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Sete arguidos por furto de eletricidade para mineração de criptomoeda

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Instalações usavam 76 processadores interligados, em armazéns e habitações no Olho Marinho, A-dos-Ruivos e Reguengo Grande

Uma operação de mineração de criptomoedas a nível industrial, alimentada por ligações ilegais à rede elétrica, levou à constituição de sete arguidos nos concelhos do Bombarral, Óbidos e Lourinhã, num processo conduzido pela GNR das Caldas da Rainha. Em causa está o furto de eletricidade avaliado em cerca de 292 mil euros, utilizado para sustentar sistemas tecnológicos de elevado consumo energético.

Os arguidos são seis homens, com idades entre os 39 e os 48 anos, e uma mulher, de 41, cinco de nacionalidade portuguesa, um moldavo e um brasileiro. Dois dos envolvidos já têm antecedentes por crimes semelhantes. Todos foram identificados no passado dia 10 de dezembro, no culminar de uma investigação que decorria desde o início de novembro.

O caso começou a ser investigado após terem sido detetados picos anormais de consumo elétrico em várias localidades, situação que chegou a provocar falhas no abastecimento às populações. Em A-dos-Ruivos, no concelho do Bombarral, registou-se mesmo uma interrupção temporária no fornecimento de energia, motivada pela sobrecarga da rede.

De acordo com a GNR, a potência exigida pelos equipamentos instalados era tão elevada que originou distorções e avarias na rede elétrica, criando constrangimentos no fornecimento de energia às habitações vizinhas. As ligações clandestinas encontravam-se instaladas em armazéns e residências situadas em A-dos-Ruivos, no concelho do Bombarral, Olho Marinho, no concelho de Óbidos, e em Reguengo Grande, no concelho da Lourinhã.

Segundo o adjunto do destacamento territorial da GNR das Caldas da Rainha, Hugo Marçal, citado pela Lusa, a mineração de criptomoedas não é, por si só, considerada crime em Portugal. “A situação que estava ilícita era o furto de eletricidade que os mesmos faziam para depois, através da mineração, gerar valores monetários”, afirmou.

A investigação permitiu identificar 76 processadores de elevado desempenho, interligados entre si e ligados diretamente à rede elétrica, utilizados na produção de criptomoedas. Para além do valor da energia furtada, a GNR sublinha que a operação envolvia um investimento significativo, tendo em conta que cada processador tem um valor unitário estimado entre mil e dois mil euros.

No decorrer da ação policial foram realizadas cinco buscas, três domiciliárias e duas em armazéns, com o apoio técnico da E-Redes e o reforço dos postos territoriais da GNR do Bombarral, Óbidos, Peniche e Lourinhã. Não houve, no entanto, apreensão de material, uma vez que a ilegalidade identificada se cingia ao furto de eletricidade.

O processo foi remetido para os tribunais judiciais das Caldas da Rainha e da Lourinhã, onde os arguidos terão agora de responder pelo crime de furto de energia.

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Edição #5628

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