
Há que reconhecer e valorizar esta dinâmica de criação de novas empresas por jovens qualificados em Portugal, muitas delas conotadas com o jargão anglo-saxónico de “startup’s”. O actual governo nacional, muitas vezes apelidado depreciativamente de “geringonça”, está na verdade politicamente empenhado na valorização das empresas jovens e qualificadas, nomeadamente através do apoio à criação e desenvolvimento de uma Rede Nacional de Incubadoras de empresas e de uma Rede Nacional de Laboratórios de Produção (FabLabs).
Nas Caldas da Rainha, cidade e concelho onde vivo e trabalho, há um capital humano muito qualificado nas áreas da criatividade e do design, formado pelos estudantes, licenciados e mestres da ESAD_CR (Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha). Mas será que as políticas urbanas municipais proporcionam um ambiente de acolhimento local que permita o florescimento deste capital humano em criatividade empresarial sustentável? Se olharmos para os últimos projectos e políticas falhadas da actual maioria PSD instalada na Câmara e Assembleia Municipal, a resposta é obviamente negativa. Basta pensar no triste exemplo do chamado “Parque tecnológico das Caldas”, uma urbanização concebida e promovida pela Câmara Municipal com um financiamento público europeu integrado no programa ‘Mais Centro’ no valor de 554 179,26 euros. O objectivo era fixar empresas de base tecnológica mas, passados seis anos, esta urbanização está inacabada, sem passeios nem arruamentos, num estado de abandono e degradação ambiental que todos os caldenses podem presenciar. Não se encontra uma única empresa tecnológica instalada. Há apenas cascalho, pedras, areia e erva que cresce por todo o lado, alimentando ratos, pulgas e baratas. Por ironia do destino, este crime urbanístico e ambiental ficou implantado imediatamente após a delegação da Agência Portuguesa do Ambiente. Pago com o dinheiro de todos os Caldenses, sem soluções políticas à vista e com elevados custos ambientais e humanos. Maus exemplos como este são uma autêntica pedra no sapato da desejável diversificação da base económica das Caldas da Rainha que, com esta maioria instalada, não anda efectivamente para a frente!





