Os jovens Catarina Félix (chefe de cozinha) e Tiago Ferreira (chefe de sala) foram as estrelas do quarto dia de Cozinha de Autor, que teve lugar a 30 de Março, no pólo caldense da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste.
O restaurante completamente lotado, com clientes já regulares e um grupo a festejar um aniversário, são a prova do sucesso do evento, que pretende dar a conhecer o trabalho e a criatividade dos alunos finalistas. O óptimo serviço e a fantástica relação preço-qualidade são uma constante nesta iniciativa, que irá decorrer até ao final do ano lectivo, mas com propostas diferentes em cada semana.
Catarina era o nome que mais se ouvia numa das cozinhas da escola ao final da manhã de 30 de Março. E havia razões para isso: a jovem a quem todos pediam uma sugestão, uma decisão ou conselho, era a responsável pelo menu da cozinha de autor dessa semana.
Esta foi, aliás, a primeira vez que Catarina Félix, de apenas 17 anos, foi chefe de cozinha, e o resultado não podia ter sido melhor, sobretudo devido à concentração e método da jovem que, confidenciou, “tinha tudo preparado mentalmente”.

O relógio marcava 9h30 quando a jovem entrou na cozinha para dar largas à sua criatividade e preparar um menu saboroso e original para 24 comensais. Inspirou-se no gosto pessoal e também na experiência que obteve no Hotel Marriot, na Serra d’el Rei, onde esteve a estagiar, para oferecer uma diversidade de pratos em que os sabores das especiarias se aliaram às ervas aromáticas.
Para o final dos preparativos ficou o prato que viria a ser a entrada da refeição. Tem o comprido nome de “Enrolado de salmão fumado e algas, hummus de cogumelos e legumes, vinagrete balsâmico”. Enquanto a colega, e braço direito nesta tarefa, Isa Alfaiate, cortava as algas e as colocava de molho, Catarina Félix, enrolava o salmão. “Nem toda a gente gosta, mas eu gosto”, comentava a jovem, junto da colega a quem o paladar forte das algas não agradava particularmente.
E enquanto na cozinha se preparavam os pratos, no restaurante eram decoradas as mesas e feita a distribuição dos lugares, neste dia com uma novidade: a comemoração de um aniversário.

A acompanhar cada prato, Tiago Ferreira, sugeriu um vinho da região. A entrada foi regada a vinho branco da Quinta de S. Francisco (Bombarral). Seguiu-se um “Creme de espargos com espuma de tomate e crocante de presunto” e a aprovação da sala ia-se manifestando cada vez mais calorosamente, com olhares e gestos de satisfação, cúmplices, entre os vários comensais.

Este foi, dos pratos apresentados, o que deu mais trabalho confeccionar, porque “há pessoas que preferem a carne de vaca mais bem passada”, e leva a 
A sobremesa “Geleia de tiramissú em sopa de frutos vermelhos e crocante de licor Beirão”, encerrou o menu com chave de ouro. Para acompanhá-la, o chefe de sala preparou uma pequena surpresa: um cocktail inspirado no clássico Alexander, onde juntou brandy Croft e brandy mel.
Um menu cinco estrelas
O almoço agradou bastante aos clientes, mas também à sua autora. “Correu bem, foi fluindo normalmente, mas também tive uma boa equipa que me apoiou sempre”, disse Catarina Félix, referindo-se aos 11 jovens que a ajudaram na cozinha. Os pratos apresentados foram uma novidade e, por exemplo, a sobremesa, numa tinha sido ensaiada. “Ficou boa, já provei, mas foi mesmo uma primeira experiência”, reiterou no final do almoço.
Catarina Félix reside nos Casais da Serra, a localidade mais afastada do concelho caldense, já perto de Rio Maior, e vai prosseguir os estudos, provavelmente, na área de higiene e controlo alimentar. A cozinha também faz parte dos objectivos da jovem, que sonha ser chefe num reputado restaurante português ou tentar a sorte no estrangeiro, talvez em França.
Também Tiago Ferreira se sentia mais rico, a nível profissional, depois de terminada a experiência, onde contou com a ajuda de três colegas. Gostaria de prosseguir a formação em gestão de restauração e bebidas, mas não exclui ingressar já este ano no mercado de trabalho em Portugal. “Se não o conseguir, não pretendo procurar outra área de trabalho, mas apostar no estrangeiro e ganhar experiência para depois regressar e ter um negócio próprio”, diz, com convicção.
Na opinião do jovem caldense, actualmente é dado “muito descrédito à pessoa que está na sala porque pensam que se resume a trazer os pratos que estão na cozinha”, lamenta, acrescentando que a sala tem todo um serviço que se foi perdendo. “Estamos cá nós para tentar trazer isso ao de cima, bem como eles na cozinha. Esperamos que sejamos a nova fornada de hoteleiros em Portugal”, complementa Tiago Ferreira, dando nota do bom relacionamento entre os colegas dos dois cursos, que trabalham juntos desde o primeiro ano.
Luís Eleutério, trabalha nas Caldas mas reside em Torres Vedras. De 15 em 15 dias costuma frequentar o restaurante da Escola de Hotelaria e Turismo, juntamente com um casal amigo, onde consegue saborear uma refeição com uma “qualidade extraordinária e por um preço fantástico”.
Do menu da Catarina não houve nada que pusesse de parte. “Estava tudo divinal, digno de registo”, disse, destacando o prato de carne. “Estava fantástico, o paladar da carne, a suavidade, tudo cinco estrelas”, classificou Luís Eleutério, que pretende voltar, e recomendar aos amigos.
E são cada vez mais os clientes destes almoços, até porque a ementa (incluindo bebidas e café), que num restaurante teria um custo superior a 50 euros, ali tem um preço de oito euros por pessoa.
Formação em food design
Na senda dos grandes chefes de cozinha que, além do sabor têm em especial atenção o empratamento e a procura de novas formas de inovar na arte da culinária, a Escola de Hotelaria e Turismo pretende desenvolver a oferta formativa na área de food design em parceria com a ESAD. O director da escola, Daniel Pinto, já falou com a directora da escola de artes caldense, com o objectivo de abrir uma pós-graduação nessa área. “Gostávamos de nos ligar ao food design porque é uma área inovadora, recente e com muito interesse”, destacou Daniel Pinto.
Fátima Ferreira
fferreira@gazetadascaldas.pt










