Animação e fogo de artifício deram as boas vindas ao Ano Novo. Mas houve quem também quisesse celebrar com um banho de mar ou música. O pequeno Abner foi o primeiro bebé a nascer na maternidade das Caldas em 2026
A animação musical começou logo a 30 de dezembro, na Expoeste, com a realização da Festa M80. A 31 de dezembro, a festa, para receber o novo ano, teve lugar na Expoeste e também na Foz do Arelho.
O concerto no parque de exposições contou com a atuação de David Antunes e, à meia-noite, foi a vez do grupo Usados Com Garantia. Na Foz, a despedida do velho ano decorreu na Avenida do Mar, na Foz do Arelho, junto aos bares. “Caldas da Rainha não tinha grande tradição no que diz respeito às festas de passagem, algo que fomentámos nos últimos anos com sucesso”, disse o presidente da Câmara Vítor Marques. A festa na Expoeste teve um custo de 47.400 euros e contou com a participação de seis mil pessoas. “Vamos manter as festas de passagem de ano na Expoeste em 2026”, garantiu o edil caldense acrescentando que a autarquia também apoiou a festa organizada pela Junta de Freguesia da Foz do Arelho, onde também houve o tradicional espetáculo de fogo de artifício.
Cumprido o primeiro banho do ano
Cerca de três dezenas de pessoas participaram, no dia 1 de janeiro, no tradicional primeiro banho do ano do grupo Phoz Plage, na praia de mar da Foz do Arelho. Apesar do frio e do vento forte que se fizeram sentir – condicionando também o habitual movimento na praia neste primeiro dia do ano – a tradição voltou a cumprir-se.
“O banho na água estava ótimo, o que estava desagradável era o vento”, resumiu o presidente do grupo, Aníbal Remígio, explicando que, mesmo com condições adversas, há que manter viva a regra que acompanha o grupo há décadas: depois do jogo de futebol, o mergulho no mar. “Tentamos respeitar isso ao máximo”, afirmou.
O Phoz Plage, que celebrou 60 anos de existência no ano passado e este primeiro jogo de futebol na praia e primeiro banho do ano é apenas um dos momentos de reunião, embora seja o que junte mais plageanos. “Todos os domingos e feriados, quaisquer que sejam as condições, estamos sempre aqui a jogar à bola, para honrar os vivos e respeitar os que já partiram”, referiu Aníbal Remígio, lembrando que, em tempos, jogar futebol na praia era proibido e que este foi um direito conquistado pela “luta dos fundadores”.
Com 60 anos, o grupo vai atravessando gerações e procura passar esse espírito aos mais novos. “Não queremos que isto se perca”, disse. No primeiro dia do ano, participaram no jogo e no banho pessoas de várias idades, desde crianças até veteranos. O mais velho a jogar foi Luís Rosa, conhecido como “Pelé”, com 70 anos, enquanto entre os mais novos estiveram João Marques e João Pedro, este último com cerca de 11 anos e neto de um dos fundadores.
A iniciativa contou ainda com a visita surpresa do candidato presidencial António José Seguro, que também confidenciou que também tem a tradição de se deslocar à Foz do Arelho no dia 1 de janeiro.
Abner Fortuna foi o primeiro bebé a nascer nas Caldas
O relógio marcava 16h42 quando Moniza Fortuna deu à luz o pequeno Abner, com 3,430 quilos na maternidade das Caldas da Rainha. O parto, na tarde de sábado, 3 de janeiro, foi o primeiro a realizar-se naquele dia, em que a Urgência de Ginecologia/ Obstetrícia e Bloco de Partos reabriram depois de terem encerrado na manhã de 1 de janeiro por carência de recursos humanos médicos.
Pelas 15h00 de sábado, Moniza Fortuna, de 45 anos e residente em Tremês (Santarém) começou a sentir dores fortes e ligou para os bombeiros de Alcanede para a transportarem para o Hospital de Santarém, onde estava a ser acompanhada. Contudo, o encerramento das urgências de obstetrícia daquele hospital levou a que os bombeiros tivessem de procurar por vaga nos hospitais mais próximos, encontrando disponibilidade nas Caldas. Moniza “já contava” com a possibilidade de ter de ir para outro hospital e conseguiu gerir bem a situação. “Procurei ficar calma”, conta, lembrando que o parto estava previsto para dia 31 de dezembro, no entanto, apenas começou a sentir dores mais fortes na manhã de 3 de janeiro.
