Quinta-feira, 26 _ Fevereiro _ 2026, 8:37
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O que fazer com o medo

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Lurdes Pequicho
Educadora de Infância

Existem fenómenos que nos mostram de forma clara a nossa finitude e a depressão Kristin foi uma delas. A nossa zona, Leiria, foi fustigada pelo vento e pela chuva, e quando ainda nem sequer tínhamos percebido bem o que tinha acontecido, vem ainda mais chuva, que piorou o que já estava mau. O medo instalou-se em todos nós e em muitos ficou o trauma do som do vento forte, que até aqui não passava disso mesmo, agora significa que a vida pode estar em risco, que o que construímos durante uma vida pode desaparecer. O medo instalou-se de tal forma, que o número de vítimas após a tempestade foi superior às vítimas durante o fenómeno, para tentarem salvar o que podiam.

Chama-se a isto desespero. Quando isto acontece, reagimos sem pensar muito bem nas consequências. Relembramo-nos que não controlamos nada e o medo e a ansiedade apoderam-se de nós. Em momentos assustadores como este que vivemos, percebemos que são as pessoas o mais importante, estarmos cá uns para os outros é o mais importante. A nossa presença na vida dos nossos, torna-se o maior presente de conforto.

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E como viveram e ainda vivem as nossas crianças e jovens estas privações, estes medos?

Em primeiro lugar é fundamental estar presente, para ouvir os seus medos, os seus anseios. Deixar a criança falar sobre aquilo que sente ou sentiu naquele momento. Depois devemos acolher sem julgamento e validar tudo o que surgir, sem menosprezar, mesmo que para nós adultos não faça sentido. Dizer que compreende esse sentimento e se também teve as mesmas sensações e emoções, mostrar-se vulnerável e partilhar o que sente. Dessa forma a criança/jovem vai sentir que apesar de tudo, tem alguém que o compreende e com quem contar em momentos de crise. Por último, se perceber que a criança ficou muito afetada com a situação, pode pedir-lhe que conte o que aconteceu, todos os detalhes e pormenores que se lembra, dando a possibilidade de parar em momentos que a deixem mais sensível. Dessa forma, vai perceber o que realmente a afetou e pode mostra-lhe perspetivas diferentes. Terminando a história, vai perceber que estão bem e que com a ajuda de todos podem resolver de uma ou outra forma a situação.

Quero terminar o artigo, manifestando as minhas condolências aos familiares das vítimas e apelar a todos que se sentiram de alguma forma afetados psicologicamente, que peçam ajuda. Um braço partido, cura com o tempo, já os traumas psicológicos, precisam de uma ajuda extra. Não é vergonha, é sabedoria.
Com amor!

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