
Empresa liderada por Ana Rodrigues e Raquel Fortes visa colmatar a falta de apoio ao setor privado lusófono a partir das Caldas
Foi lançada nas Caldas da Rainha a nova empresa de consultoria In Connections, um projeto liderado pelas empresárias Ana Rodrigues e Raquel Fortes, que tem como objetivo estabelecer pontes comerciais e de investimento entre Portugal e os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A In Connections, que será um grupo com polos em Portugal e Angola e uma holding no Dubai, vai desenvolver a plataforma Invest CPLP, desenhada para preencher uma lacuna identificada no apoio ao setor privado no espaço lusófono.
Ana Rodrigues, CEO da In Connections PT, explica que a empresa, embora formalmente nova nesta configuração, resulta de uma experiência de duas décadas que já tem nesta área.
“Este projeto esteve na gaveta durante 20 anos, era um sonho meu e da Raquel quebrar a falta de conexão efetiva na CPLP”, afirmou a responsável.
O percurso de Ana Rodrigues na consultoria já lhe garantiu a presidência da rede International Networking para o continente africano durante três anos. “Fui a única mulher no Conselho Consultivo do Dubai”, destacou, acrescentando que obteve ainda, em 2016, o prémio de Empreendedora do Ano. Do seu trabalho, Ana Rodrigues destaca projetos com o governo de Angola e outro que lidera atualmente na Namíbia, avaliado em 21 milhões de dólares, que envolve uma refinaria e infraestruturas portuárias.
A empresária escolheu Caldas da Rainha para a sede da empresa por estar a residir no concelho. Natural do Bombarral, esteve vários anos a residir em Sintra, mas regressou ao Oeste pelas melhores condições de vida que oferece. E a empresária acredita que o potencial se estende à componente empresarial. “O Oeste e Leiria possuem muita indústria e faz todo o sentido trabalhar daqui com todos os países da CPLP”, afirma.
A operação conta com uma estrutura geminada em Luanda, a In Connections Angola, liderada por Raquel Fortes e que tem abertura prevista para 30 de abril. Raquel Fortes conta com uma experiência de 35 anos como técnica da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal). “A Raquel detém um conhecimento profundo em promoção de investimento e diplomacia económica entre empresas e governos”, destaca Ana Rodrigues.
O modelo de negócio da In Connections baseia-se na criação de um ecossistema de confiança, operacionalizado através do projeto Invest CPLP. Esta plataforma funcionará num sistema de franchising, com escritórios master em Portugal e Angola, evoluindo progressivamente para outros mercados. O plano prevê a consolidação da plataforma até 2026, seguida da expansão para os restantes países da CPLP e a criação futura de um fundo de investimento próprio.
A consultora pretende atuar em diversas frentes, apoiando tanto empresários e investidores nacionais que pretendem entrar nos mercados africanos quanto investidores desses países que procuram internacionalizar-se para a Europa. A plataforma online servirá para conectar investidores, fundos de investimento e bancos a projetos reais, com especial enfoque em Project Finance. Raquel Fortes identificou como setores com maior procura em Angola a agricultura, educação, saúde e energia, particularmente a energia eólica.
A constituição da holding no Dubai está prevista para maio, mas as empresárias temem que a atual situação geopolítica no Médio Oriente possa obrigar a adiar esse passo. No entanto, Ana Rodrigues realça que essa instabilidade pode ser benéfica para Portugal. “Há uma procura crescente de angolanos, árabes e ingleses” que recorrem aos seus serviços para facilitar a transição de capitais e investimentos para o território português, visto como “um porto seguro”.
As empresárias notam que a relação económica entre Portugal e Angola atravessou um período complexo a partir de 2016, devido às dificuldades de repatriamento de capitais, mas atualmente está a acontecer uma viragem. “As perspetivas estão a mudar”, garantiu Ana Rodrigues, citando o exemplo dos produtores de vinho portugueses que, após anos de afastamento, estão a regressar ao mercado angolano.
Nesta fase inicial, o escritório da empresa nas Caldas fica na Expoeste, nas instalações da AIRO – Associação Empresarial da Região Oeste. Jorge Barosa, presidente da associação, realçou a necessidade de criar estruturas que aproveitem o potencial luso-angolano. “É fundamental criar pontes bancárias e institucionais para que os negócios fluam”, afirmou, lamentando a falta de acompanhamento que muitos empresários sentiram no passado.
Vítor Marques, presidente da Câmara das Caldas da Rainha, saudou a iniciativa, lembrando a ligação histórica da cidade à assistência e ao comércio, e manifestou o desejo de que estas novas ligações tragam “excelentes resultados para os investidores” e dinamizem a economia local.







