
O presidente da direcção aproveitou a presença do representante da Liga dos Bombeiros Portugueses para criticar a sua actuação e reivindicou mais investimento por parte do Estado nas corporações de bombeiros.
Perante bombeiros, familiares e convidados, o presidente da AHBVO, Rui Vargas, disse estar empenhado em continuar a aproximar mais a instituição da comunidade e dotar a corporação de mais equipamento.
Em forma de balanço dos últimos três anos da direcção, o responsável destacou o aumento do número de associados, assim como a aposta feita na formação e educação dos bombeiros e da comunidade, nomeadamente nas áreas dos primeiros socorros e do combate a incêndios.
Rui Vargas pediu a ajuda da população para continuar a dotar a corporação com melhores meios e informou que os eventuais lucros que obtenham com a sua participação no Mercado Medieval será para ajudar a comprar uma ambulância de transporte de doentes (múltiplos) de menores dimensões, que permita ir ao interior da vila e a outras zonas históricas do concelho. O responsável falou ainda da incerteza do futuro na vida dos soldados da paz, nomeadamente com a falta de um financiamento “digno”, que leva a que estes tenham de desempenhar outras acções que não o serviço de socorro, para que foram criados.
No ano passado, em Óbidos, o poder central e local “investiu pouco mais de 400 mil euros num serviço que se fosse prestado directamente por bombeiros municipais pagos pela autarquia, ou por uma força de bombeiros do Estado central custaria para o mesmo serviço 3,1 milhões de euros”, informou. Actualmente, os apoios financeiros do Estado representam 63% das receitas desta associação, sendo as restantes 37% obtidas através de várias actividades e outros apoios.
Por outro lado, em vez de recorrer a empresas externas para assegurar serviços à corporação, são os próprios bombeiros que garantem, voluntariamente, 60% dessas necessidades.
A nova direcção aposta na redução de custos, eventualmente através de centrais de compras, mas Rui Vargas diz ser uma tarefa difícil, pois nos últimos três anos já os reduziram em mais de 30%.
O responsável deixou ainda um agradecimento público ao anterior presidente da Assembleia Geral, Frederico Garcia, pela sua dedicação aos bombeiros de Óbidos ao longo dos últimos 60 anos e a quem foi proposto um voto de louvor.
O comandante Carlos Silva destacou que aquele corpo de bombeiros é reconhecido, a nível nacional, não apenas pela “excelente qualidade de recursos humanos de que dispõe, mas também pelo seu sentido de organização e por toda a atividade e projectos em que está envolvido”.
No entanto, reconhece que ainda têm um trabalho “árduo” pela frente para manter e melhorar os níveis de operacionalidade e criar alternativas à crise, rentabilizando os recursos humanos e materiais existentes.
Carlos Silva teceu ainda críticas à actual conjuntura legislativa que “em nada beneficia os bombeiros” e acredita que a situação não irá melhorar pois “ninguém defende os interesses dos bombeiros voluntários” e a solução passa por cada um lutar por si.
Aos jovens presentes pediu para não se iludirem, revelando que a realidade dos soldados da paz passa por muito trabalho e por serem uma “segunda família”, que quando se reúne, normalmente, é para prestar socorro ou auxílio a quem não tem mais a quem recorrer.
O comandante da corporação destacou o trabalho da actual direcção, com quem diz ser fácil laborar, e que neste último ano fez um esforço financeiro para conseguirem equipar os novos bombeiros com fardamento e com equipamento de proteção individual. Deram também continuidade às obras de requalificação do quartel.
Para além disso, foi ainda renovada uma grande parte da frota de ambulâncias, nomeadamente com duas ambulâncias de transporte múltiplos, um veículo de operações especiais e ainda uma ambulância de socorro, esta última oferecida pela antiga Junta de Freguesia de São Pedro.
“O nosso corpo de bombeiros passou a ter um veículo em tudo idêntico ao cedido pelo INEM, com excelentes condições de trabalho”, disse, acrescentando que a população pode sentir-se “confortável e segura” com a operacionalidade dos seus bombeiros.
Carlos Silva fez um balanço da actividade de 2013, destacando que a maior diferença foi na diminuição de área ardida em relação a 2012, de apenas sete hectares. O ano passado prestaram apoio em 98 acidentes e transportaram cerca de seis mil doentes.
Internamente, têm investido na formação dos bombeiros, elaborado planos para melhorar a intervenção em zonas de risco e adquiriram equipamentos de proteção individual, entre outros equipamentos colectivos.
O papel “extraordinário” dos bombeiros foi reconhecido pelo presidente da Câmara de Óbidos, Humberto Marques, que garantiu que irá continuar a apoiar a instituição com cerca de 20 mil euros por mês.
A cerimónia contou com a entrega de medalhas honoríficas. Emídio Eusébio foi considerado o Bombeiro do Ano 2013. De manhã foi inaugurado um monumento de homenagem aos bombeiros no cemitério de Óbidos, uma ambição desde 1947 e que finalmente se tornou uma realidade.
Actualmente a corporação conta com 70 soldados na paz no activo e 15 jovens a frequentar a escola de Bombeiros.
Fátima Ferreira
fferreira@gazetadascaldas.pt
Criticas à actuação da Liga
O presidente da AHBVO, Rui Vargas, criticou a actuação da Liga dos Bombeiros Portugueses por estar mais interessada em “falar muito” do que em defender os interesses dos bombeiros, reivindicando mais investimentos por parte do Estado. Dirigindo-se ao representante da Liga, António Marques, lamentou que o seu presidente, Jaime Soares, não estivesse presente nem os tivesse visitado durante todo o seu mandato.
“A Liga acordou agora para a problemática dos equipamentos de Proteção Individual para os Bombeiros, para a salvaguarda da sua integridade física e vida, porque o ano passado tivemos perdas de vidas humanas”, disse, acrescentando que aquela associação já há três anos que os adquiriu, no valor de 120 mil euros e sem qualquer apoio estatal.
Rui Vargas disse ainda que gostaria que aquela entidade se manifestasse sobre a necessidade do Estado tomar posição pública e definitiva sobre o transporte de doentes não urgentes e lembrou que, só em Óbidos, o serviço de INEM custa à associação 60 mil euros de prejuízo, colmatados pelos donativos e serviços prestados por voluntários.
O responsável criticou ainda a liga por não defender o voluntariado nem o estatuto social dos bombeiros.
Em resposta, António Marques, representante da Liga, disse que a posição de Rui Vargas se resume a uma “questão de política interna”, não subscrevendo as críticas do responsável pela associação obidense. Considera que, apesar da crise, não houve retrocesso nos apoios aos bombeiros. E anunciou que a Liga quer uma revisão dos seguros e um novo sistema de financiamento para os bombeiros.
António Marques concorda, contudo, com Rui Vargas nas críticas de que os bombeiros têm custos elevados com o transporte de doentes não urgentes e que deviam ser ressarcidos por isso.
F.F.





