
Pimpões têm casa de banho adaptada, mas só está acessível através de umas escadas
Os Pimpões, nas Caldas, não têm uma casa de banho adaptada para pessoas com mobilidade reduzida… acessível. O equipamento até existe, só que num piso inferior, obrigando a descer umas escadas. Os planos, há vários anos, eram da colocação de um elevador, mas tal nunca chegou a acontecer.
Este facto levou à ocorrência de um episódio, no mínimo desagradável, em maio do último ano.
No dia 17 desse mês, o auditório da instituição recebia o espetáculo “Acesso Restrito”, do humorista André do Karaté.
Rafael Oliveira, do Cadaval, logo em janeiro, mandou um e-mail a informar-se das condições da sala para receber pessoas com mobilidade reduzida.
Diz que lhe responderam de imediato e com muita simpatia, garantindo as condições e até referindo que, caso encontrasse dificuldade no acesso ao espaço, a equipa ajudaria. Assim, decidiu comprar bilhete e vir às Caldas ver stand up comedy. Só que o que acabou por acontecer não teve graça nenhuma.
“Antes do espetáculo, já no hall de entrada, tive vontade de ir à casa de banho”, conta. Foi ao café e “O tamanho das portas não permite a entrada de uma cadeira de rodas”, prossegue.
Depois de algum constrangimento, conta, foi encaminhado por uma pessoa d’Os Pimpões para uma sala de arrumos onde lhe terão dito para urinar para um balde de lavar o chão, numa situação indigna.
Rafael Oliveira salienta a falta de condições de segurança ou higiene. “Corri sérios riscos de cair da cadeira”, nota, acrescentando que quando saiu dessa sala se sentiu “humilhado” e “incomodado com toda aquela situação, todas aquelas pessoas a olhar para mim, a segredar sobre o sucedido, a indignação foi geral”.
Aquele “é um edifício que recebe espetáculos e que tem um café aberto”, faz notar o cadavalense, questionando como tal é possível.
Rafael Oliveira destaca, ainda assim, o papel do artista e produtora, que não tinham conhecimento da situação e que lhe devolveram o valor do bilhete. “O artista não teve culpa nenhuma”, frisa, afirmando que fez “queixa aos Pimpões, à Câmara das Caldas e no Livro de Reclamações Eletrónico”.
Da autarquia ter-lhe-ão dito que iriam apurar os factos e assegurar que seriam adotadas as correções necessárias. Dos Pimpões pediram-lhe desculpa e explicaram que “o COVID, não sendo desculpa, implicou o encerramento da nossa piscina e uma diminuição da utilização do nosso auditório para espetáculos” e que “este ano houve um aumento súbito de utilização e não foram feitas, atempadamente, as previstas obras nas casas de banho, que iríamos incluir nas obras que vamos realizar no auditório”.
Acrescentavam ainda que “esta situação veio alertar-nos para a nossa falha e as obras nas casas de banho irão ser realizadas o mais rapidamente possível”.
Só que agora, cerca de dez meses depois, foi anunciado um novo espetáculo para aquele local e Rafael Oliveira queria ir ver, mas… está tudo na mesma, o que o leva a ter que decidir não ir.
À Gazeta das Caldas, a presidente da direção d’Os Pimpões, Susana Chust, explicou que estava presente nesse dia e admite que “não foi uma solução muito digna”, mas foi a possível e acrescentando que pediram várias vezes desculpas à pessoa em causa.
A mesma responsável esclareceu que nas últimas obras que foram feitas, há largos anos e que incluíram os novos balneários, foi criada a tal casa-de-banho adaptada a pessoas com mobilidade reduzida, mas, por falta de verbas, o elevador nas escadas nunca foi colocado.
“Tinha custos muito elevados”, recorda, notando que “a associação passou uma fase complicada” em termos financeiros e depois veio a pandemia “e as coisas foram-se atrasando”.
Atualmente “já temos os materiais para as obras comprados”, garantiu, mas explicando que os trabalhos ainda não se iniciaram e só deverão estar prontos para abril ou maio.












