
O Manel sofreu há cerca de dois anos e meio um AVC, que o colocou numa posição bastante vulnerável. Contudo, e superando todas as expectativas da comunidade médica, assistimos a uma recuperação lenta mas incrível, sob o ponto de vista de evolução e da boa disposição com que ele enfrenta uma luta diária. Está neste momento dependente na sua mobilidade, mas totalmente livre de qualquer preconceito ou complexo de inferioridade, como de resto sempre nos habituou.A noite em si começou com um jantar partilhado por cerca de 150 pessoas, entre elas, amigos de longa data, das Caldas e também de fora; músicos que não conhecendo o Manel e a sua história tornaram a noite confortável e energizante, e que vieram de Coimbra a título totalmente altruísta e se juntaram a nós para jantar e para homenagear o Homem, o fadista, o guitarrista, o artista, o ilusionista, o marido, o pai e o amigo; e de outros amigos e conhecidos que em algum momento das suas vidas se cruzaram ou se sentiram presentes na vida do Manel. (…)
De sublinhar a frase com que se iniciou o discurso de homenagem “Esta noite celebra-se a Amizade”, e talvez por isso tenha o homenageado afirmado, quando fez questão de agradecer as palavras e os gestos, “Espero não vos ofender com o que vos vou dizer mas vocês também são a minha família”. Foi ainda surpreendente a força com que nos presenteou com três fados que, apesar do cansaço próprio da sua condição, nos fizeram emocionar, acompanhado por António Oliveira, seu amigo de sempre e seu guitarrista, também natural de Ovar.
Em nome da ASCP um obrigado especial aos músicos Ramiro Santos, Arménio Canais, Rui Monteiro, João Paulo Devesa e Manuel Anjo. E um bem hajam a todos os amigos que fizeram questão de estar presentes e de aplaudir de pé o “Manel d’Ovar”.
Mónica Marques







