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Oeste: luta, memória e futuro

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António José Correia
Ex-Autarca

Na minha última crónica dei nota da presença da Comunidade Intermunicipal do Oeste na Bolsa de Turismo de Lisboa. Hoje, e porque acompanhei, posso afirmar com convicção: o Oeste esteve à altura do desafio — e foi mais longe.

A participação na BTL, complementada pela presença na Nauticampo, confirmou a dinâmica da Estação Náutica do Oeste, coordenada pela Oeste CIM. Em ambos os eventos, o território apresentou-se de forma integrada, mobilizando empresas, entidades públicas e parceiros.

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Na BTL, no stand do Turismo Centro de Portugal, moderei um painel promovido pela Rede das Estações Náuticas de Portugal, com a participação de várias estações náuticas, incluindo a do Oeste e a sua empresa parceira “Surfers Cove” que está a construir uma piscina de ondas no concelho de Óbidos. Mais de 20 parceiros empresariais da Estação Náutica do Oeste marcaram presença, a que se juntaram empresas da fileira enogastronómica, transformando o stand da Oeste CIM num verdadeiro espaço de negócios, com agendas preenchidas com buyers e DMCs de vários mercados internacionais.

Foi também neste contexto que dinamizou o debate “Do oceano à onda controlada”, onde Peniche voltou a afirmar a sua visão integrada para o surf. Já na Nauticampo, o Oeste marcou presença no espaço das Estações Náuticas da região Centro, com seis parceiros empresariais, participação em debates e a apresentação do Campeonato do Mundo de e-foil, a realizar em junho, na baía de São Martinho do Porto.

Mas março trouxe-nos também memória — e emoção.

Assinalaram-se os 50 anos da marcha do povo de Ferrel contra a instalação de uma central nuclear. Participei nessa marcha, a 15 de março de 1976. Como muitos, senti que estávamos a defender muito mais do que um território — estávamos a proteger o nosso mar, a nossa terra, a nossa segurança, a nossa identidade e o nosso futuro.

Mais tarde, já como Presidente da Câmara de Peniche, tive a honra de dinamizar as comemorações dos 30 e dos 40 anos desse momento maior de cidadania. Agora, aos 50 anos, voltou a sentir-se essa força coletiva.

As comemorações, organizadas pela Junta de Freguesia de Ferrel e pela associação “Rabeca”, com o apoio do Município de Peniche, tiveram uma adesão extraordinária. Destaco, com emoção, a recriação da marcha pelos alunos da Escola Básica de Ferrel — um testemunho vivo de que a memória continua a fazer caminho.

Num dos debates, partilhei este momento com José Luís Almeida e Silva, que, enquanto diretor da Gazeta das Caldas, acompanhou e apoiou essa luta, contribuindo para lhe dar uma dimensão regional e nacional.

E talvez, algures entre o passado e o presente, ecoe ainda a voz de Fausto Bordalo Dias, lembrando-nos — como em Rosalinda — que há caminhos que se fazem com coragem, de olhos postos no mar e no futuro.

Hoje, olhando para trás, tenho uma convicção profunda: o nosso mar não seria o mesmo se aquela decisão tivesse sido outra. E, com ele, também o desenvolvimento de Ferrel e do concelho de Peniche teria sido diferente.

Para além da agricultura, o crescimento do turismo, a afirmação internacional do surf e a valorização do território — tudo isso tem raízes nessa escolha coletiva.

Entre a afirmação do Oeste nos mercados internacionais e a celebração da sua memória, há um traço comum: a participação das pessoas.
Ontem como hoje, é essa participação que constrói o território.E é com ela — e com o mar sempre presente — que continuamos a projetar o nosso futuro.

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