada pelo Núcleo Territorial de Leiria do Partido LIVRE, surge na sequência das recentes notícias sobre o levantamento da licença de construção do hotel de 5 estrelas nos Pavilhões do Parque D. Carlos I e porque a “procura de soluções para concretização deste projeto reflete uma visão, por parte do executivo, de cada vez menos cidade para as pessoas”. O facto de ainda não haver uma solução concreta apresentada pela Visabeira, nem uma estimativa dos valores atuais da obra, leva o LIVRE a avançar com uma proposta para aquele património que, entendem, “deveria estar ao serviço dos caldenses”.
O partido cita o historiador caldense João Bonifácio Serra, que descreveu os Pavilhões do Parque D. Carlos I, dizendo que “se há edifício polissémico na cidade é este, albergando inúmeras instituições, centrais e locais, associativas e particulares, ao longo dos seus cento e vinte e três anos de existência. Dispensou instalações a militares e a polícias, recebeu refugiados boers e prisioneiros da Grande Guerra, acolheu livros, estudantes e professores – foi biblioteca, liceu, escola politécnica –, foi palco de teatro, dança e música, academia, galeria de artes plásticas, local de treinos e torneios desportivos. Um número infindável de atividades, distribuídas por um leque muito diversificado de áreas, ali se instalou, realizou, criou. Gerações e gerações de caldenses frequentaram os Pavilhões do Parque, neles trabalharam, cantaram, ensinaram e aprenderam, cresceram, fundaram relações”.
Consideram que a autarquia tem uma visão “comercial e privada” para um edifício marcado pelo serviço e utilidade pública ao longo da sua existência, tendo sido biblioteca, teatro, dança, música, academia, galeria, liceu e escola politécnica. E é nesse legado que o LIVRE se inspira ao propor um futuro diferente para os imóveis, com a Casa da Criação. “Transformar os pavilhões numa Casa da Criação é devolver o espaço à comunidade caldense após décadas de portas fechadas e entregue ao abandono”, dizem, acrescentando que a estrutura que defendem deve ser um espaço diverso que sirva as pessoas em todas as etapas de criação e fruição de cultura, com museus e galerias comunitárias, palcos, mediatecas, “Bibliotecas de Coisas”, espaços de atelier e estúdios.
“Uma Casa da Criação transforma a cidade num polo criativo, atraindo consumidores, artistas, investidores e alterando a dinâmica da cidade”, justifica o Núcleo Territorial de Leiria do Partido LIVRE, defendendo que, desta forma, “Caldas da Rainha tornar-se-ia num farol da cultura, mas, mais do que isso, seria um modelo de cidade viva e ativa”.











