
Isabel Castanheira tem um ponto de partida que é passear pelas rua e praças, travessas e jardins das Caldas procurando e encontrando a presença de Rafael Bordalo Pinheiro para assim organizar uma homenagem a um artista e «a um homem que gozou a vida e os seus prazeres, amou, sofreu e chorou e que, a respeito de tudo, soube rir e fazer rir.» As suas 97 crónicas que foram publicadas em primeira mão nas páginas da «Gazeta das Caldas» entre 2005 e 2013 (mais uma inédita e outra publicada em Óbidos) beneficiaram da arte final de Miguel Macedo. É esse encontro feliz entre texto e imagem que torna este livro algo de muito especial como objecto. Rafael Bordalo Pinheiro teve um quotidiano prosaico em Lisboa: visitava a Livraria Bertrand, passeava pelo Chiado, comprava charutos na Havaneza, almoçava no Zé das Caldeiradas, ia ao Teatro, causticava todas as semanas Fontes Pereira de Melo no seu jornal satírico «António Maria» – os dois primeiros nomes do chefe do Governo. Mas é sobre este homem discreto que Bernardino Machado afirma: «Hoje em Portugal, quase que o único castigo dos dirigentes é o ridículo» Fialho de Almeida em «Os gatos» considera-o «um dos génios criadores mais profundamente originais do mundo contemporâneo». E Raúl Brandão escreve: «Não conheço caricaturista que se lhe compare. No lápis dos outros há por vezes escárnio, ironia. Desespero, filosofia, maldade: o lápis dos outros amolga, envenena, destrói, faz gritar ou faz cismar: é talhado na prensa vermelha do gorro do Diabo molhado em fel. No lápis de Rafael Bordalo mistura-se o riso com a emoção. Até mesmo quando ridiculariza, este artista de génio faz amigos. Rafael Bordalo é uma força – o Riso.»
(Editora: Arranha-Céus, Direcção de arte e desenho gráfico: Miguel Macedo, Fotografia: Edgar Libório, Revisão: Raul Henriques, Colaboração: Carlos Querido, Apoios: Câmara Municipal Caldas da Rainha, Montepio Geral, Crédito Agrícola e ACCCRO)







