
O cantor portuense deu dois concertos nas Caldas. A receita de um deles foi doada para ajudar quem sofreu com o mau tempo nesta região
Mais de 1300 pessoas assistiram aos dois concertos de Pedro Abrunhosa no sábado, dia 14 de fevereiro, no CCC. O grande auditório esteve esgotado à tarde e à noite para assistir a uma atuação intimista, onde não faltaram momentos emotivos. Como aconteceu quando o cantor anunciou que iria doar a receita de um dos dois concertos a instituições caldenses que sofreram por causa da intempérie.
A iniciativa contou com a autarquia que decidiu que o valor total – 19.100 euros, dos quais 3.820 correspondem à comparticipação do CCC e os restantes 15.280 a Pedro Abrunhosa, à produtora, aos técnicos e aos músicos – vai ser entregue às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho que têm respostas na área das Estruturas Residenciais Para Idosos (ERPI). E isto porque o Município verificou que, em caso de corte no fornecimento de energia elétrica, as ERPI do concelho não têm capacidade de resposta.
A Câmara Municipal tomou a decisão de criar um plano para oferecer apoio financeiro a estas instituições, através de fundos municipais. O montante do concerto suportará a parte não financiada pelo Município, a aquisição de equipamentos para suprir falhas de energia (geradores), em situações de emergência, por parte das IPSS.
“Este é um concerto mais introspectivo, bem diferente daqueles que fazemos nos grandes espaços”, partilhou o cantor que fez desfilar os principais êxitos, de vários discos e com novas sonoridades. É preciso ter calma, Tudo O Que Eu Te Dou, Se Eu Fosse Um Dia O Teu Olhar, Leva-me para Casa, “Que O Amor Te Salve Nesta Noite Escura, entre tantos outros. E foi durante a atuação que Pedro Abrunhosa se referiu à situação que vive a Ucrânia, a momentos de perda e às pessoas entidades, vítimas da intempérie. O facto de oferecer o valor da bilheteira de um dos espetáculos mereceu uma ovação de pé do público caldense. Após o concerto, o músico recebeu várias entidades, incluindo elementos do grupo Amigos pela Paz do Mundo que lhe atribuíram o certificado de Embaixador da Paz.
Aos jornalistas, Pedro Abrunhosa revelou-se um defensor da imprensa dado que as redes sociais, “não são um veículo de informação credível”. Para o músico os jornais “são um pilar da democracia”, e a imprensa local é “fundamental para verificar o que muitas vezes os boateiros criam sobre um local, portanto os jornais locais são uma bênção”. Abrunhosa recordou que já tinha atuado em 1994 e lembrou que o então presidente Fernando Costa, cantou consigo num espetáculo realizado nas Caldas há 31 anos.
“É um privilégio estar aqui, em duas sessões esgotadas. Há uma grande afinidade entre mim e o público daqui”, referiu o músico que apoiou a candidatura de António José Seguro. Na sua opinião, o facto do novo Presidente da República querer continuar a viver nas Caldas “é uma aposta na descentralização, que eu acho maravilhoso para o país, que é muito mais do que só Lisboa”.
Sobre a sua carreira, Pedo Abrunhosa diz que falta “fazer tudo” pois o que conta é o que ainda se vai realizar. E do gesto solidário, afirmou apenas que considera que “não é solidariedade, acho que é uma obrigação”. E teceu críticas à falta de meios ao facto de terem sido privatizados serviços e empresas como a REN, a EDP, os CTT, ou seja, “tudo aquilo que fazia falta nesta altura como rede comunitária, desapareceu”. Na sua opinião, o Governo respondeu “terrivelmente” e sublinhou o facto do Estado não ser o Governo. O Estado é, por exemplo, “aquilo que fez a Ana Abrunhosa em Coimbra, isso é Estado. Com poucos meios, mas reagiu”, rematou.











