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Fátima Lopes partilhou experiências do “ser mulher” no Céu de Vidro

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A apresentadora de televisão e escritora manteve sempre a proximidade com os participantes

A apresentadora e autora refletiu sobre as exigências da sociedade atual para com as mulheres

A apresentadora e autora Fátima Lopes esteve em tertúlia no passado dia 26 no Céu de Vidro, numa iniciativa integrada no Parque Com Vida, da União de Freguesias de Nª Sra. do Pópulo, Coto e S. Gregório (UFNSP). Na sessão, defendeu que as mulheres continuam a enfrentar exigências desproporcionais a nível profissional e social, nomeadamente no que diz respeito ao envelhecimento e à conciliação com a vida familiar.

Perante uma plateia repleta, Fátima Lopes destacou a pressão imposta pela sociedade sobre a imagem feminina. “A sociedade está muito penalizadora com o facto de perdermos a frescura física”, afirmou, acrescentando que os cabelos brancos e a “barriguinha” são sinais de charme nos homens, mas de “desleixo” nas mulheres. A apresentadora e escritora realçou que as decisões em relação à imagem devem ser o que faz cada um sentir-se bem e não o que está convencionado em termos sociais, assumindo a decisão de nunca ter realizado cirurgias estéticas. “O ‘papinho’ faz parte da minha história. Estas rugas são porque eu tenho 56 anos e já tive alguns desafios duros na minha vida”, declarou.

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A autora abordou também a necessidade de afirmação no mercado de trabalho que se cruza com uma exigência parental para atingir uma perfeição irrealista. “Corremos que nem loucos para fazer absolutamente tudo pelos nossos filhos”, explicou, notando que, embora exista uma maior divisão de tarefas na atualidade, a pressão sobre as mulheres continua mais pesada. Por estes fatores, apelou a que as mulheres promovam o respeito por si próprias e contornem as expectativas inatingíveis impostas no quotidiano.

Respondendo a uma pergunta da plateia, Fátima Lopes abordou o episódio de burnout que enfrentou devido ao excesso de trabalho, quando conduzia três programas de televisão em simultâneo. Detalhou os sintomas agudos: privação severa de sono, perda de apetite, falhas graves de memória, cansaço extremo e “uma tristeza profunda e avassaladora”. A recuperação obrigou a uma reestruturação drástica da rotina. A apresentadora confrontou a entidade patronal, exigindo folgas regulares para evitar a baixa médica, e adotou regras estritas de higiene do sono e alimentação. Destacou ainda o papel fulcral do apoio familiar, confessando a dificuldade em demonstrar vulnerabilidade. “Temos de aceitar que pedir ajuda a um filho não é sinal de fraqueza, é dar-lhe uma oportunidade de fazer aquilo que ele tanto quer: amar-nos”, relatou.

Duas semanas de animação
A União de Freguesias de Nª Sra. do Pópulo, Coto e S. Gregório faz um balanço globalmente positivo da iniciativa “Parque Com Vida”, que decorreu entre 14 e 29 de março no Parque D. Carlos I, destacando a forte adesão da comunidade, o envolvimento das escolas e a diversidade de públicos e atividades.
Segundo Sofia Bandeira Duarte, vogal do executivo, o evento traduziu-se “num encontro muito valioso”, resultado de um trabalho em rede que envolveu escolas, academias e diversos agentes culturais. “Notámos uma adesão imediata e muito interessada por parte de todos e conseguimos conjugar públicos distintos, não só quem participou nas atividades, mas também quem procurou assistir”, afirmou.

Durante cerca de duas semanas, o programa incluiu exposições, conversas abertas e iniciativas nas áreas do ambiente, da condição da mulher, do teatro e da educação artística. Para a responsável, a diversidade da oferta permitiu chegar a diferentes faixas etárias e interesses, proporcionando experiências fora do contexto habitual, sobretudo para os mais jovens. “Houve oportunidade para trazer as escolas ao Parque, mostrar aquilo que estão a fazer e permitir que alunos de freguesias mais remotas tivessem um dia diferente”, sublinhou Sofia Bandeira Duarte, acrescentando que o feedback dos educadores foi “muito positivo”.

A iniciativa promoveu também o contacto entre diferentes realidades, nomeadamente através de oficinas que juntaram alunos de cursos técnicos com utentes do Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor. Estes tiveram presença assídua no certame e fizeram a sua própria apresentação.

Também a adesão do público foi significativa, com várias iniciativas a registarem salas cheias, tanto durante a semana como ao fim de semana, com perfis distintos de visitantes. “Ao fim de semana sentimos mais famílias e jovens, o que trouxe ainda mais diversidade ao evento”, realçou a responsável.

Esta foi a segunda edição do Parque Com Vida, quatro anos depois da primeira. Pedro Brás, presidente do executivo, deixou a intenção de dar continuidade ao projeto. “A ideia é voltar a fazer já no próximo ano”, garantiu. Além desta, a União de Freguesias tem mais propostas para animar o Parque, a começar com as comemorações do 25 de Abril, com um concerto no coreto, bem como sessões de cinema ao ar livre e o festival de bandas.

A música foi uma das vertentes do Parque Com Vida
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