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Só há uma freguesia nas Caldas e Óbidos sem caixa multibanco

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Carvalhal Benfeito é a única freguesia destes dois concelhos que não está servida por este tipo de equipamento criado há 40 anos

Foi em 1985 que foi criada, em Portugal, a caixa multibanco. Arrancou com apenas nove caixas em Lisboa e no Porto, mas estava dado o pontapé de saída naquela que seria uma revolução na forma como lidamos com o dinheiro. Hoje, 40 anos depois de começarem a funcionar no Banco Nacional Ultramarino na capital (no Rossio) e no Porto no Banco Borges e Irmão, na Rua Bonjardim, existem mais de 12 mil caixas a nível nacional e permitem realizar cerca de 90 operações financeiras e não financeiras, que vão muito além dos levantamentos. Das consultas aos pagamentos de vários tipos (como luz, água, gás, seguros, transportes ou qualquer fatura), de transferências à obtenção de licenças de caça e pesca, as caixas multibanco são um facilitador, simplificando a vida das pessoas. Não é por acaso que a sua existência integra os indicadores de infraestruturas e equipamentos do Instituto Nacional de Estatística de cada território, a par das farmácias, das estações de correio, dos museus e outros. A sua criação permitiu, entre muitas outras coisas, ter acesso a dinheiro físico sem ter que ir e à agência, mas nos últimos anos verifica-se a nível nacional uma tendência de encerramento.

Não é por acaso que Álvaro Santos Pereira, que foi ministro da Economia entre 2011 e 2013 (no governo de Passos Coelho) e que é o atual governador do Banco de Portugal, disse na tomada de posse destas funções, em outubro deste ano, que “embora a importância dos pagamentos digitais tenha vindo a aumentar, devemos assegurar que o numerário permanece facilmente acessível a todos os portugueses” e que “para tal, é essencial manter o investimento adequado na infraestrutura de distribuição de numerário em todo o território”.

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Assim, numa era cada vez mais digital e em que na última década foi sentido o encerramento de inúmeros balcões e caixas multibanco, quisemos perceber qual era o cenário nas Caldas e em Óbidos no que à existência das caixas diz respeito. Partimos com algumas perguntas, como, por exemplo, quantas caixas multibanco existem em cada concelho? E quando divididos por 10 mil habitantes? Há freguesias que não estão servidas? E quais? Encontrámos respostas curiosas.

No caso destes dois concelhos com um total de 19 freguesias e uniões de freguesias (12 nas Caldas e sete em Óbidos), apenas uma não está servida por este equipamento. Trata-se da freguesia do Carvalhal Benfeito, no concelho das Caldas.

Neste município a grande concentração da oferta é na cidade, portanto, nas uniões de freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório e de Santo Onofre e Serra do Bouro. Nas Juntas de Freguesia de Salir de Matos, Nadadouro e Vidais, bem como na sede da União de Freguesias de Salir do Porto e Tornada há caixas multibanco, na Foz do Arelho há uma na Inatel e no Landal existe uma na unidade de saúde dos Rostos. Em Alvorninha, A-dos-Francos e Santa Catarina há delegações da Caixa de Crédito Agrícola com caixas multibanco. Curiosamente, mesmo nas uniões de freguesia há caixas multibanco em todas as antigas freguesias, excepto na Serra do Bouro.

Já em Óbidos, logicamente, a grande concentração é na vila, mas todas as sete freguesias e união de freguesias estão servidas por estes equipamentos.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, nas Caldas existiam no último ano 66 caixas multibanco e em Óbidos 25. No Oeste, onde existem 463 (um número que tem vindo aumentar, com mais 26 do que há cinco anos, embora haja menos uma do que no ano anterior), Caldas aparece como o terceiro concelho com mais, atrás de Torres Vedras (95) e Alcobaça (72).

É também possível perceber que, em cinco anos, a maior parte dos municípios tem mais caixas. Caldas tem mais quatro, o mesmo número que Alcobaça. Óbidos tem mais cinco, tal como Torres Vedras e Lourinhã e Cadaval têm agora mais seis cada um, ficando com 41 e 18, respetivamente. Bombarral (16), Alenquer (40) e Peniche (36) têm menos uma cada, Arruda dos Vinhos tem menos duas e fica com 15 e Sobral de Monte Agraço mantém as mesmas 11.

