Esta semana destaque na Gazeta das Caldas para uma grande exposição sobre o Movimentos de Libertação na cidade, organizada pelo Conjunto Cénico Caldense. O evento decorreu no Salão de Turismo e na edição do dia 6 temos o anúncio, que termina com: “Não faltes – Traz um amigo”.

Do que temos ao que necessitamos!
Esta semana o jornal lança também uma nova rubrica. “Do que temos ao que necessitamos!” – Ronda pelas colectividades caldenses é o título.
“A Gazeta propõe-se fazer uma análise, mais ou menos profunda, de determinados sectores da vida caldense, entendendo que só assim, através da informação do que se passa na nossa cidade, podemos ter consciência do que possuímos e capacidade para determinar aquilo de que podemos vir a necessitar. Considerando que as colectividades populares de cultura e recreio são verdadeiros núcleos de convívio e solidariedade humana, onde se criam potenciais que noutras situações não teriam possibilidade de existir, facilmente compreenderemos o interesse, a necessidade e utilidade que há no estabelecimento de relações com as mesmas. Assim, como ponto de partida para uma análise objectiva ao problema recreativo-cultural da população caldense, dirigimo-nos às colectividades populares da nossa terra, para saber todo um conjunto de factores que nos parecem de grande interesse para todos nós”, explicam os responsáveis do jornal.
O primeiro número é dedicado à Sociedade Columbófila Caldense, que estava a comemorar o seu 35º aniversário.
Primeiro comício do PCP na cidade

O RI5 em Cabo Verde
Nota ainda para a intensa atividade sindical na região, para a realização da reunião comemorativa da partida do 1º Batalhão Expedicionário do R.I.5 a Cabo Verde, com a homenagem à cidade, com a deposição de uma coroa de flores na estátua da Rainha, a inauguração de uma placa no quartel, em homenagem aos nossos camaradas falecidos em Cabo Verde e deposição de uma palma de flores no mausoléu dos militares mortos em defesa da Pátria, antes de um almoço de confraternização na F.N.A.T. – hoje INATEL -, na Foz do Arelho.
Caldas e o ténis de mesa

“A Federação Portuguesa de Ténis de Mesa, que tanto lamentou não ter podido realizar em Caldas os últimos Campeonatos Nacionais, que tanta animação e grande proveito foram proporcionar à Figueira da Foz, pretende realizar a final da Taça de Portugal na nossa cidade, a 27 do corrente mês, precedendo a entrega dos prémios dos Campeonatos Distritais Individuais de Leiria de 1973. Tal atitude é ditada pela ideia de homenagem à Comissão Caldense que agora dirige a Associação de Ténis de Mesa do Distrito de Leiria, agora com sede nesta cidade, e aos clubes e jogadores caldenses que tanto se dedicam e valem no Ping-Pong. Esperamos que não se perderá esta oportunidade de bem colocar as Caldas da Rainha… A Gazeta auxiliará quanto seja necessário!”, lê-se nas páginas do jornal caldense.
O Henrique dos Jornais

Com 67 anos de idade faleceu, nesta cidade, Henrique de Oliveira Vilão, popular «Henrique dos Jornais»; vítima de cansaço e velhice, consequências da dura e violenta tarefa de vender jornais, a que desde muito novo se entregou e a qual só deixou de exercer agora, que faleceu. Desde os 9 anos de idade que não conheceu outra profissão que não fosse a de ardina. Com mais alguns anos, começou a vender no comboio entre Lisboa e Figueira da Foz. Fazia duas viagens por dia ida e volta. À volta ficava nas Caldas onde efectuava a venda dos jornais da noite, após a qual seguia, de novo, para Lisboa, donde regressava no dia seguinte trazendo os jornais para a população caldense. Foi, portanto, durante muitos anos o único elo de ligação entre as redacções dos jornais e a população desta cidade. Embora diariamente transportasse milhões de letras, milhares de palavras, debaixo de braço, Henrique Vilão, nunca teve a possibilidade de as saber associar e decifrar o seu significado, pois o facto de, muito novo – com 9 anos – ter começado a trabalhar, impediu-o de ingressar na instrução primária. Há cerca de dois anos – vítima de atropelamento esteve internado no Hospital desta cidade em consequência de fractura das duas pernas, tendo pago com as suas economias tudo!! Voltou novamente à venda, passado algum tempo, e não pudemos, nessa altura deixar de ir ao seu encontro, para saber concretamente a razão ou razões do seu regresso à venda:
– «Voltei a vender porque acho importante informar as pessoas, para me distrair(?), porque o dinheiro que tinha, gastei-o com a minha hospitalização e ainda porque… sem isto não consigo viver! Deixe-me ainda dizer-lhe que é indecente não haver qualquer protecção aos ardinas. Nós andamos aqui expostos ao mau tempo, ao acidente, à doença e não temos um mínimo de condições de protecção!»
Quando pensa deixar de vender?
– «Conforme! Sabe, como tenho muito amor a isto e muito boa vontade para o fazer… posso até morrer a vender!»
E assim aconteceu.
Henrique Vilão tinha bem marcado na máscara rugosa – sintoma de cansaço e velhice que envolvia o seu rosto, o trabalho violento a que ainda hoje se entregava, percorrendo a cidade de «lés a lés», para fazer chegar as notícias a casa cada um! Foi um homem que aos 67 anos de idade percorria uma cidade inteira para ganhar o mínimo que lhe desse para a sua subsistência. Foi, em suma, um homem que dedicou toda a sua vida ao serviço da colectividade e que nunca recebeu dela a menor retribuição! A população caldense e a Gazeta, não podem deixar de render aqui a justa homenagem a Henrique Vilão, o «Henrique dos Jornais», orgulhando-se do homem, que através do seu empenho, da sua dignidade profissional, e, sofrendo as consequências físicas de tão exaustivo trabalho, contribuiu para a divulgação, o engrandecimento e a dignificação da Imprensa e da Informação nesta cidade”, conclui o texto de António João Maldonado Freitas.
Nadadores-salvadores

Para a semana trazemos mais artigos escritos a chumbo. Até lá!













