«Ó meu rico Santo António!» de José Viale Moutinho

Por ser uma bela lenda antonianas, vale a pena citar «O sermão aos peixes»: «Santo António, conforme a regra franciscana, acompanhado de um outro frade da sua ordem, chegou certo dia a Rimini. Na foz do rio Marecchia, no Mar Adriático. Ia pregar, só que aquela cidade era de maioria cátara e, sobretudo, sabendo quem ele era, receberam-nos com escárnio. E tiveram esse procedimento durante um par de dias. O santo lisboeta queria pregar, mas não tinha a quem. Quando encontrava um grupo de pessoas e tentava falar-lhes, naquele instante ficava apenas com o frade que o acompanhava. No entanto, frei António não esmoreceu. Uma manhã dirigiu-se à praia onde apenas se encontravam os pescadores que preparavam as redes para a pesca. Nem lhes disse nada, pois dirigindo-se à beira-mar, voltado para as águas do mar, falou assim: – Vinde ouvir as palavras de Deus. Ó criaturas do Senhor! Se os ímpios e hereges não as querem escutar, elas serão dirigidas a vós! E reza a lenda que à superfície das águas do Adriático começaram a aparecer as cabeças de milhares de peixes que ficaram imóveis a ouvir o sermão de Santo António. Este acontecimento foi noticiado pela cidade de Rimini e toda a população apareceu na praia a assistir ao que se passava. Então, vendo que já tinha assistência humana, o frade despediu-se dos peixes e dirigiu-se à multidão dirigindo-lhe palavras que a chamaram aos caminhos da fé cristã.»
Uma nota curiosa deste livro é a vida militar do santo: «Santo António é alistado nas fileiras do 2º Regimento de Infantaria de Lagos. O alvará data de 24 de Janeiro de 1668.» Fica o convite à leitura deste livro tão especial como especial é a figura do Santo que lhe dá o nome.
(Editora: Colares, Capa: Painel de azulejos século XVII Museu de Lisboa, Arranjo gráfico: Sarah Goes, Patrocínio: EGEAC e Museu de Lisboa Santo António)