Na divisão do número de caixas por 10 mil habitantes, o Oeste aparece ligeiramente acima da média nacional (11,7 vs 11,6), mas há um dado interessante: a disponibilidade caiu em cinco anos, apesar de haver mais caixas. É que existiam 12,1 caixas por 10 mil habitantes na região, ou seja, mais 0,4%.

Óbidos destaca-se neste indicador com 18,2 caixas por 10 mil habitantes, sendo o líder na região, à frente da Nazaré (17,7), Lourinhã (14,1) e Peniche (13). Caldas, com 12 caixas por 10 mil habitantes, aparece a seguir a Alcobaça (12,4) e Cadaval (12,2) e é o último acima da média do Oeste. Os concelhos pior servidos neste campo são Alenquer (8,1), Sobral de Monte Agraço (9) e Arruda dos Vinhos (9,5).

Os dados do INE permitem também perceber que no último ano foram levantados, a nível nacional, um total de 30 mil milhões de euros em mais de 300 milhões de operações. No conjunto dos 12 municípios do Oeste foram levantados nos multibancos mais de 1053 milhões de euros, o valor mais alto dos últimos cinco anos.

Carvalhal Benfeito quer ter multibanco
No concelho das Caldas a única freguesia sem multibanco é a do Carvalhal Benfeito, que curiosamente até já foi servida, anteriormente. Só que após um assalto ao equipamento então situado no edifício da Junta de Freguesia, em 2012, nunca mais voltou a ser reposto.

À Gazeta das Caldas, Ana Rita Leal, presidente da Junta de Freguesia do Carvalhal Benfeito, revelou que a criação desse serviço é um dos objetivos que têm no atual executivo. “É um bem que os nossos fregueses querem e, portanto, estamos a tentar trazê-lo para cá e, sinceramente, acho que vamos conseguir”, revelou.

Desde que tomou posse esta foi uma das prioridades. “Estamos a entrar em negociações com os dois bancos com quem trabalhamos para perceber com qual é mais viável a colocação”, contou, acrescentando que “existe abertura por parte da Câmara para ajudar com o bunker e questões burocráticas”, num processo que não é fácil, “tem custos e temos que os avaliar”, sendo que “a principal condicionante é a disponibilidade dos bancos, mas já percebemos que existe essa abertura”.

Ana Rita Leal frisa ainda que esta é “uma freguesia afastada da cidade e existe essa necessidade”. Por um lado, pelas pessoas de uma freguesia que tem “problemas e lacunas” por estar afastada da sede do concelho, que sem multibanco no Carvalhal Benfeito, têm “que se deslocar e o mais próximo é Salir de Matos ou Santa Catarina, que por vezes não tem dinheiro”, aponta, notando que “não facilita a vida aos nossos fregueses e precisamos mesmo que seja colocado”.

A autarca realça que muitos fregueses questionavam e pediam este serviço na freguesia e que, “podem dizer que o online rouba muito aos multibancos, mas nós temos uma população que ainda usa muito e para o nosso comércio aqui à volta, com cafés, minimercados, etc., é necessário o uso do dinheiro”.

Por outro lado, além das pessoas, existe uma série de empresas na freguesia, por exemplo, ligadas à fruta, que também sentem a necessidade. Ou seja, “podemos não ter uma percentagem brutal de utilizadores”, mas fornecendo o acesso facilitará a vida de quem o utilize. E, já que a freguesia é afastada da cidade, que tenha “o essencial”, aponta, referindo que “todos temos os mesmos direitos”.

Caixas multibanco como obras de arte
No concelho das Caldas foram pintados vários bunkers de caixas multibanco com obras de arte, aproveitando as paredes da caixa forte para serem telas de arte pública. Foi o caso, por exemplo, de Tornada ou do Campo, ambas da autoria de RH, artista residente nas Caldas, que estudou na Escola de Artes e Design da cidade.

Em ambos os casos o artista faz menção a símbolos dos locais, mostrando, por exemplo, os apeadeiros, antigas azenhas, lavadouros, a igreja ou os animais do Paul de Tornada combinados com elementos identitários do concelho como a cerâmica e a azulejaria.

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