
Mais do que um grande escritor (baste referir Húmus, Os Pescadores e As Ilhas Desconhecidas) Raul Brandão é um assombroso continente de ideias. Fiquemos apenas com duas. Primeira: «A que se reduz afinal a vida? A um momento de ternura e mais nada… De tudo o que se passou comigo só conservo a memória intacta de dois ou três rápidos minutos. Esses sim» Segunda: «A vida antiga tinha raízes, talvez a vida futura as venha a ter. A nossa época é terrível porque já não cremos – e não cremos ainda. O passado desapareceu, de futuro nem alicerces existem. E aqui estamos nós sem tecto, entre ruínas, à espera.»
A influência de Raul Brandão é transversal na literatura portuguesa actual. Dois exemplos: Augusto Abelaira publicou um romance com o título de Sem tecto entre ruínas e o meu livro biográfico sobre Vítor Damas arranca com esta frase de Raul Brandão – Ser diferente dos outros é já uma desgraça; ser superior aos outros é uma desgraça muito maior.
(Editora: Nova Vega, Capa: Paulo Bacelar, Organização, selecção de textos e prefácio: José Manuel de Vasconcelos, Editor: Assírio Bacelar, Paginação: Jorge Machado-Dias)







