Numa altura em que a derradeira esperança de um país parece estar depositada em 23 jogadores de futebol que, rumo ao Cabo das Tormentas, esperam igualar o feito de Bartolomeu Dias, é sempre animador encontrar outros motivos de esperança…
Quem, como eu, teve o privilégio de assistir à final do já tradicional Concurso de Empreendedorismo promovido pela AIRO e pela Câmara Municipal, no passado dia 22 de Maio, não deu por perdida uma bela tarde de praia. Não me sai da cabeça a imagem da Carolina Santos (com dez anos de idade), da EBI de Santa Catarina, vencedora do 1º prémio no escalão do 2º ciclo (“O meu 1º Cêntimo”), com o seu candeeiro “Cintilante”, não só pela originalidade e perfeição do protótipo apresentado, mas sobretudo pela postura e pela qualidade do discurso. Um espanto!
Sem deixar de felicitar o vencedor no escalão do 3º ciclo (“O meu 1º Euro”), o jovem Pedro Santos, do Colégio Frei Cristóvão, com o seu projecto de um “Ginásio Eco-Eficiente”, não posso deixar de destacar a participação dos alunos da Escola Raul Proença, com três dos cinco projectos finalistas nesta categoria: “Cafer” (fertilizante a partir de borras de café), de José Cunha, “Eco-Flame, Lda” (acendalhas a partir de resíduos florestais), de Pedro Beato e Danilo Medeiros e “Renascer” (recuperação da Mata das Mestras situada em Carvalhal Benfeito/Santa Catarina), de Tiago Franco, Catarina Fernandes, Stephanie Bernardino e Luís Coito.
Faço minhas as palavras da presidente da Junta de Carvalhal Benfeito, Maria João Querido, quando da sua intervenção na Assembleia Municipal, confessando-se “perplexa” perante os projectos “absolutamente inovadores, exequíveis e perfeitamente adequados à realidade” (in Gazeta das Caldas de 4 de Junho). São precisamente estas características dos projectos apresentados, a exequibilidade e a adequação à realidade, que mais me surpreendem. Que os jovens são criativos já estamos fartos de saber, mas conseguirem converter ideias inovadoras em projectos empresariais concretizáveis já é algo que não tem grande tradição na nossa portuguese way of life…
O Concurso de Empreendedorismo dirigido às escolas vai na sua quarta edição, mas só este ano passou a incluir, de forma generalizada, o escalão do ensino secundário, depois de, no ano passado e a título de experiência piloto, ter sido lançado apenas na Escola Secundária Raul Proença, diga-se, com resultados muito positivos. No ensino secundário, sobretudo com a disponibilidade associada à área de Projecto do 12º ano, faz todo o sentido introduzir as temáticas relacionadas com o empreendedorismo. Num inquérito realizado no ano lectivo passado aos alunos do 12º ano da Escola Secundária Raul Proença, só 27% dos jovens consideraram que Portugal é um país de empreendedores mas, quando inquiridos sobre se a escola deve incentivar o empreendedorismo, 95% responderam que sim! Então, porque não fazê-lo?
Este ano, a Escola Secundária Raul Proença concorreu e ganhou o 1º prémio no escalão do ensino secundário (“O meu 1º Milhão”) com o projecto “SNIFF” (fabricação e marketing de uma gama de perfumes personalizados), de Joana Pinho, Filipa Jorge, Filipa Franco, Filipa Paulo e Luís Ribeiro. A concorrência era forte com um especial destaque para os projectos concorrentes da ETEO (que recebeu o galardão de Escola Mais Criativa), tornado difícil a tarefa do Júri constituído por Luís Ribeiro (presidente da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha), Ana Maria Pacheco (presidente da direcção da AIRO), Hugo Oliveira (vereador da CMCR) e Clotilde Cavaco (chefe de serviços da Direcção Geral das Actividades Económicas).
Ao que parece, jovens empreendedores até temos, é só uma questão de continuarmos a acreditar neles. E não se esqueçam, há mais vida para além do futebol!
Edgar Ximenes
Coordenador de Área de Projecto da Escola Secundária Raul Proença





