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Pedro Batim, o criador caldense que quer investir na moda em Inglaterra

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A viver há dois em Inglaterra, o criador caldense Pedro Batim quer dar a conhecer a moda portuguesa naquele país.
O artista, que já desenhou as fardas para quem trabalha no Hospital das Caldas e para o CCC e que viveu na Alemanha e na Bélgica, mantém-se ligado à sua terra natal, visitando-a duas a três vezes por ano, como contou nesta entrevista, por escrito, à Gazeta das Caldas. Actualmente vive em Leicester, no Reino Unido. [showhide]

Gazeta das Caldas
Pedro Batim, na London Fashion Week, acompanhando uma modelo vestida com uma criação sua

GAZETA CALDAS: Quando percebeu que iria ser um criador de moda?
PEDRO BATIM: Cresci em contacto com as profissões de cozinheiro e de costureiro. De algum modo fui influenciado pelo meio onde cresci e tendo eu uma inclinação para a área criativa, certamente esse facto contribuiu para a minha decisão mais tardia.
Podia ter enveredado por outra área criativa, mas pareceu-me mais interessante escolher a moda, pela interacção com o outro. Criamos uma peça mas esta, na realidade, só está completa quando é usada pela pessoa a quem se destina. E também a influência directa na saúde mental de cada um, e por conseguinte nas pessoas que o rodeiam. Claro que a moda, como tudo, pode ser mal utilizada, mas quanto a isso devemos dar apenas atenção a necessária.

GC: Quais foram os primeiros projectos que desenvolveu?
PB: A determinada altura decidi expor os meus trabalhos ao público, o que foi muito bem aceite pelo mesmo.
A partir daí foram surgindo oportunidades: trabalhei para uma multinacional sediada em Bruxelas de pronto a vestir masculino, que foi uma experiência muito interessante. Cuidei inclusivamente da imagem de figuras públicas em eventos, produções de imagem para músicos participarem nalguns programas de televisão.

GC: Quais são as maiores influências para o seu trabalho?
PB: O meu percurso pela vida, pelo mundo. Mas essencialmente as pessoas são as minhas influências naturais. Claro que existe uma especial atenção ao caminho que a sociedade toma, o que também tem a sua parte de influência no processo criativo das colecções.

Fardas para o hospital e para o CCC

Gazeta das Caldas
Uma proposta de moda que o criador caldense aceitou fazer para a Gazeta das Caldas

GC: Para que entidades já trabalhou?
PB: Imensas, mas talvez de referir algum trabalho de fardamentos para o Hospital e para o CCC das Caldas de Rainha. Trabalhei durante dois anos para uma multinacional com showroom em Bruxelas, desenvolvendo linha de pronto a vestir o que para mim foi muito útil porque tive a oportunidade de contactar com a vertente mais industrial da moda. A maior parte do meu trabalho é feito em atelier.

GC: Quais foram as coleções que mais gostou de criar?
PB: Difícil responder porque todos os projetos têm o seu ponto de interesse para mim, embora me dê particular prazer criar para clientes específicos porque posso tirar o melhor partido da simbiose biótipo/design podendo contribuir para o bem-estar. De momento é a minha próxima colecção que me está a dar prazer criar. No entanto, sei que o que me dá sempre mais prazer é o que vou ainda fazer. Tem a ver com a minha forma de estar no mundo. [/showhide]

GC: Viveu a sua juventude e parte da vida adulta nas Caldas. Isso marcou-o?
PB: A cidade das Caldas da Rainha será sempre uma inspiração para mim: a História, as tradições, os costumes, o Hospital Termal, a Rainha D. Leonor, o Bordalo Pinheiro, o José Malhoa e, claro, as pessoas. Uma curiosidade: a cidade onde vivo é a cidade natal da bisavó de Rainha D Leonor (Filipa de Lencastre (Philipa of Lancaster)). Mas talvez a minha forma de ver o mundo tenha também origem no facto de ter vivido a primeira parte da minha vida na Alemanha, depois Portugal e agora Inglaterra.

Cliente comprou toda a colecção

GC: Vive em Inglaterra. Como tem sido a aceitação do público inglês?
PB: Estou há dois anos a viver em Inglaterra e quando cheguei fiz alguns contactos no sentido de perceber como funciona o mundo da moda. Queria frequentar feiras e assistir a desfiles. Quando me apercebi, através dos contactos efectuados, fui convidado a apresentar o meu trabalho no London Fashion Week de 2016. Como não tinha nada a perder, lá fui. No final surgiu um comprador para toda a coleção, o que me surpreendeu. Esta é uma realidade diferente da de Portugal. Tive que repensar e tirar o melhor partido dela. As regras aqui são muito diferentes do que nós pensamos quando conhecemos os países só de visita.

GC: Acha que há espaço e interesse pela moda portuguesa em terras britânicas? 
PB: A Inglaterra é um mercado interessante do ponto de vista cultural e comercial. A sociedade tem hábitos diferentes daqueles que eu estava habituado. Por exemplo, o hábito generalizado que os ingleses têm de se produzir sempre que saem para jantar, ir a um bar, ou a um club.
A minha ideia é a seguinte e não passa da minha opinião: acho importante estarmos representados com o nosso produto nos certames internacionais, se possível, com nome português. Mas ressalvando as excepções, o cliente estrangeiro não nos conhece. E se conhecer, não tem pontos de venda acessíveis onde possa adquirir esse produto.

GC: Consegue  conciliar a sua vida profissional com a criação de moda? Como vai a sua ligação à cozinha?
PB: Por enquanto consigo conciliar todas as minhas atividades aqui porque a minha vida profissional ocupa-me três dias por semana, o que me deixa tempo disponível para investir na moda.
A cozinha por agora está em stand by. Isto é, contacto com a cozinha local, adiciono ao conhecimento adquirido a experimentação em casa.

GC: Tem participado em conferências? 
PB: Em Inglaterra ainda não porque preciso de me sentir um pouco mais confortável com a língua para poder aceitar alguns convites.

GC: Que relacionamento mantém com as Caldas? Vem visitar familiares e amigos?
PB: Caldas da Rainha será sempre uma referência, principalmente porque é o local onde estão as pessoas que tiveram um papel importante na minha vida, e as pessoas que gosto sempre de rever. Normalmente, vou pelo menos duas a três vezes por ano às Caldas da Rainha.

Pedro Batim
50 anos
Casado, dois filhos

Projectos Nacionais/Internacionais que integra: Existe um projecto permanente que sou eu e aquilo em que acredito. Sempre colaborei e incentivei a divulgação da moda. De momento estou a estudar a viabilidade de o fazer fora de Portugal. O produto português não tem muita visibilidade e não esta acessível ao consumidor. Temos muitos produtos de excelente qualidade com um potencial de comercialização interessante neste mercado e estou a avaliar qual a possibilidade de o dar a conhecer e tornar mais acessível.

Locais que frequenta quando vem às Caldas: A Mimosa, o Maratona, o Sabores de Itália, o Daiquiri, a Taska do B3co, o Pátio do Baco, o 120, o Café Central, a Pastelaria Machado.

Passatempos: Fotografia e Cozinha

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Edição #5625

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