Data de 2001 a distinção deste “espaço único” em Tornada, que se estende por cerca de 53 hectares, dos quais 25 estão permanentemente alagados, e dotado de uma fauna e flora de considerável importância
Considerado um “verdadeiro santuário de biodiversidade” e uma das poucas zonas húmidas apaludadas na região, desempenhando um papel fundamental na conservação de habitats e espécies ameaçadas, o Paul de Tornada integra, desde 2001 a lista de Zonas Húmidas de Importância Internacional (Sítio Ramsar). Para além disso, desde 2009 que está classificado como Reserva Natural Local, reforçando o seu estatuto de área protegida e o compromisso com a preservação daquele património natural.
À Gazeta das Caldas, Sara Moreira, da Associação PATO, refere que foi “benéfica” esta classificação internacional, pois foi um “pontapé de saída” para a sua proteção, numa altura em que não possuía qualquer estatuto de preservação.
O objetivo de ser um Sítio Ramsar é o de manter o ecossistema ou melhorá-lo e, neste caso, tem sido possível ali realizar atividades de pesquisa ambiental e passou a haver mais investigação. “Como temos este reconhecimento internacional, também temos o apoio da parte deles ao nível da informação, com os materiais digitais que possuem e podemos partilhar esse conhecimento”, refere Sara Moreira, fazendo notar que esta classificação é “quase como um selo de qualidade que mostra, a nível mundial, que este espaço tem valor e isso acaba por também atrair turismo de natureza”.
O Paul de Tornada integra a Rede Nacional de Áreas Protegidas e a sua gestão é assegurada pela Câmara das Caldas da Rainha, em colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e com as organizações não-governamentais de ambiente: Associação PATO e GEOTA. Estas associações aliam a educação ambiental à conservação da natureza, sendo que estes últimos são os mais complexos e que necessitam de mais investimento financeiro.
A Associação PATO tem desenvolvido a anilhagem científica de aves, com a equipa dos vigilantes da Natureza, do ICNF, e a monitorização das espécies nativas, nomeadamente de cágados, ao mesmo tempo que recolhe as espécies exóticas de tartarugas. Esse estudo permitiu também descobrir que ali havia um mexilhão de rio, raro, que não estava descoberto nesta região, que no Paul ainda existe o Ruivaco, uma espécie endémica das ribeiras do Oeste, ou que há uma planta invasora que é a azola, mas que também existe um animal que se alimenta dela e, por isso, o meio está controlado, exemplificou, sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido com diversos investigadores.
Têm recebido também a vista de mais escolas e percebem que “cada vez há mais interesse por esta área, vêm muitos turistas estrangeiros, mas também temos cada vez mais portugueses a visitar-nos, entre eles os locais, que também é o que queremos muito”, concretiza.