“Sinto-me uma privilegiada por ter tido o bebé do ano no Hospital das Caldas. Fui muito bem atendida, a assistência é top”, realçou.
Natural de Angola, Moniza Fortuna veio para Portugal em abril do ano passado, para tratar de questões de saúde da filha mais velha (Agnés, de três anos) e para obter a nacionalidade portuguesa por descendência.
“Quando eu cheguei cá já estava grávida, mas não sabia”, recorda, acrescentando que quando sentiu sintomas e fez o teste já estaria a caminho do quarto mês de gravidez. O marido, Anderson Fortuna, de 34 anos, chegou em finais de setembro, para acompanhar a esposa e frequenta atualmente uma pós-graduação em Gestão de Empresas. Em Angola possui uma empresa que presta serviço na área de construção civil e consultoria em processos ligados a empresas e gostaria de abrir uma filial em Portugal. No entanto, a burocracia tem dificultado o andamento dos processos e a obtenção da documentação, reconhece o casal que gostaria de permanecer no país.
Abner é o terceiro filho do casal Fortuna, que já tem Agnés, de três anos, e Quemuel, de dois anos.
Concerto de Ano Novo no CCC
O CCC voltou a acolher, a 3 de janeiro, o concerto de Ano Novo com a atuação da Banda de Comércio e Indústria (BCI) e do Saint Dominic’s Gospel Choir, que é dirigido por João Castro.
Com lotação esgotada há várias semanas, a atuação superou as expectativas do público pois provou que uma banda filarmónica e um coro de gospel podem ter afinidades e trazer uma boa proposta musical para receber o novo ano.
As valsas e canções como Hallelujah, Amen, Oh Happy Day ou I´m a Believer foram acompanhadas pelo público e, muitas, foram aplaudidas de pé.
O concerto foi também marcado pela despedida de Adelino Mota que deixa a BCI ao fim de 18 anos à frente dos seus destinos. O maestro, que foi homenageado pela banda, segue agora para uma nova fase da sua vida profissional já que integra o executivo da Câmara Municipal da Nazaré. No fim do concerto o maestro foi homenageado pela direção e pelos músicos da BCI.
O testemunho foi deixado por Graça Louro, elemento que integrou a BCI em 1975, quando tinha 14 anos. A saxofonista proferiu palavras que sublinharam o rigor e a constante inovação que Adelino Mota colocou no seu trabalho com a BCI e que este ainda conseguiu “transformar-nos numa família”.
Para o presidente da Câmara, Vitor Marques, a BCI tem contribuído muito para a Cultura do concelho e até mesmo o público aprendeu muito com o maestro “que ralhava a cada aplauso fora de tempo e por algum toque de telemóvel a despropósito”.
O autarca sublinhou que Adelino Mota teve um papel de renovação da BCI e de estímulo às atividades culturais e musicais no concelho das Caldas. “Deixas muito de ti em nós e também levas um pouco de nós contigo!”.
A última valsa do concerto de Ano Novo já foi dirigida pelo novo maestro da BCI, Samuel Pascoal. Natural da Gançaria, o novo responsável é também um dos maestros da Banda da Armada Portuguesa.
Adelino Mota, que pediu luzes para poder ver o público, afirmou que este “era um concerto especial para todos nós” e que ficou feliz de ter encerrado a sua direção com a BCI e o coro de gospel. Os temas tiveram arranjos de Margarida Louro, que também integra a banda.
“Em 18 anos há muitas histórias para contar. Muitos dos músicos chegaram aqui crianças e hoje são homens e mulheres, a seguir os seus percursos. É muito gratificante ver esta banda a crescer”, disse Adelino Mota e deixando o recado aos músicos lembrando-os do papel fundamental que possuem na BCI.
“Valeu a pena e não me arrependo de nada”, rematou o maestro que acrescentou que “leva a banda no seu coração” e que estará sempre disponível “para o que a BCI precisar”.
Janeiras nas escadarias da Câmara
No Dia de Reis, pelas 20h00, voltaram a ouvir-se cantar as Janeiras, com o Rancho Folclórico e Etnográfico do Reguengo da Parada a desejar um bom ano a todos, nas escadarias da Câmara Municipal.











