“De pequenino prevenir para mais tarde sorrir”
A “educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida, sendo complementar da ação educativa da família, com a qual deve estabelecer estreita relação, favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário”.
Como refere Paulo Moreira: “o desenvolvimento processa-se a partir das interações do indivíduo com o meio. A qualidade de interação que o indivíduo estabelece com o meio depende da forma como ele se organiza a nível emocional, cognitivo e comportamental”.
A criança em idade pré-escolar tem um conhecimento amplo e articulado do mundo que é adquirido desde muito cedo em contato com a rotina diária de atividades e a interação permanente com os objetos e as pessoas.
A criança dependente do seu meio envolvente, encontra-se sujeita a factores de risco, que desencadeiam mecanismos de vulnerabilidade e resiliência, que tendem a equilibrar a criança do ponto de vista afectivo e emocional e na sua organização interna.
É neste sentido, que se considera fundamental e de extrema pertinência, abordar nesta fase de vida da criança, determinadas temáticas, tendo por base a prevenção primária de comportamentos de risco e desviantes.
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Intervir sobre fatores de risco e fatores protetores no crescimento, tais como: a violência doméstica e entre pares, abuso sexual, o uso adequado das novas tecnologias de informação, os direitos humanos, o desenvolvimento de competências pessoais e sociais como o relacionamento interpessoal saudável, a auto-estima, o auto-conceito. É também fundamental conhecer a importância da interação precoce, vinculação, autonomia e identidade.
Uma das formas eficazes de intervir sobre estas temáticas com este público-alvo é sem dúvida através do jogo, dos desenhos, de histórias e fábulas e de atividades lúdicas e pedagógicas.
Dou como exemplo deste tipo de prática, e uma das vertentes da minha intervenção no terreno, a apresentação deste tipo de temáticas, a crianças em idade pré-escolar sob a forma de teatro de fantoches, em que técnicos e crianças dramatizam e “contam uma história” cujo o tema central é a violência e o desrespeito, tendo no final uma moral que implica que cada criança conclua algo de positivo.
Um outro exemplo, é a leitura de fábulas e histórias que têm como princípio valores morais e que passem uma mensagem relevante dentro deste tipo de problemáticas. Para além claro, de aplicação de jogos e programas concebidos para o efeito.
Em torno deste processo é fundamental que a família e a comunidade também se envolvam, sendo a primeira, o local priveligiado de socialização para a criança bem como, um sistema sociocultural aberto que mantém trocas com o exterior, num equilíbrio dinâmico. É por isso desejável que este tipo de atividades sejam realizadas em colaboração com a família, professores, alunos mais velhos e comunidade.
É necessário que cada vez mais todos nós contribuamos para que “as pessoas desde a infância até ao final da vida possuam um conhecimento dinâmico do mundo, dos outros e de si mesmas”.
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Patricia Oliveira
Assistente Social: Programa Contrato Local de Desenvolvimento Social
Mestre em Serviço Social com especialização em Bullying
Especializada em Aconselhamento Parental e Familiar e em intervenção com crianças e jovens em risco, pelo ISPA.





