Números do turismo revelam consequências duras da pandemia para o setor no ano passado. Todos os indicadores caíram de forma acentuada e cerca de 20% dos estabelecimentos fecharam
A pandemia representou para o turismo do Oeste um recuo de oito anos no que diz respeito a dormidas e hóspedes. Os períodos de inatividade do setor, a que se juntaram a baixa procura, sobretudo a nível externo, resultaram em perdas acima dos 50% nos três principais indicadores de atividade: os proveitos, as dormidas e número de hóspedes. Mas também se regista perda igualmente ao nível dos estabelecimentos, uma vez que um quinto dos espaços encerraram, com maior incidência no alojamento local.

Óbidos manteve-se o concelho com a maior fatia, ligeiramente acima dos 9 milhões de euros, mas com uma quebra de 58,9% em relação a 2019. No concelho obidense, as receitas da hotelaria caíram acima dos 65%, no alojamento local a quebra passou os 80%, mas o turismo rural cresceu 13,6%. De resto, o top 5 dos concelhos da região não sofreu alteração na ordem. Torres Vedras é o segundo concelho com mais receita de turismo (8,9 milhões de euros), seguindo-se Peniche (6,1 milhões), Nazaré (5,4 milhões) e Caldas da Rainha (3 milhões). Destes, Caldas da Rainha é o que apresenta maior quebra nas receitas do turismo (59,5%).
As dormidas também diminuíram acima dos 50%, mas ligeiramente menos do que os proveitos. Os 37,7 milhões de euros foram obtidos a partir de 642.967 dormidas, menos 52,8% do que em 2019, o que significa que a drástica quebra de procura obrigou, igualmente, a fileira do turismo a rever os preços em baixa, com o valor médio da dormida a baixar de 61,59 euros para 58,61.
A hotelaria convencional representa 72,3% do total de dormidas, o alojamento local 20,3% e o turismo rural o restante. O turismo rural ganhou quota de mercado, assim como a hotelaria, enquanto o alojamento local perdeu. Se em 2019 havia equilíbrio entre portugueses e estrangeiros, em 2020 foi completamente desfeito. Os portugueses representaram 71,8% das dormidas, com uma quebra de 32,3% em relação a 2019, enquanto os estrangeiros ficaram pelos 28,2%, com uma quebra superior aos 73%, de 681 mil para 181 mil.
Nos concelhos, se Óbidos manteve a liderança nos proveitos, perdeu-a nas dormidas para a Nazaré e foi ainda ultrapassado por Torres Vedras. Seguem-se Peniche e Caldas da Rainha, o primeiro abaixo das 100 mil dormidas.
As 642.967 dormidas no Oeste em 2020 foram realizadas por 331.585 mil hóspedes, com estes a reduzirem 52,3% em relação ao ano anterior. O facto de as dormidas terem caído mais do que o número de hóspedes significa que estes também ficaram menos tempo nas unidades hoteleiras do que em 2019. De resto, a estada média diminuiu na região de 2 para 1,9 dias. Mesmo assim, por setor, a estada média subiu no alojamento local, de 2,1 para 2,2.
A hotelaria tem a maior quota de mercado, que até subiu para 74,2%, o alojamento local perdeu quota e ficou pelos 17,8%, quando em 2019 teve 21,2%, ao passo que o turismo rural subiu de 6,4% para 8%.
No número de hóspedes, Nazaré já liderava em 2019 e mantem-se em primeiro, Torres Vedras ascendeu ao segundo lugar, Peniche está em terceiro e Óbidos surge apenas em quarto. Em 2019 era segundo.
Ao nível da estada média, Torres Vedras subiu de 1,8 para 2 dias, Óbidos subiu de 2 para 2,1 dias. Lourinhã continua como o concelho com maior estada média, ainda que tenha descido de 2,6 para 2,5 dias.
Oferta caiu acima dos 20%
A descida da procura turística na região teve como consequência imediata o encerramento de 21,7% dos estabelecimentos do setor. Em 2019 a oferta hoteleira da região incluía 258 estabelecimentos. Um ano depois esta caiu para 202. O alojamento local continua a ser o que tem mais espaços de pernoita (113 contra 52 hotéis e 37 espaços de turismo rural), mas enquanto a hotelaria convencional e o turismo rural perderam 11,9% da sua oferta, o alojamento local perdeu 28%.
Peniche mantém-se como o concelho com mais espaços alojamento (50), mas o segundo lugar é agora ocupado pelas Caldas da Rainha (25), seguindo-se Óbidos e Nazaré (23) e depois Torres Vedras (20). Destes, Caldas da Rainha foi o que menos oferta perdeu, cerca de 10%, enquanto os restantes ficaram na casa dos 20%.
A taxa líquida de ocupação por cama no Oeste caiu de 35,2% para 22,1%, uma redução de 40%. A Nazaré é o concelho onde este indicador é maior (31,3%), seguido de Óbidos (26,2%). Nas Caldas da Rainha, a taxa de ocupação baixou para 18,1%, menos de metade da ocupação atingida em 2019. ■








